Dizem que pego no pé do senador gaúcho. Posso. Votei nele sempre, sem pestanejar, por várias vezes, para senador e governador. Portanto, posso cobrar o quanto quiser e puder. Ontem, após o embate com Collor, onde foi totalmente derrotado, não importa os métodos, pois deveria estar preparado, Pedro Simon cometeu uma das maiores baixarias já assistidas pelo Senado. Associou a reação de Collor a do pai do senador alagoano que, em plenário, assassinou outro parlamentar. Sugeriu que o olhar de Collor poderia ser um indicativo de que puxaria um revólver em plenário e o atacaria.
O nome disso é baixaria e deveriam, sim, levar o senador para o Conselho de Ética. Aqui em Santa Catarina, Esperidiao Amin assistiu o pai ser morto pelo irmão, em briga de família. Dizem que foi esta cena que causou a doença do catarinense, que perdeu todos os pelos do corpo. O mal tem um nome, mas nao lembro agora. Jamais na história política de Santa Catarina, por mais baixo que seja Amin ao fazer política, este fato foi utilizado por qualquer adversário. É apenas um exemplo. O que o Collor filho tem a ver com o Collor pai? Que direito tem Simon de trazer este passado á tona? Mas Simon foi mais longe. Hoje dá
entrevista ao Estadão, de onde destaco duas perguntas e respostas:
Onde começou sua desavença com o presidente Sarney?
Quando fui contra a candidatura dele à Vice-Presidência da República. O Tancredo Neves estava no quarto do hospital de Base, em 14 de março de 1985 (um dia antes da posse), perguntamos o que fazer ao dr. Ulysses Guimarães. E chegou o general Leônidas (ministro do Exército, levado por Sarney). O general disse que Sarney deveria assumir. Eu comecei a falar e dr. Ulysses não deixou eu falar e confirmou o Sarney. Aí foram embora Sarney e o general. Nós ficamos no quarto, e dr. Ulysses disse que estava tudo preparado há meses e que o general Leônidas estava comandando tudo. E o Sarney assumiu.
O senhor disse que foi um golpe.
Sim, um golpe, claro que foi. Deu golpe e virou presidente. E nós calamos a boca. O Tancredo não tinha assumido, não era presidente. Quem tinha de assumir era o presidente Congresso.
O "nós calamos a boca" nao é nós. É ele. Simon é sempre assim. Nao é do PMDB, é do "velho MDB". Quando sobe na tribuna para cagar as regras de sempre, é "eu". Quando covardemente foge, é "nós". Em uma eleição no Rio Grande do Sul, para governo do estado, Simon, no meio da apuração, pressionado pela imprensa arenista, reconheceu a sua derrota para Jair Soares, no momento à frente na contagem. E lá se foi para a sua embaixada em Rainha do Mar, no litoral. Os fiscais e militantes abandonaram tudo e a eleição começou a virar, mostrando que o "velho MDB" iria vencer. Nao venceu. Sem fiscais e sem a militância na rua, os arenistas roubaram todos os votos brancos e nulos, vencendo a eleiçao por pouquíssimos votos. Portanto, preparem-se para ver um Simon ter o seu canto do cisne, depois da briga com Collor. Ele é gaúcho, mas nao honra as bombachas. Sua briga é só na goela. Este blog não bebe água na orelha de ninguém. Fora, Simon!
.....................................................................................................
E mais: é bom entenderem de uma vez por todas que ao criticar Simon como ele merece, este Blog não está defendendo Collor e a sua camarilha. Esta é a velha armadilha, tão suja quanto a usada pelos petralhas, que sempre tentam desqualificar o debate com escapismos bestas. Existem posicionamentos que superam ideologias. Que demonstram caráter. E é disso que estamos tratando.