Derrama.

Derrama era um dispositivo coator contra os "homens-bons" (brancos e ricos), para que estes zelassem pela arrecadação dos quintos reais.O quinto era a retenção de 20% do ouro em pó ou folhetas levado às Casas de Fundição, que a colônia era obrigada a mandar para a metrópole. Mesmo havendo a Lei, no Brasil ocorreu apenas uma Derrama promovida pelo Governador de Minas Gerais Luiz Diogo em 1763/1764. De resto, embora a cota de 100 arrobas anuais quase nunca fosse atingida, os "homens-bons" sempre adiaram, emendaram e repactuaram o pagamento da mesma. Entranhados ao poder político, esses "homens-bons", que eram quase-sócios do Estado, conseguiram sempre empurrar com a barriga e adiar as derramas.
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No primeiro semestre deste ano, em São Paulo, a Receita Federal autuou as grandes pessoas jurídicas em R$ 7,7 bilhões -mais do que o dobro no mesmo período do ano passado (R$ 3,1 bilhões).Outro exemplo foi a ofensiva lançada contra os bancos para retomar uma cobrança de tributos questionada na Justiça estimada em R$ 2bilhões.Essa nova postura idealizada por Lina Vieira, ex-secretária da Fazenda, de concentrar esforços sobre os grandes contribuintes, onde estão os maiores sonegadores, provocou protestos na iniciativa privada e descontentamento no governo. Lina Vieira foi demitida no dia 9 de julho, entre outros motivos, por não ter atendido a uma série de pedidos políticos.Agora o governo, comandado por Guido Mantega, ministro da Fazenda, está mudando toda a equipe de arrecadação, voltando o foco contra nós, os lambaris,enquanto os tubarões continuarão livres, leves e soltos.

3 comentários

A maioria só desperta para a política quando lhe atingem o bolso.

Formador de opinião tem que ter conhecimento de causa.

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Bom dia a todos.Nunca antes nesse pais os grandes ganharam mais e impunimente.Veja os bancos quanto lucraram.E tinham medo do PT.Soubesse que seria facil lucrar,roubar,sonegar e ficarem impunes teriam eleito o Dick Vigarista na primeira vez.

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente “dois quintos dos infernos” de impostos. Para quê?

Para sustentar a corrupção, o PAC, o mensalão, o Senado com sua legião de “diretores”, a festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo, os saques “secretos” com cartões corporativos. Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do “quinto dos infernos” para sustentar uma corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.

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