segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PIB da Dilma cai para 0,52%. Aécio sabe consertar, Marina sabe rezar. Escolha é sua.

Analistas do mercado financeiro reduziram pela décima-quarta semana consecutiva suas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), de acordo com o boletim Focus, do Banco Central.

A mediana das projeções colhidas entre cerca de cem instituições caiu de 0,70% para 0,52%. O ajuste ocorre após a divulgação do PIB do segundo trimestre, na sexta-feira, que mostrou queda de 0,6% ante os três primeiros meses do ano. Além disso, o desempenho do PIB de janeiro a março também foi revisado para baixo, de crescimento de 0,2% para recuo de 0,2% ante o quarto trimestre de 2013.

Com isso, o país viveu nos primeiros seis meses deste ano a chamada recessão técnica, quando há dois trimestres consecutivos de queda da atividade.

Na primeira edição do Boletim Focus deste ano, de 3 de janeiro, a mediana das expectativas era de um crescimento econômico de 1,95% em 2014. Para economistas ouvidos pelo Valor após a divulgação do resultado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os indicadores de confiança e de atividade já conhecidos apontam para recuperação frágil no terceiro trimestre e dificilmente a segunda metade do ano terá ritmo suficiente para levar a economia a encerrar 2014 com avanço superior a 0,5% em relação a 2013. 

O Focus também mostra uma revisão para baixo nas projeções para o PIB do próximo ano, de 1,20% para 1,10%. Há um mês, o mercado esperava crescimento de 0,86% neste ano e de 1,50% no próximo. Para a indústria, um dos destaques negativos do PIB no segundo trimestre, as estimativas dos analistas melhoraram ligeiramente. A mediana das projeções passou de queda de 1,76% para recuo de 1,70% neste ano. Para 2015, a aposta seguiu em crescimento de 1,7%. No segundo trimestre, o PIB da indústria encolheu 1,5% na comparação com o primeiro e recuou 3,4% ante o mesmo período do ano passado, segundo o IBGE. (Valor Econômico)

Ao contrário da sonhática Marina e da apática Dilma, Armínio e Aécio tem um novo Brasil pronto para voltar a crescer.

"Nomeado" futuro ministro da Fazenda, caso Aécio Neves (PSDB) vença a eleição, Arminio Fraga, 57, reclama do aparente patrulhamento, na sua opinião, do atual debate sobre problemas econômicos.

Ele diz que precisa "fazer um discurso" antes de tratar de temas relevantes, como o reajuste do salário mínimo e as mudanças na previdência. "Senão, você é acusado de ser assassino de velhinhas, o que obviamente não é o caso." 

Falar da discussão muda a fisionomia do (quase sempre pacato) economista: "Eu tenho que fazer um preâmbulo. Se não, imediatamente, o PT vai falar: Eles vão arrochar os salários, arrochar os aposentados'", afirmou. 

Nesta entrevista à Folha, Arminio fala sobre uma das bases de maior apoio político de Aécio: a diminuição da oferta de empréstimos do BNDES. "O empresariado tem que se engajar numa posição mais moderna." Para ele, sua "nomeação", sozinha, não representa um choque de confiança. "Arminio Fraga não resolve nada." 

Folha - Se Aécio Neves vencer, qual será a regra de reajuste do salário mínimo?
Arminio Fraga - O Aécio já declarou que a política de aumento real do salário mínimo continua. A regra, no mínimo, vale por um ano e a essa altura não vejo por que mudar --a preocupação é que ele [o reajuste] fique até baixo neste momento.
Eu disse, e fui mal interpretado, que os salários em geral tinham subido muito, e que para continuar a subir, o que é totalmente desejável e alcançável, o Brasil teria que mostrar também um crescimento da produtividade. Como acredito que, com Aécio, os salários vão subir, sinceramente, não tenho problema com essa fórmula. 

Economistas próximos do sr. dizem que a regra atual onera a Previdência e desequilibra as contas do governo.
O papel de um futuro ministro da Fazenda não é tanto ter uma opinião a respeito disso, mas mostrar qual é o orçamento e qual é a tendência no médio prazo. Eu acho que isso está fazendo falta, o Brasil está voando no escuro, em um ambiente de um populismo exacerbado.

Vocês são críticos à atuação do BNDES, mas o banco oferece crédito barato para parte do empresariado. Como dizer para eles que isso tem de mudar?
O empresariado hoje entende que esse mercado de crédito dual, onde alguns privilegiados recebem crédito e a maioria não recebe, não é bom. Indiretamente põe pressão no juro, tem implicações distributivas perversas e, no fundo, existe porque outras coisas não estão funcionando.
Se outras coisas forem postas para funcionar, todo esse aparato de UTI pode ser removido. Fazer uma reforma tributária que desonere a exportação, o investimento, simplifique o sistema [tributário], tem um impacto enorme. Mobilizar capital para infraestrutura e arrumar a casa para ter um juro mais baixo para todo mundo tem um impacto enorme também.

Essas políticas, não só o crédito subsidiado, mas muitas das desonerações e do aparato protecionista, não são a resposta ideal.
À medida que se possa corrigir essas falhas, será possível desfazer esse caminho que não está dando certo. Alguém acha que a indústria no Brasil está indo bem, com todo esse crédito, subsídio e proteções? 

Um ajuste fiscal envolveria cortar quais gastos?
A sociedade tem que fazer opções. O nosso papel é colocar essa discussão na mesa, de uma maneira que ela possa ser concluída com mais consciência dos custos e benefícios e quais são os efeitos do ponto de vista do crescimento, da distribuição de renda. Há um imenso espaço para fazer políticas que teriam impacto redistributivo relevante. O caminho a seguir foi mapeado pelo FHC. Ele tomou a decisão de delegar áreas que naquele momento faziam parte do governo para o setor privado, sob supervisão, para focar em saúde e educação. Foi um pacto extraordinário. Essa discussão tem que ser permanente. 

O sr. falou em tirar subsídios e focar na redução da desigualdade. Como os empresários reagiriam?
Eles temem que a correção dos fundamentos [da economia] não ocorra e eles fiquem no pior dos mundos. Mas acho que o empresariado tem de se engajar numa posição mais moderna. O melhor exemplo é o Pedro Passos [sócio da Natura e colunista da Folha], que com muita coragem está quebrando todos os tabus e defendendo posições muito parecidas com essas. Acho que esse esgotamento do modelo já é entendido pela maioria. Ninguém gosta de ficar indo a Brasília negociar alguma coisa. Mesmo os que se beneficiavam mais disso estão vendo o Brasil parando.
Eu tenho a convicção de que arrumar a casa, fazendo ajustes, vai gerar crescimento. A recessão já chegou. 

Se o crescimento se recuperar, não diminui o ímpeto por reformas?
Só vai haver choque de confiança se o governo mostrar serviço. No gogó não vai. 

O seu nome sozinho não basta para recuperar a confiança?
Arminio Fraga não resolve nada. Quem tem de resolver é o Brasil. Se o governo não atrapalhar, já ajuda bastante. 

O programa do PSDB não trata de problemas da Previdência como a necessidade de aumentar a idade mínima, acabar com as pensões. Vocês vão enfrentar essas questões?
Nossa estratégia já está bem mapeada. Começar com uma reforma política, uma reforma administrativa, e colocar na mesa uma proposta já bem amarrada de reforma tributária. Fazer uma blitz na infraestrutura, mobilizar capital privado e, com isso, deslanchar uma primeira etapa do investimento no Brasil que nos parece ser urgente.
Em paralelo, acho que temos que declarar a guerra ao custo Brasil.
O tema da Previdência é importante, mas ele se presta também ao populismo. A nossa posição é que esse tema precisa ser debatido. Mas tenho de fazer um preâmbulo, se não imediatamente o PT vai falar: "Eles vão arrochar os salários, vão arrochar os aposentados". Isso tudo é mentira. Mas é, assim, nós não temos medo de discutir.
Na medida em que as pessoas vivem mais, você tem de pensar na idade de aposentadoria e na viabilidade atual do sistema. Outra coisa estranha são as pensões. E acho que também merece ser discutido, sem prejuízo de quem já tem o benefício. E outros temas: como um país que está com desemprego baixo tem um aumento colossal no seguro-desemprego?
São ótimos temas, mas para falar deles é preciso fazer um discurso antes, senão você vai ser acusado de "assassino das velhinhas", o que obviamente não é o caso. 

O governo diz que está fazendo um ajuste gradual e que chegaria aos mesmos objetivos sem dor.
Que ajuste? As contas fiscais estão piorando. Eles estão fazendo um desajuste gradual na área fiscal, e a inflação está em 6,5%, apesar dos preços reprimidos. Qual a credibilidade que o governo tem para dizer que vai fazer um ajuste gradual? Eu também acredito que o ajuste fiscal pode ser feito em dois anos. Eu também acredito que a meta de inflação não precisa ser reduzida da noite para o dia, mas tem que acontecer. Não é incorreto o que o governo diz, mas não corresponde ao que eles praticam. 

Por que a independência do Banco Central não é bandeira do PSDB?
Esse é um tema antigo e polêmico dentro do PSDB. O partido sempre gostou da ideia de dar autonomia ao Banco Central, mas com algum mecanismo de proteção em relação a problemas extremos, como o Banco Central trabalhar mal. O Aécio deixou claro que vai dar a chamada autonomia operacional ao Banco Central e não está fechado discutir a lei. 

Olhando de fora, o atual Banco Central é autônomo?
Menos do que seria desejável. Sou amigo do [presidente do BC Alexandre] Tombini, mas acho que ele vem sofrendo porque há de fato uma percepção de que ele está sob muita pressão. 

Para aprovar uma reforma tributária precisa construir uma maioria. Como vocês fariam?
Precisa. Acho que o Aécio trabalharia isso. 

Com quem?
Acho que com o país todo. É tal a emergência nessa área que eu acho que tanto o Congresso quanto a sociedade, os empresários em particular, iam dar muito apoio. Acho que é algo que seria muito bacana. E, se o Executivo estiver disposto a trabalhar isso dando um mínimo de garantia para os Estados, a coisa é bem viável. 

O que a proposta de reforma tributária de vocês tem de diferente?
Correndo o risco de soar um pouco agressivo, a nossa é a única. Teve proposta [do governo] de unificar as alíquotas do ICMS. Nós estamos falando em consolidar esses impostos, acabar com a cumulatividade, simplificar as regras. Estamos bem avançados nesse trabalho. Nossa ideia é abrir a discussão. 

Vocês ofereceriam propostas para uma reforma em um eventual governo Marina?
Sim, sim, claro. Acho que qualquer coisa que nós façamos não é segredo. 

Você participaria de um eventual governo Marina Silva?
Estou discutindo esses temas com Aécio há quase dois anos e acredito que ele é o caminho. Eu não vou. Não pretendo ir se não for com ele.

Dilma ou Marina, certeza de desemprego.

Ontem, Dilma Rousseff rompeu pelos jardins do Palácio da Alvorada para informar aos jornalistas que o programa de Marina Silva vai gerar desemprego. Avisou que está "muito preocupada" com as propostas do programa de governo da candidata do PSB e seus efeitos na criação de empregos e no fortalecimento da indústria nacional. "Estou me referindo basicamente sobre conteúdo nacional. A política de conteúdo local tem uma base: produzir no Brasil o que pode ser produzido no Brasil", disse. Mais não conseguiu dizer sem papel escrito e teleprompter.

Por sua vez, Aécio Neves atacou Dilma. "O Brasil vive hoje um processo de recessão técnica que significa para as pessoas que os empregos que estão sendo gerados hoje deixarão de ser gerados mais adiante. Não existe emprego, sobretudo de boa qualidade, quando não existe crescimento" afirmou ontem Aécio, antes de participar de uma partida de futebol promovida em parceria com o ex-jogador Zico, no Rio. Diante do quadro econômico atual, Aécio sentenciou que o PT deixará o governo em 2015. "O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que está hoje no poder", completou o tucano.

Uma providencial greve do IBGE já atrasa em três meses a divulgação dos índices reais de desemprego. Sabe-se que o Brasil não está criando vagas. Mas ninguém sabe o desemprego real que já começa a assustar o país. Com Marina ou Dilma, não há sinal de que o quadro vá melhorar.  O país está dando um salto no escuro, trocando estabilidade por uma série ameaça à sua economia.E aos empregos.

Aécio antecipa derrota do PT e quer embate com Marina.

Em busca de uma reviravolta nas pesquisas, o senador Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, passou a tarde de domingo no centro de futebol do ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira Zico, na Zona Oeste do Rio. Aécio participou de um jogo de futebol com ex-atletas e artistas que apóiam a sua candidatura e assinou uma carta com compromissos com políticas de popularização e profissionalização do esporte.

Antes de entrar no gramado, Aécio disse que a principal interpretação das pesquisas de intenção de voto é a de que o governo da presidente Dilma Rousseff não será reeleito e o PT deixará o poder. Sobre a sua posição em terceiro lugar nas sondagens, atrás de Marina Silva (PSB), empatada com Dilma em primeiro, ele disse que ainda há tempo de os brasileiros compararem os projetos políticos alternativos antes da escolha definitiva.

— O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que hoje está no poder. Das duas alternativas competitivas que aí estão, nós apresentamos uma, coerente com nosso passado e o que queremos fazer pelo Brasil. A população vai ter oportunidade de avaliar essas propostas, até porque não há nada de mais velho na política do que o discurso adaptado às circunstâncias do momento — afirmou.

Sobre o tom das críticas que tem feito à Marina, disse que isso não o afasta de um apoio dela se chegar ao segundo turno. — Ao contrário, eu tenho sempre ressaltado que respeito todas as candidatas, especialmente Marina. Cobro que cada candidato diga com clareza o que pretende fazer adiante — disse Aécio.

PÊNALTI MAL MARCADO

O candidato chegou pouco depois das 14h e foi aplaudido pelos convidados de Zico que o aguardavam numa área ao lado do campo onde eram vendidos churrasco no espero e bebidas. Havia ex-atletas como Bebeto, Dada Maravilha e o ex-integrante da seleção de vôlei Giovane, e artistas como Marcio Garcia, Mauro Mendonça, Eri Johnson, Fagner e Paula Burlamaqui.

Aécio jogou cerca de vinte minutos nos dois tempos da partida e marcou dois dos cinco gols da vitoria do seu time, liderado por Zico. Um dos gols foi de pênalti, claramente favorecido pelo juiz e pelo goleiro, tudo compatível com o clima de descontração do evento. — Está chegando a hora da virada! — gritava um locutor para a pequena plateia de militantes com bandeiras, repetindo a frase que estampava um cartaz no fundo do campo. 

O time dos adversários fez três gols. Entre o primeiro e o segundo tempos, Aecio ficou na beirada do campo com gelo aplicado no joelho esquerdo, que demostrava sentir, mas não economizou fôlego correndo em campo. A equipe de comunicação do candidato fez imagens e colheu depoimentos para o programa eleitoral gratuito na TV. ( O Globo )

O problema do Brasil não são os seus pobres lúcidos e pragmáticos. É a sua elite branca e burra.

Os pobres do Brasil, sempre  tão atacados por não saberem votar, pelo menos são lúcidos, fiéis e pragmáticos. Continuam votando no PT que lhes dá a Bolsa Família. Garantem o patamar de 30% de Dilma Rousseff nas pesquisas. O problema do Brasil é a sua elite, especialmente a elite jovem, burra, desinformada, que não tem a mínima noção de economia, de gestão e, principalmente, de país. É esta elite que está elevando os índices de Marina Silva nas pesquisas. Transformando uma candidata sem experiência e sem equilíbrio, que pratica um discurso pobre de rebeldia e negação da política, como se a negando vá conseguir governar um país em crise, que pratica a democracia representativa. Leiam, abaixo, matéria da Folha de São Paulo.

As intenções de voto na candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, cresceram entre o eleitorado cujo partido de preferência é o PSDB --a ex-senadora subiu de 20% para 25% no grupo. No mesmo período, o tucano Aécio Neves oscilou entre simpatizantes de seu partido de 62% para 61%. Apesar de, nesse caso, não ter ocorrido transferência direta de votos de Aécio para Marina, o crescimento da pessebista no conjunto diminui o espaço de expansão do candidato do tucano exatamente entre aqueles aos quais seria mais fácil arregimentar. 

Os dados, da pesquisa Datafolha divulgada na sexta (30), mostram que Aécio é o que possui menos intenções de voto entre apoiadores do próprio partido, dentre os três principais postulantes. Enquanto Dilma Rousseff (PT) soma 78% dos votos petistas, e Marina tem 83% dos pessebistas, Aécio atinge 61% entre eleitores tucanos. Levando em conta o eleitorado que declara preferência partidária, Marina é a única que lidera em mais de uma sigla. Além do PSB, ela é a mais votada entre os que apoiam o PV (83%) e o PMDB (37%). 

Entre a primeira pesquisa do Datafolha com Marina, feita imediatamente após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, e a segunda, realizada na semana passada, a campanha de Aécio assistiu à migração de parte de seu eleitorado em direção à candidata do PSB. A desidratação ocorreu entre os eleitores mais escolarizados e com renda entre 5 e 10 salários mínimos. Esse perfil é semelhante ao eleitor típico da ex-senadora, que é jovem, bem escolarizado, morador de cidade média ou grande e possui renda familiar acima da média nacional.

Na última pesquisa, Marina vence entre jovens, pessoas com ensino superior, e no eleitorado com renda entre 5 e 10 salários mínimos. Dados por segmento mostram os perfis em que cada um vai bem ou mal. Ajudam a mapear forças e fraquezas dos concorrentes e a ajustar discursos.

Apoio imediato de Marina ao etanol pode estar ligado à "operação abafa" da compra do jatinho de usineiros com caixa dois.

A presença de Marina Silva, alguns dias atrás, na Fenasucro, (Feira Internacional de Tecnologia e Sucroenergética), em Sertãozinho, no interior paulista , um dos maiores eventos do etanol no país, pode ser o indicativo de que o jato de Campos estava sendo pago pelo setor. Marina Silva foi até lá reafirmar os compromissos assumidos e evitar que empresários do setor revelem  as ligações perigosas entre os usineiros do jatinho caixa dois e a sua campanha.

A proposta que selou a compra, por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões), do jato que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório. 

O documento, obtido pela Folha, traz só uma assinatura ao lado do local e data da proposta de compra (Recife, 15 de maio de 2014), o que é inusual para um negócio de quase R$ 20 milhões.O empresário pernambucano que foi apresentado pelo antigo dono do jato como o comprador, João Lyra de Mello Filho, recebeu da reportagem uma cópia do documento, mas não quis comentar se a assinatura na proposta era dele. 

João Lyra é dono de uma financeira em Recife, já foi multado por lavagem de dinheiro e não tem capacidade financeira de assumir uma dívida de US$ 8,5 milhões, segundo a Cessna. O fabricante do jato recusou o nome dele para herdar o financiamento por falta de capacidade econômica. No contrato, o comprador se dispõe a pagar "todos os custos operacionais diretos e fixos da aeronave", incluindo manutenção e salários dos pilotos.

Os vendedores do jato, Alexandre e Fabrício Andrade, são os donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que já teve a maior usina de álcool no país, mas está em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 341 milhões. 

CAIXA DOIS
A ausência do nome é um indício de que o jato pode ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, segundo policiais ouvidos pela Folha. Segundo essa hipótese, o comprador não colocou o nome na proposta de compra porque sabia da suposta ilicitude do negócio. 

O "Jornal Nacional" revelou na última terça-feira (26) que empresas fantasmas e uma peixaria foram usadas para fazer pagamentos no total de R$ 1,7 milhão para os donos da aeronave. O PSB tem repetido, por diversas vias, que os eventuais problemas são de quem comprou o jato, não do partido.Há também a suspeita de que a venda foi apenas uma simulação para evitar que o uso da aeronave na campanha possa caracterizar o crime de uso de táxi áereo pirata. 

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) proíbe que donos de jatos o aluguem; só empresas de táxi aéreo podem prestar esse serviço, por questões de segurança. Segundo a proposta, o jato foi vendido por US$ 8,5 milhões. Na data do contrato, 15 de maio, o comprador se dispunha a pagar US$ 327,8 mil ao grupo A. F. Andrade. O grupo receberia, 15 dias depois, mais US$ 139,8 mil, de acordo com o documento obtido pela Folha

PAPEL DE PÃO
Três advogados ouvidos pela reportagem, dois deles sob condição de que seus nomes não fossem citados, classificaram o documento de "papel de pão", gíria para designar algo sem validade. "Contrato sem o nome do comprador não tem validade jurídica. É um contrato de gaveta", disse Luciano de Souza Godoy, professor de direito civil da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo. 

O documento, segundo ele, parece até ser falso para uma compra de US$ 8,5 milhões. "Nunca vi alguém fechar um negócio desse valor com uma proposta sem o nome do comprador e sem registro em cartório", afirmou Godoy. A informalidade da linguagem sugere que o contrato não foi escrito por advogado: "Me proponho a comprar a aeronave Cessna Citation XLS+número de série 6066, prefixo PR-AFA (a aeronave') por US$ 8.500.000", registra o primeiro parágrafo.(Folha de São Paulo)

Hoje tem debate no SBT.

O primeiro confronto direto entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) após a pesquisa Datafolha que apontou as duas candidatas empatadas com 34% no primeiro turno acontecerá nesta segunda-feira (1º), às 17h45, em debate promovido por Folha, UOL, SBT e Jovem Pan. O senador Aécio Neves (PSDB), em terceiro lugar com 15% das intenções de voto, também confirmou presença. 

Os presidenciáveis já estiveram frente a frente na terça (26), em debate realizado pela Rede Bandeirantes. Esta será a segunda vez que se enfrentarão e discutirão propostas em público. No evento anterior, a pesquisa mais recente era do Ibope, que mostrava Dilma com 34%, Marina com 29% e Aécio com 19% no primeiro turno das eleições. 

A pesquisa Datafolha aponta um empate entre as duas candidatas e um maior distanciamento de Aécio. Para ambos os institutos, Marina venceria em um eventual segundo turno com Dilma. Além dos três principais oponentes na disputa presidencial, participarão os candidatos Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL) e Levy Fidelix (PRTB). Em cumprimento à legislação eleitoral, foram convidados os candidatos cujos partidos têm representação na Câmara dos Deputados. 

TRANSMISSÃO
O evento terá mediação de Carlos Nascimento, jornalista do SBT. A duração do debate será de 1h40 minutos, divididos em quatro blocos. O debate ocorrerá nos estúdios do SBT, em Osasco (Grande São Paulo), e será restrito a convidados. A transmissão será feita na internet por Folha e UOL, na televisão pelo SBT e no rádio, pela Jovem Pan.(Folha de São Paulo)

domingo, 31 de agosto de 2014

Walter Feldman, um típico espécime da "nova política".

Na foto, com a Beata Marina, aparece Walter Feldman, um dos mais proeminentes espécimes da "nova política" pregada pela ex-petista, atual socialista e futura dona do partido Rede Sustentabilidade.  Feldman é um médico que virou político em 1983, pelo PMDB. Vereador em São Paulo. Lá ficou até 1988, quando migrou para o PSDB. Obteve dois mandatos de deputado estadual pelos tucanos. E outros dois mandatos de deputado federal também pelo mesmo partido. Nunca gostou de Brasília. Nos últimos anos foi secretário municipal nas gestões de Serra e Kassab. Em 2013, passou para a linha de frente na formação da Rede de Marina. E ingressou no PSB para poder concorrer. Está na "nova política" há 31 anos. É essa gente que está enganando o pobre e mal informado eleitor brasileiro.

Agora é pesquisa dia sim, dia não.

O instituto Datafolha registrou na sexta-feira (29) nova pesquisa eleitoral sobre a sucessão presidencial. A sondagem foi contratada pela Folha e pela TV Globo e a coleta de dados será realizada desta segunda-feira (1º) até a quarta-feira (3). Além das intenções de voto para a disputa presidencial, a pesquisa irá medir a aprovação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). O questionário completo da sondagem do instituto, registrada sob o protocolo BR-00517/2014, está disponível no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). 

O Datafolha também registrou pesquisas sobre o cenário eleitoral nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará e no Distrito Federal. Os levantamentos irão medir as intenções de voto tanto para as eleições aos governos estaduais como para as disputas ao Senado Federal. A coleta dos dados será realizada nesta terça-feira (2) e na quarta-feira (3). No Ceará, ela será promovida entre a segunda-feira (1º) e a terça-feira (2).(Folha Poder)

Programa de Aécio mostra o que ele tem de melhor a oferecer ao país: ele mesmo.

Não há dúvida alguma que Aécio Neves é o melhor candidato à presidência que o Brasil já teve nos últimos 12 anos. Jovem, inteligente, articulado politicamente, bem sucedido nas suas gestões tanto no Parlamento quanto no Executivo. Um ótimo gestor de um estado metade Nordeste, metade Sudeste, muito diferente de São Paulo, por exemplo, o mais equilibrado e mais rico da nação. Minas, sem dúvida, é a melhor síntese do Brasil.

Nunca na história deste país um candidato havia morrido tragicamente quando a campanha estava começando. E que tivesse um vice mais conhecido e mais popular do que ele. Tivemos na história o caso de Tancredo Neves, casualmente o avô de Aécio, que morreu antes de tomar posse, cedendo lugar para José Sarney. O maranhense, como se sabe, fez um dos piores governos da República, levando a inflação para mais de 80% ao mês.

É o risco que corremos agora. Sem apoio político, sem experiência, cercada por meia dúzia de fanáticos ambientalistas, Marina Silva pode ser uma nova Sarney. Uma Sarney de xale. A ex-ministra petista, se eleita, vai receber um país com inflação em alta, em plena recessão técnica, com juros elevados e os fundamentos econômicos abalados pelas gestões do PT. Terá condições para governar e cumprir promessas pouco claras ou apelará para o populismo barato que caracteriza o seu discurso?

Ontem o programa de Aécio Neves fez este alerta, que deverá ser repetido à exaustão nos próximos 40 dias. Alguns dizem que o tucano deveria bater em Marina Silva. Seria a primeira vez, depois de Fernando Collor, que um candidato que bate, ataca, agride, sairia vencedor numa eleição presidencial. Uma coisa é um Collor batendo em Lula, um sindicalista que incitava greves e ameaçava o capitalismo, a propriedade privada e a democracia. Outra é bater na viúva Marina, frágil, doente, feia e com, discurso de pastora da Igreja Evangélica dos Últimos Dias do Mundo. E não esquecer que Collor bateu em Lula, mas seu grande mote foi defender os descamisados (hoje eleitorado do PT) e acabar com os marajás (muito mais identificados com o PSDB do que com o PSB).

Também é bom lembrar que para impedir a vitória de Lula, o PSDB de José Serra fez a famosa campanha com Regina Duarte, tentando impregnar o Brasil com o medo do PT. Os tucanos ali enterraram a eleição, com o famoso bordão petista de que a esperança venceria o medo. Da mesma forma, em debate, Geraldo Alckmin partiu para cima de Lula e, na próxima pesquisa, caiu cinco pontos nas pesquisas eleitorais.

É muito amador, muito infantil, muito pueril vir para as áreas de comentários de blogs, para os espaços de facebook e para as mensagens de twitter pregar que Aécio Neves deve sair batendo a torto e a direito para despertar a nação para os imensos riscos que o país corre. Perdão, mas não temos povo para isso. O povo brasileiro, inclusive as suas elites que hoje colocam Marina Silva no segundo turno, parece querer criar a sua própria tragédia, levando o país para a beira do abismo.

Neste contexto, Aécio Neves deve fazer a sua campanha com propostas e alertas, tentando chamar a nação à razão. Se conseguir, vai para o segundo turno e vence a eleição. Se não conseguir, vai para a oposição com crédito para, em 2018, voltar a olhar nos olhos dos brasileiros e pedir o seu voto, com a biografia intocada e o crédito de ter alertado o povo brasileiro sobre os riscos que estava correndo. O que Aécio tem de melhor é ele mesmo. Que mostre a cara, o coração, alma e a razão, pois somente este discurso olho no olho com o eleitor pode levá-lo à vitória, em meio a tantas tragédias.