Adeus, guerreiro.


Prezados leitores e amigos,

É com imensa dor e tristeza que cumpro a tarefa de comunicar o falecimento do titular deste blog.

Nos últimos quatorze meses, Coronel lutou sua maior batalha: uma batalha pela vida e contra o câncer. Se é verdade que caiu, o fez, como ele mesmo gostava de dizer, “atirando”. Lutou feito um leão até o último suspiro.

Não irei me estender aqui em homenagens ao homem, marido, pai e amigo que foi. São coisas que dizem respeito à esfera pessoal, um tanto distante deste espaço. 

Deixo aqui apenas a minha homenagem ao brasileiro, blogueiro, guerreiro implacável, que tantas horas dedicou ao combate daqueles que roubam e violentam o país – atividade que só deixou na última semana porque já não era fisicamente possível prosseguir.

Fica, também, como ele queria, o agradecimento aos leitores que o acompanharam durante todos esses anos. Muito obrigada, de coração.

Sei que vocês poderão entender que, a despeito do grave momento pelo qual passa o país, não me é possível decidir, agora, qualquer coisa a respeito deste espaço. Também não passa pela minha cabeça que o Coronel possa ser substituído – não creio que alguém tenha condições de fazê-lo à altura.

Em algum momento, quando a dor amainar, retornarei às redes com o meu perfil. Por ora, contudo, prefiro me manter em silêncio, afastada tanto das homenagens quanto das demonstrações de falta de respeito que certamente virão. Bem sei que o Coronel combatia hienas. E é para não ouvir o riso mórbido delas que me manterei afastada por algum tempo.

Adeus, meu guerreiro. Tua luta está registrada na história deste país. 


Nariz Gelado


Blog em viagem

Portas em automático, o blog está em viagem. Escala em São Paulo e, depois, compromissos profissionais na Europa.
As atualizações ficarão bastante prejudicadas nas próximas horas. Nos próximos dias, vai depender da agenda e da disponibilidade de rede.
Neste meio-tempo, fiquem de olho na República.
Obrigada pela compreensão.


Hora de manter manter a cabeça fria. A polícia sabe quem são os bandidos



Desde cedo, paus-mandados do PT se concentram em locais que são alvo da 24ª Operação da Lava Jato para promover desordem social. É uma ação que está sendo insuflada não apenas pelos próprios integrantes e perfis oficiais do partido da quadrilha nas redes sociais como, também, por setores da imprensa.
É hora da oposição manter a cabeça fria. Pode ir pra rua gritar, sim. Mas não entrem em conflito, não se igualem a eles. Ao menor sinal de violência, deixem a polícia agir. Hoje, mais do que nunca, a polícia sabe quem são os bandidos.

IstoÉ antecipa edição e revela a delação de Delcídio: Lula e Dilma no epicentro do terremoto



A Revista IstoÉ está chegando mais cedo às bancas para trazer trechos do depoimento de Delcídio do Amaral à Lava Jato. Segundo a revista, e delação é uma bomba: o senador entregou Lula e Dilma.
Há, porém, um detalhe: Delcídio apenas conversa. Não consta na matéria que tenha apresentado provas. Se ele as apresentou e a IstoÉ não teve acesso ou se a delação da vez é apenas de uma manobra para salvar a própria pele, os próximos dias dirão.
Leiam abaixo e notem: nada do que Delcídio disse pode ser considerado uma grande novidade para quem acompanha o petismo de perto. Praticamente tudo já havia circulado como hipótese ou notícia.


Pouco antes de deixar a prisão, no dia 19 de fevereiro, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. ISTOÉ teve acesso às revelações feitas pelo senador. Ocupam cerca de 400 páginas e formam o mais explosivo relato até agora revelado sobre o maior esquema de corrupção no Brasil – e outros escândalos que abalaram a República, como o mensalão.

Com extraordinária riqueza de detalhes, o senador descreveu a ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema do Petrolão e demonstrou que, do Palácio do Planalto, a presidente usou seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato.

O senador Delcídio também afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações - inclusive sendo o mandante do pagamento de dinheiro para tentar comprar o silêncio de testemunhas. O relato de Delcídio é devastador e complica de vez Dilma e Lula, pois trata-se de uma narrativa de quem não só testemunhou e esteve presente nas reuniões em que decisões nada republicanas foram tomadas, como participou ativamente de ilegalidades ali combinadas –a mando de Dilma e Lula, segundo ele.

Clique aqui para ler, na íntegra, a matéria a IstoÉ

Incapaz de atender à ORCRIM e parar a Lava Jato, Cardozo joga a toalha



Na última quarta-feira, delegados federais fizeram chegar ao ministro da Justiça um recado: na primeira ligação que fizesse para interferir na operação, Cardozo ouviria voz de prisão por tentativa de obstrução de investigação.

Ontem, enquanto corria a cerimônia do Oscar, Mônica Bergamo informou que Cardozo deverá deixar o cargo ainda essa semana .

Segundo edição de hoje do Estado de S. Paulo,  o ministro da Justiça teria decidido que vai deixar o cargo nesta semana. Motivo: o discurso de de Lula que, durante a festa de aniversário do PT, disse estar sendo perseguido pela Polícia Federal - e avisou que poderia ter seus sigilos quebrados ainda essa semana. Cardozo alega a interlocutores que o partido não entende o seu papel como ministro quando critica a Polícia Federal - uma corporação, segundo ele, autônoma.

Folha de S. Paulo informa, ainda, que Cardozo pode permanecer no governo - provavelmente na  Advocacia Geral da União.

A verdade é que a Polícia Federal fechou o cerco em torno da ORCRIM e está prestes a atingir o seu núcleo central. Tanto que na última semana mandou, como se lembra no primeiro parágrafo, recado claro para o ministro da Justiça. Incapaz de atender às demandas dos chefes e deter as investigações, o terceiro porquinho de Dilma jogou a toalha.

Eleição de líder do PMDB, hoje, sela destino de Dilma e Cunha?


Este é o fato que vai movimentar Brasília no dia de hoje. Dilma que quer ver o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) reconduzido à liderança do partido, derrotando Hugo Motta (PMDB-PB), candidato apoiado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A eleição mostra dois PMDBs.

Uma grande injustiça.


Injustiça é o oposto de Justiça.  Dilma, ontem, sutilmente atacou o Poder Judiciário. Mas não disse nada em defesa específica de Lula. Preferiu generalizar, dizendo que o mundo precisa de santinhos como Lula. E jogou a bola de volta: tenho certeza que este processo será superado, disse ela. Defesa? Defesa mesmo não fez.

37 caixas de bebida do Planalto para Atibaia.


Se precisava uma prova irrefutável de que Lula é dono do sítio é a mudança das bebidas que Lula não podia receber com presente (acima de R$ 100) para Atibaia, ao final do seu mandato. Foram 37 caixas, o que pode ultrapassar 500 garrafas, como informou e provou o JN de ontem. Chegado a um goró, Lula jamais guardaria sua adega na casa dos outros.

Psiu... Silêncio... Barbosa trabalhando...

Nesta sexta, o ministro da Fazenda terá despachos internos. Deve ser para trabalhar por aquele fabuloso plano de retomar o crescimento econômico sem fazer o ajuste fiscal. Anda sumido o Barbosa. Coisa boa é que não deve vir por aí. Já o outro ministro, Valdir Salomão, do Planejamento, Orçamento e Gestão, que deixou para o fim de março tem um "importante" compromisso no SESC, Serviço Social do Comércio. No Conselho Fiscal. Deve ser para ajustar o orçamento do órgão para 2016. E assim caminha o governo Dilma.

Dilema do PSDB: luta política ou crise econômica? Resposta: as duas.


Segundo o Estadão, a bancada do PSDB na Câmara reviu sua estratégia de atuação para este ano na Casa. Com discurso de que a crise econômica é grave e, por isso, não pode se transformar em luta política, deputados tucanos decidiram afastar a linha do “quanto pior, melhor” e apoiar o governo em algumas das chamadas reformas estruturantes na economia, como a da Previdência Social. Na foto, Antônio Imbassahy (BA), novo líder do PSDB na Câmara. Algumas dicas para fazer luta política sem deixar de combater a crise econômica:

1) jamais apoiar o governo. Deixar claro que a, no que for ruim, a responsabilidade é do PT. No que for bom, é o PSDB ouvindo a sociedade (entidades, população,etc.)

2) jamais propor perdas para o trabalhador. Deixar isto para o PT e o governo. Criticar o discurso antigo do PT que jamais aceitou mudanças e que agora as defende.

3) jamais deixar de registrar que as perdas do trabalhador são causados pela crise criada pelo próprio PT. Que é a gestão calamitosa do PT que está obrigando o país a tirar vantagens dos trabalhadores. O PT deixou o país num beco sem saída.

4) jamais fazer reuniões com petistas sobre as mudanças. O plenário é o lugar de discussão. À vista de todo o eleitorado.

5) jamais esquecer que o que importa é o eleitor de oposição. É para ele que o PSDB deve falar e não para a nação brasileira.

Leia matéria do Estadão. A linguagem precisa ser afinada. O PT é especialista em empurrar o problema para os outros e ficar apenas com os louros.

Apoio uma ova!


Novo líder do PSDB na Câmara começa com discurso errado. O deputado federal Miguel Haddad (PSDB-SP),  alckimista, afirmou que vai defender o apoio da oposição a algumas das reformas estruturantes propostas pelo governo, como a da Previdência Social, desde que o PT deixe claro que também apoiará as mudanças. Errado.O PSDB tem que esperar a proposta do PT, fechada, definida, consolidada e só aí iniciar a discussão. Ou vai ficar parecendo uma construção a quatro mãos, que é tudo que o PT quer. O PSDB não deve jamais falar em apoio ao PT ou ao governo. Deve, depois de receber o pacote pronto, realizar a crítica e indicar as mudanças necessárias. Só. E ir para o voto, contra ou a favor.

Mitou ou micou? Micou!


O Carnaval bate recordes de mortes por assassinato e acidentes de trânsito. Não houve um só movimento do Ministério da Justiça para esclarecer e educar a população para que tome cuidados mínimos quanto a este tipo de tragédia. Tampouco aumento de efetivos e fiscalização contra a venda de bebida para menores, que é proibido por lei. Ops! Não é verdade. Vejam o que o José Eduardo Cardozo mandou botar no twitter. Mas vale a pena ler alguns comentários também junto com a tag #MitouOuMicou.



PT na TV pedindo ajuda aos coxinhas.


Hoje o advogado de Lula Nilo Batista, um dos piores espécimes da profissão no Brasil, chamou quem questiona as propriedade de Lula de "coxinhas", incluindo aí a militância de outros partidos, a Justiça Federal e o Ministério Público. Você chamaria Sérgio Moro der coxinha? Ao mesmo tempo, bota no ar um comercial convocando para uma suposta união nacional. Eu não me misturo com corruptos e bandidos. Você se mistura? Assista ao vídeo:



Visitar 111 vezes um lugar e dizer que não é seu? Só se for a casa da mãe.


Fica o registro aqui das 111 visitas em 4 anos que Lula faz no "puxado" que tem em Atibaia, onde a OAS gastou mais de R$ 700 mil para reformar. O homem mais honesto do Brasil diz que não é dele, apesar de todos os testemunhos em contrário. Cuidado! Neste momento mais de 20.000 corruptos petistas e centenas de advogados desonestos estão buscando uma explicação convincente para provar que o sítio não era de Lula. Já saiu cada uma...


O filho mais idiota.


Em uma de suas postagens no Facebook, nessa quinta-feira, 28, Fábio Luis Lula da Silva, o filho mais velho do ex-presidente adicionou um link sobre o “mercado imobiliário suspeito brasileiro”. É um pôster ilustrado com seis casos de compras de supostamente suspeitas. Cita, pela ordem, com as respectivas compras, ou venda, a jornalista Patrícia Poeta, os senadores Aécio Neves e Álvaro Dias, o ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e por último, “Lula, 65 anos, metalúrgico e ex-presidente - Desistiu de um apartamento no Guarujá avaliado em R$ 1,5 milhão então, a pergunta: “Por que apenas Lula é alvo da imprensa e da Lava-Jato?”. Vejam abaixo:

É uma peça mentirosa, caluniosa, bem ao estilo do PT. É como diz o Estadão: "Todos os casos citados têm informações erradas ou imprecisas. E nenhum está sob investigação da Polícia Federal, a não ser o edifício Solaris, no Guarujá."

Peguemos o caso de Aécio Neves. O apartamento é da família há muitos anos e por isso tem o valor tão baixo. Se o filho mais idiota tivesse o mínimo de informação saberia que o valor de um imóvel só pode ser corrigido se sofrer reformas, sendo necessário apresentar as notas para a Receita Federal. É na hora da venda que é feita a correção e sobre a diferença entre o valor declarado e o valor da venda é cobrado 15% de Imposto de Renda. Por isso, não há como escapar do leão.

A não ser que vendedor seja da família Silva e monte falcatruas como a que está sendo descoberta no Guarujá.

2009: vale a pena ler de novo.


Em 2009, este Blog escrevia um post sobre a Bancoop, explicando o esquema montado pelo PT para financiar campanhas a partir do calote em trabalhadores que compravam apartamentos e não os recebiam. Foram mais de 3.000. Hoje a Operação Triplo X começa a estourar aquela caixa preta que sustentou o início da roubalheira que PT implantou no Brasil. Abaixo damos o link. Na  foto, a direção da Bancoop em sua fundação.


Mas em 2.008 este blog já tratava do tema: 

PT quer lavar as mãos na lama.


O presidente do PT, Rui Falcão avisa que, DE AGORA EM DIANTE, todo candidato petista será o tesoureiro da própria campanha, para evitar deslizes na arrecadação. Terá quer assinar uma cláusula de honestidade, um contrato de lisura, uma declaração de pureza de princípios. Aí entra a pergunta: mas o esquema do PT não era tão organizado e tão limpo? Vaccari não está sendo injustiçado? E o fundo partidário, como é que fica? E a responsabilidade legal da legenda? O Rui Falcão vai precisar de um detergente muito mais forte para limpar as mãos do PT do maior esquema de corrupção da história eleitoral do Brasil. Muito mais do que a assinatura do Chico da Farmácia, do Zeca da Funerária, da Maria Lambari e dos vereadorzinhos pelo interior do Brasil.

Que pena!


Belíssimo texto de Kim Kataguiri,  do Movimento Brasil Livre, no seu espaço semanal na Folha de São Paulo. Ponto por ponto, vírgula por vírgula, ele demole o artigo de "boas vindas" de Gilhertme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que antes mesmo da estreia de Kataguiri produziu um libelo ofensivo, mentiroso e desinformado sobre a direita brasileira. Um belo texto, no entanto, não significa uma bela coluna.

O que mais temia aconteceu. Em vez de dedicar no máximo três linhas a Boulos reforçando a sua insignificância, Kataguiri fez um artigo-resposta. Aceitou a agenda.  Aceitou a pauta. E todo mundo sabe o que isso significa isso em política. Em vez de dizer a que veio preocupou-se em cultivar um feio hábito de colunistas e blogueiros de São Paulo, especialmente, de bater boca entre si, como se o resto do Brasil, com raríssimas exceções, os conhecessem.  E como se fossem as raras mentes brilhantes deste país.

Podem pesquisar: mais de 95% não sabe quem é Boulos e quem é Kataguiri. Os movimentos que dirigem sim, estes são bem mais conhecidos e por isso devem ser o foco e não os egos de seus líderes. 

O que o MBL vai fazer amanhã ninguém sabe. E poderia fazer muito. Na certa vai fazer. Seria útil e inteligente que o Brasil soubesse. No entanto, o "movimento" perdeu tempo e espaço numa lutinha ideológica que agrada meia dúzia de puxa-sacos, mas como diz uma amiga minha, não enche urna, apenas gera aplausos no facebook. Desejamos que no segundo artigo, na próxima terça-feira, isto nos seja revelado. E que as brigas inúteis entre dois desconhecidos do eleitor brasileiro cessem por aí. Boulos vai querer continuar brigando com Kataguiri. Kataguiri deveria, nesta modesta opinião, brigar pelo Brasil.

Abaixo, a coluna de Boulos e a resposta de Kataguiri. 

O velho e o novo

Guilherme Boulos

Quando questionado por sustentar ideais de igualdade e justiça social aos 70 anos de idade, o saudoso Plínio de Arruda Sampaio (1930-2014) respondeu: "Ficar velho não é virar velhaco". Há pessoas que, mesmo velhas, permanecem jovens de espírito. Abertas para o novo. E há outros que, mesmo jovens, carregam os medos e preconceitos das velhas gerações. Jovens, mas com o espírito de velhos rançosos. É o caso de Kim Kataguiri, que lidera o MBL (Movimento Brasil Livre) e tornou-se agora colunista deste jornal.

Não é exatamente uma surpresa a Folha tê-lo contratado. A maior parte de seus colunistas é liberal em economia e politicamente conservadora, assim como sua linha editorial. Neste quesito, Kim estará à vontade.

Talvez a surpresa de muitos seja por conta de seu despreparo, mais do que por sua posição política. Difusor de piadas machistas, com discurso repleto de argumentos rasos e com uma prepotência própria de quem ainda não recebeu a notícia, Kim não está qualificado sequer como uma voz coerente da direita.

Mas o que de fato surpreende é ver Kim e seu MBL tratados por alguns como representantes do "novo", do autêntico espírito de revolta da juventude contra a velha política. Na verdade, eles são precisamente o contrário disso.

Há uma percepção cada vez mais ampla de que estamos vivenciando a crise de uma época. De que este sistema político é incapaz de representar as maiorias. De que este modelo econômico só atende aos interesses privilegiados do 1%. Daí uma série de movimentos que nasceram nos últimos anos com ojeriza à velha política e clamando por transformações profundas.

Como o movimento Ocuppy Wall Street, lançado em Nova York (EUA), que reuniu milhares de pessoas numa ocupação permanente em Manhattan, depois estendida com protestos em várias cidades norte-americanas, contra a ganância desmedida da elite financeira.

Como o 15M, quando o povo indignado espanhol tomou as ruas e praças contra as políticas liberais de austeridade, os despejos em massa por conta das hipotecas "subprime" (segunda linha) e a corrupção da "porta giratória". Dessa energia nasceu o Podemos.

Como também as grandes lutas dos estudantes chilenos por reformas do ensino, que levaram multidões de jovens às ruas contra o modelo liberal-privatista de educação, herança da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Esses ventos também chegaram por aqui: as ocupações de escolas em São Paulo, as lutas contra o aumento das tarifas de transporte e as batalhas cotidianas pelo direito à cidade, nos centros e periferias urbanos, espalhadas pelo Brasil.

Poderíamos falar dos jovens do Ocupe Estelita, em Recife, que se insurgiram contra a especulação imobiliária e a apropriação privada do espaço público. Da resistência negra, no Capão ou em Ferguson (Missouri, nos EUA), que expressa a revolta da juventude contra o extermínio policial. Ou ainda da bela luta das mulheres –as mesmas que Kim comparou a "miojo"– contra os projetos retrógrados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Aí está o novo. Por esses ares passa o legítimo sentimento de repulsa à velha política, aos seus representantes e privilégios. Defender os mecanismos sociais que produzem desigualdades, a ideologia meritocrática e a repressão a quem luta é o que há de mais velho. É o programa da ordem, sempre a postos para prestar seus serviços à Casa Grande.
Kim é isso: um garoto da ordem. Ergueu-se no rescaldo da crise do petismo, expressando de forma confusa os anseios de uma classe média sem projeto nem visão de país, que –sentindo-se insegura– busca apoio nas bengalas do conservadorismo. As crises fazem surgir o novo, mas também dão roupa nova ao velho. 
Que coisa feia, Boulos! 

Kim Kataguiri

Guilherme Boulos, o burguês revolucionário, decidiu dedicar sua coluna do dia 21, nesta Folha, a mim. Senti-me honrado. Afinal, para lembrar Nelson Rodrigues, de certos tipos, só quero vaias. E o artigo foi uma bela tentativa de vaia.
O coxinha vermelho disse que "não é exatamente uma surpresa" a Folha ter me contratado, pois "a maior parte de seus colunistas é liberal em economia e politicamente conservadora, assim como sua linha editorial".
Como a gente nota, o propósito de divertir o leitor não se resume a humoristas como Gregório Duvivier, Marcelo Freixo e Vladimir Safatle. Boulos também está no time, com a pequena diferença de que o movimento que ele lidera pratica crimes, que é coisa um pouco diferente de apenas justificá-los.
Depois da graciosa piada, Boulos afirma que "talvez a surpresa de muitos fique por conta [sic]" do meu "despreparo". É claro que o líder do MTST tem o direito de escrever asneira. Mas deve fazê-lo em bom português. Eu posso dizer que a prática de ações de caráter terrorista em São Paulo fica "por conta" de Boulos. Acerto no fato e na gramática. Ao escrever sobre mim, nosso amiguinho empregou "por conta" em lugar de "por causa". Errou na gramática e no fato. Despreparo.
Boulos se diz surpreso porque eu e o MBL somos "tratados por alguns como representantes do 'novo'". Pergunto: o que há de novo em invadir a propriedade alheia? O que há de novo em pagar militantes para que defendam uma causa na qual não acreditam? Parece-me que a única novidade é que a rebeldia revolucionária hoje é apadrinhada pelo próprio governo.
O líder do MTST fala de um tal modelo econômico que "só atende aos interesses privilegiados do 1%". É famoso o "estudo" que sustenta que 1% da população mundial é mais rica do que os outros 99%. Mas nosso querido poodle do adesismo esqueceu de dizer que, segundo a metodologia dessa pesquisa, um mendigo sem dívidas é mais rico do que 2 bilhões de pessoas somadas. Isso porque a riqueza é calculada subtraindo-se as dívidas do patrimônio. Como 2 bilhões de pessoas têm dívida, sua riqueza é negativa. Não é estudo. É lixo.
Seguindo essa lógica, todos nós já fomos mais ricos do que o Eike Batista quando quebrou. Tomando cotovelada nos ônibus lotados, estávamos mais ricos do que o Eike comendo lagosta numa lancha.
Na sua compulsão invencível por passar vergonha, Boulos escreveu que o "Podemos", partido de esquerda, surgiu da energia do povo espanhol que "tomou as ruas e praças contra as políticas liberais de austeridade (...)".
Desculpo-me por acabar com seu mundo de unicórnios voadores, mas a energia que criou o Podemos é a mesma que o sustenta, caro Boulos: o dinheiro. Desde 2002, a Venezuela pagou mais de 3 milhões de euros para uma fundação que tinha entre seus gestores diversos líderes do partido. Você certamente sabe como isso funciona porque, afinal, comanda o MTST, também ele cheio de "energia".
Outro trecho de sua coluna me chamou a atenção. Escreveu ele, tentando atacar o Movimento Brasil Livre: "Defender os mecanismos sociais que produzem desigualdades, a ideologia meritocrática e a repressão a quem luta é o que há de mais velho".
Durante mais de um mês, coordenadores e apoiadores do MBL acamparam em frente ao Congresso Nacional para pressioná-lo a levar à frente a denúncia contra a presidente Dilma Rousseff, que pode resultar no seu impeachment.
No dia 27 de outubro, uma terça-feira, quando protestávamos nas galerias da Câmara, o deputado Sibá Machado (AC), líder do PT, nos chamou de "vagabundos", disse que iria "para o pau" com a gente. Na quarta, militantes do MTST, que Boulos comanda com mão de ferro e cabeça de jerico, nos atacaram a pauladas, pedradas, socos e chutes. Vários de nós ficaram feridos. Apesar disso, não reagimos, demos as mãos e ficamos de costas para os criminosos.
De fato, "a repressão a quem luta é o que há de mais velho" na história. Especialmente, Boulos, quando os bárbaros que atacam estão falando em nome das ideias que eram vanguarda no fim do século 19.
Boulos finaliza citando uma tal "classe média sem projeto nem visão de país". Acho que se referia a si mesmo. Já vi o MTST espancando pessoas inocentes, invadindo prédios e queimando pneus. Lembro-me de um debate do grupo, que eu mesmo presenciei, que é um emblema do "projeto de Boulos": a grande questão era que deputado iria pagar a marmita dos militantes a soldo.
Não vou convidar Boulos a deixar de ser autoritário e rançoso porque, aos 19 anos, já aprendi o que ele ignora aos 34: as coisas têm a sua natureza. E é da natureza de uma milícia como o MTST e de seu miliciano-chefe linchar fatos e pessoas.
Como eu não quero calar Boulos, não sou obrigado a engoli-lo. Como ele certamente gostaria de me calar, vai ter de me engolir.
PS - Boulos, se você não entendeu aquele negócio do 1% e da dívida, peça o meu telefone aí na Folha e me ligue. Explico. Nunca é cedo para ensinar alguma coisa nem tarde para aprender.
PS2 - A ombudsman da Folha, Vera Guimarães, escreveu no domingo uma ótima coluna sobre as reações à contratação deste colunista, inclusive a de Boulos. Concordo com quase tudo. Ela me censura por eu não ter me redimido de uma piada postada há dois anos, que teria caráter machista. Repito o que disse em entrevista à TV Folha, Vera: "Piada não é uma forma de pensamento, não é uma ideologia". Salvo engano, não conheço nenhuma piada cem por cento justa. Aliás, deixemos as injustiças para o mundo do humor. Sejamos nós os justos.

PT pode criticar a Economia, mas PMDB não pode mostrar os problemas da Saúde.É o governo da Dona Doida.


O governo avalia que o ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB), está desgastado e vem perdendo as condições políticas de permanecer no cargo em razão de suas declarações polêmicas e da ineficiência ao tratar do avanço da dengue e do zika. Nesta segunda-feira, 25, em uma visita à Sala de Situação do Distrito Federal para Controle da Dengue, em Brasília, o ministro voltou a dizer que o País está perdendo “feio” a guerra contra o Aedes aegypti. 

A expressão, a mesma adotada na sexta-feira, 22, durante evento da Fundação Oswaldo Cruz, em Teresina, foi considerada infeliz pelo Planalto, sobretudo num momento em que integrantes do governo tentam traçar estratégia para mobilizar a população no combate ao mosquito. “Nós estamos há três décadas com o mosquito aqui no Brasil e estamos perdendo a batalha feio para o mosquito”, disse.

No governo, há quem avalie que Castro corre sério risco de “morrer pela boca”. 

Por outro lado,  integrantes da Executiva Nacional do PT vão retomar nesta terça-feira, 26, as cobrança ao governo Dilma Rousseff por medidas para o reaquecimento da economia do País. Na véspera do encontro, representantes da maior corrente do partido, Construindo um Novo Brasil (CNB), afinaram o tom que deverão apresentar na reunião da cúpula.

“O partido deve reforçar as críticas de que o governo precisa retomar o processo de crescimento com algumas medidas como acelerar o processo de concessões e principalmente no que tange o programa Minha Casa Minha Vida, que pode gerar emprego e atende aos movimentos sociais que demandam por moradias populares”, afirmou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que participou do encontro da CNB.

“O governo Dilma deve ter um protagonismo a partir do equacionamento das questões econômicas”, ressaltou o ex-ministro Edson Santos (PT-RJ). A única coisa que fizeram até agora foi demitir o Levy e acabar com a independência do Banco Central.

E assim vai o governo da Dona Doida.  Basta o PMDB recuar para ser o responsável pelas mazelas da nação. E o PMDB recua em nome do fisiologismo e dos interesses pessoais de meia dúzia de bandidos. (Informações do Estadão)

Pare com as meias verdades, Dilma.


Toda vez que pode e mesmo quando não pode, Dilma repete a mesma cantilena de que nunca roubou, por isso não pode ser misturada com os corruptos da Lava Jato. Que estão querendo tirá-la porque não gostam dela, usando a sua baixa popularidade como um motivo de perseguição política. Que não possui dinheiro no exterior, para com isso atacar e se diferenciar de Eduardo Cunha. Somando-se estes três "equívocos", que na verdade formam a opinião de mais de 80% dos brasileiros, Dilma defende-se do pedido de impeachment.

O pior no entanto, é o que ela diz coisas como estas, em reunião que fez com o PDT, na última sexta.

 — No caso do presidencialismo é necessário que tenha culpa formada. Não se pode tergiversar sobre isso, porque é político, porque eu não gosto do governo, e isso é o que temos assistido aqui. Não tenho, na minha vida, ao longo do tempo no PDT ou no PT, nenhuma acusação de uso indevido de dinheiro público. Não tenho dinheiro no exterior, tenho uma vida absolutamente ilibada e honro meus companheiros, porque sei que meus companheiros sempre combateram mau uso do dinheiro público, da corrupção, e fomos sempre nós que defendemos a democracia.

Ela tem, sim, a condenação do TCU nas pedaladas com dinheiro público. Mau uso de dinheiro público! No entanto, mentiu com a maior naturalidade. O mais absurdo e assustador é que Dilma estava ladeada por Carlos Lupi, ex-ministro demitido por corrupção, que é presidente do PDT. Como pode dizer que os seus companheiros sempre combateram o mau uso de dinheiro público,  com dezenas deles na cadeia, cumprindo pena de centenas de anos. Não é à toa que a popularidade da presidente não passa de 10%, número menor que a propina que a turma do PDT costuma meter no bolso na gestão do dinheiro público.