(Estado) O Ministério Público Federal apontou inconsistências nas informações
de dois contratos entregues à Operação Lava Jato pelo ex-ministro José
Dirceu para justificar os valores recebidos por consultorias prestadas à
empreiteiras do cartel acusado de corrupção e fraudes na Petrobrás, via
JD Assessoria e Consultoria.
Quebra de sigilo bancário da JD apontou pagamentos em valores
superiores e em prazos divergentes dos registrados nos contratos com a
Galvão Engenharia e com a Engevix Engenharia – ambas com executivos réus
em processos de corrupção e lavagem de dinheiro na Justiça Federal. “Pela análise dos documentos juntados, de plano é possível verificar
supostas inconsistências entre as condições contratuais de prazo,
pagamento e dados bancários reunidos”, afirmam os procuradores Orlando
Martello e Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa da Lava Jato.
Uma das inconsistências foi encontrada no contrato com a Galvão
Engenharia. A empreiteira é uma das 16 acusadas de cartel na Petrobrás,
que teve um de seus proprietários, Dário de Queiroz Galvão Filho, preso
pela Lava Jato no dia 27 de março. Ele foi apontado pelo juiz Sérgio
Moro como “efetivo mandante” do pagamento de propinas no esquema.
“A defesa (de Dirceu) apresentou um contrato de prestação de serviços
de ‘consultoria e assessoramento comercial’ celebrado com a empreiteira
Galvão Engenhariaem 25 de junho de 2009, o qual estabelecia em favor da
JD Assessoria pagamentos mensais de R$ 25 mil durante 12 meses, o que
totalizaria R$ 300 mil”, explica o MPF em manifestação do dia 31 de
março sobre os documentos apresentados à Justiça Federal.
Com o sigilo fiscal e bancário quebrados desde janeiro, Dirceu é
investigado por suspeita de ter prestado falsas consultorias como forma
de ocultar propina – no mesmo modus operandi adotado por outros
operadores alvos da Lava Jato. Sua empresa JD recebeu R$ 29 milhões
entre 2006 e 2013 por serviços de consultoria, principalmente em outros
países.
As quebras de sigilo bancário da empresa mostraram que os pagamentos
eram superiores aos que constavam nos contratos e foram pagos em datas
anteriores e posteriores ao que estava registrado nos documentos. “Pela
análise dos dados bancários cujo sigilo foi afastado, no entanto, restou
identificado o pagamento de R$ 703,8 mil da Galvão em favor da JD,
divididos em 28 parcelas de R$ 23,4 mil (já deduzido o imposto incidente
sobre as operações), as quais foram pagas até 9 de janeiro de 2012.”
“Diante da notória influência de José Dirceu de Oliveira e Silva no
Partido dos Trabalhadores e da prévia verificação de que as empreiteiras
teriam se valido de consultorias fictícias para pagamento de propinas,
razoáveis as razões para a decretação da quebra de sigilo bancário e
fiscal diante dos lançamentos de pagamentos identificados”, registrou o
juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, em
despacho desta segunda-feira, 6, ao justificar as medidas de quebra de
sigilo da investigação ao Tribunal Regional Federal (TRF).
“Imprescindível para a investigação a quebra de sigilo fiscal e
bancário, não havendo outro meio menos gravoso para esclarecer os fatos.
Em investigações por corrupção e lavagem de dinheiro, imprescindível
rastreamento do fluxo financeiro e patrimonial.”
Engevix. A divergência de dados nos contratos
entregues pela defesa de Dirceu havia sido apontada no dia 18 de março
por um dos sócios da Engevix, Sérgio de Mello Almada, ao ser ouvido como
réu em processo criminal na Justiça Federal. Ele é acusado por
corrupção e lavagem de dinheiro e está preso desde 14 de novembro de
2014.
Ouvido pelo juiz federal Moro, Almada indicou haver erros entre a
data de execução e de vigência no contrato em que assinou com a empresa
de Dirceu. Segundo ele, os serviços prestados foram de “lobby
internacional” no Peru e em Cuba. O contrato da JD com a empreiteira
Engevix está datado de 2 de novembro de 2010, com prazo de seis meses de
execução. No entanto, a previsão de início é de 2 de novembro de 2009 e
do término de 1 de maio de 2011.
“A previsão de início não é consistente com a data de assinatura do
contrato e o período de execução nele previsto, de seis meses, não é
consistente com os termos previstos para o início e o final. Por outro
lado, há prova de pagamentos da em Engevix para a JD já em 2008, muito
embora o contrato apresentado pela JD para justificar os pagamentos seja
de 2010”, afirmou Moro.
“Há várias inconsistências que necessitam ser esclarecidas com o
aprofundamento das investigações, sendo imprescindíveis as quebras de
sigilo fiscal e bancário”, confirmou Moro, em sua resposta ao TRF, em
pedido impetrado pelo ex-ministro contra as quebras de sigilo.
4 comentários
ReplyVai ser liiiinnnnddo quando for quebrado o sigilo do Lula!! Affiii!
Vai ser um 'pega pra capá', não ficará pedra sobre pedra! O que esse malandro deve ter levado de propina, "nem às paredes confessa".
Um joão ninguém, que não tinha onde cair morto em 2003, morava em casa emprestada do compadre Teixeira e hoje está no topo da pirâmide de milionários brasileiros.
Força Dr. Sérgio MORO, aguardamos com muita ansiedade esse capítulo da novela.
Paciência brasileiros, novela é assim mesmo, os capítulos se arrastam, mas quando ela é boa de tramas e roubos, o final é cinematográfico, vale a pena.
O FINAL INFELIZ do safado 9 dedos vai ser estupendo de bom.
Esse puto é para estar na cadeia. Ora porra. Que país de merda que vive perdendo tempo e dinheiro com bandido..
ReplyUm agente do governo faz contrato de "consultorias" com empresas que tem contrato... vejam só... com o governo.
ReplyTá bom! Vamos chamar isso de consultoria!
O bom mesmo é pensar e rir da cara dos militontos que pagaram a fiança desse sujeito!
Coronel,
Replyé maravilhoso saber que esse canalha petralha cairá nas mãos do Exmo Sr Juiz Sérgio Moro!!!
VIVA O JUIZ SÉRGIO MORO!!
Quero ver Zé Dirceu no complexo penal de Piraquara juntinho com os loucos da pá virada. O banheiro é um buraco no chão!!
Flor Lilás