Bolívia: BNDES rasga regulamento para financiar a Rodovia da Morte.

Para cumprir com sua própria política interna, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não poderia emprestar dinheiro para a construção da rodovia Santo Ignácio de Moxos-Villa Tunari, na Bolívia, sem a garantia de que a obra não tem problemas ambientais. Embora não tenha feito desembolso até agora, o banco estatal brasileiro assinou contrato para emprestar US$ 332 milhões (cerca de R$ 609 milhões pelo câmbio comercial de ontem) para a obra que está sendo executada pela construtora OAS.

O traçado da rodovia boliviana corta o território indígena do Parque Nacional Isiboro Sécure, conhecido como Tipnis. A rejeição dos habitantes do parque à passagem da rodovia acabou resultando em violento confronto com forças policiais bolivianas. O BNDES não quis informar se fez ou não as exigências que suas políticas recomendam antes de aprovar o empréstimo, alegando tratar-se de um assunto interno de outro país. A política socioambiental do BNDES, uma das chamadas "políticas transversais" do banco, está assim definida no site da instituição: "Promover o desenvolvimento sustentável de forma pró-ativa em todos os empreendimentos apoiados, considerando a concepção integrada das dimensões econômica, social, ambiental e regional". 

A seção sobre ambiente, em outra área do site, diz que "o BNDES considera a preservação, conservação e recuperação do meio ambiente condições essenciais para a humanidade". Com essa premissa, o banco diz que "busca sempre o aperfeiçoamento dos critérios de análise ambiental dos projetos que solicitam crédito e oferece suporte financeiro a empreendimentos que tragam benefício para o desenvolvimento sustentável".Fontes do BNDES ouvidas pelo Valor garantem que foram feitas exigências ambientais e que a demora para a liberação das primeiras parcelas do financiamento estaria relacionada, entre outras coisas, com essas exigências. A obra está sendo executada pela OAS desde o começo de junho.

Outra fonte do banco disse que, ao menos no passado, esse tipo de exigência não costumava ser feito. O empréstimo para a rodovia destina-se à compra de equipamentos e serviços brasileiros, sendo o tomador final o governo boliviano. Em 2009 o BNDES sofreu duras críticas em razão de problemas ambientais. Acusado de emprestar dinheiro a frigoríficos que abatiam gado criado em áreas de desmatamento ilegal da Amazônia, o banco apressou-se em editar normas que exigiam licenciamento ambiental dos fornecedores para que frigoríficos tivessem crédito. (Do Valor Econômico)

5 comentários

Cel.

Pode ser que eu esteja errada, mas não acho que o BNDES deveria financiar obras fora do Brasil, quando o nosso país tem tantas carências. As tais construtoras, teriam bastante trabalho aqui mesmo, como por exemplo refazer e/ou melhorar as nossas rodovias, principalmente as federais, que estão um lixo!

Esta tal estrada boliviana, chamada de Transcoca, além do mais, facilitará o acesso de 80% da droga que já é consumida por aqui.


Chris/SP

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Eu estou com a Crhis.

O bndes, não tem que ficar emprestando dinheiro para nenhum pais.Muito menos para um pais, que normaliza carros roubados dos brasileiros, e lucra em cima disso.

Ou o Brasil tem complexo de VIRA LATA, ou está ganhando muito em cima disso.


Izabel/SP

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Coronel,

Concordo com a Cris 19:59.

Além do mais, a política pode ser de outro país, mas a grana é brasileira e deve, primeiramente, atender as nossas leis.

JulioK

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Mensageiro do Apocalipse mod

Concordo inteiramente com todos os comentaristas.

O Dinheiro é dos Brasileiros, para financiamentos de obras dentro do Brasil, a fim de melhorar as sofridas condições de vida de BRASILEIROS.

Dinheiro do BNDES não é para financiar "TRANSCOLALERA".

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A explicação do que seria "política transversal" do banco, é tão inintilegível quanto "política transversal". Ou seja, tudo politicamente correto, para não dizer nada com nada.
Mas, o governo da Bolívia parece, ao menos, teria cancelado a obra. Assim o banco não precisaria mais praticar "...a concepção integrada das dimensões econômica, social, ambiental e regional", seja lá o que quer que seja isso.

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