"Dom Emílio".

Coluna de Emílio Odebrecht, da Odebrecht, Braskem e outros envolvidos nos escândalos milionários da Petrobras, hoje, na Folha de São Paulo:

"Estamos vivendo, no Brasil, uma sensação meio generalizada de que, no campo da economia, o pior já passou. Sou dos que concordam, mas tem me chamado a atenção o comportamento de líderes políticos e empresariais que parecem ter optado por se concentrar na solução das questões imediatas, com foco no curto prazo. É óbvio que temos que mobilizar nossas energias para ações que impactem o curto e o médio prazos na perspectiva da sobrevivência e do crescimento -mas com visão de longo prazo, o que significa pensar também na perpetuidade das instituições e dos negócios. Portanto, o que precisamos agora é de uma agenda estratégica que, sendo expressão da vontade da maioria, nos permita sair muito mais fortalecidos das dificuldades que tivemos que enfrentar. Listo abaixo as prioridades que, em minha opinião, devem compor essa agenda, conforme venho defendendo em diversos fóruns: - Melhoria da educação em todos os níveis, com ênfase para o ensino profissionalizante. - Investimentos no desenvolvimento de tecnologia. - Investimentos em infraestrutura. - Reforma política abrangente, que nos livre do egoísmo partidário; da visão de eleição que ainda prevalece sobre a visão de geração; e da hierarquia dos interesses pessoais sobre os da coletividade -porque é pré-requisito para o sucesso das demais reformas que o país exige. - Geração de postos de trabalho pela concretização do programa habitacional para a população de baixa renda; por novos investimentos em infraestrutura e apoio à agricultura, porque são medidas para o curto prazo, de eficácia inquestionável. - Mobilização nacional visando qualificar os três Poderes da República -para que possam melhor servir à sociedade. Observem que não consta dessa agenda nem das reflexões que a embasam a preocupação com o quanto vamos crescer. Neste momento, essa discussão não me parece relevante. Aliás, nunca tomei decisão na minha vida de empresário pautado pela taxa de crescimento, que é apenas uma das variáveis num processo de planejamento, e não é a mais importante. A hora é de agirmos, num esforço coletivo, com determinação e responsabilidades compartilhadas, porque só assim vamos reduzir o desemprego e alcançar o crescimento capaz de proporcionar distribuição de riqueza. O país soube construir as bases para enfrentar a crise com segurança e equilíbrio. Agora temos a oportunidade de formular uma agenda estratégica que, no pós-crise, nos leve a novo patamar na esfera mundial. Não a desperdicemos."
......................................................................................................
O que assusta são as entrelinhas. Quando um dos empresários que mais "fatura" com o governo começa a falar em coisas como "mobilização nacional para qualificar os três poderes da República", "agenda estratégica" (que nada mais é do que o PAC 2011-2014 que o Lula quer lançar), "reforma política" (ao mesmo tempo em que é um dos maiores doadores), relativizando a crise em nome do "longo prazo", o que temos aí é um sinal bem claro do que pode ser um golpe em andamento. Quem é "Dom Emílio", como o trata amistosamente Hugo Chávez, para dizer que é preciso "qualificar" os três poderes? Quem são os desqualificados a quem, indiretamente, está se referindo? É o juiz do TCU que está julgando um caso de corrupção que envolve a sua empresa? Ou é o juiz que está julgando os danos ambientais causados pela sua organização? Estaria "Dom Emílio" iniciando uma campanha pelo terceiro mandato de Lula, junto aos empresários? E a Folha de São Paulo, por que abre espaço para uma coluna dominical para este senhor que representa uma empresa que não sai das manchetes toda vez que se fala em corrupção em obras do governo? Está fazendo parte do "grupo"?

5 comentários

Coronel

Esse cabra sabe de alguma coisa. Ele certamente è uma das correias de transmissão de lula. Está passando mensagem quer direta, quer sublimar.

E agora as nossas exportações e como elas afetam tanto a nossa economia, como os exportadores, terminando no PIB. Preocupante demais, tanto que ainda por cima, os exportadores sobrem com a super valorização do real.

Agência Estado

"[ 31 de maio de 2009 - 07h28 ]

Exportadores levam calotes no exterior

São Paulo - Se já não bastassem a queda da demanda internacional e a valorização do real ante o dólar nas últimas semanas, o exportador brasileiro tem sido obrigado a lidar com um inimigo inesperado: o calote. Abatidas pela crise global, muitas empresas não estão honrando seus compromissos mundo afora, o que tem atingido em cheio companhias brasileiras dos mais variados setores.

Mas alguns dados mostram que a situação é preocupante e, segundo o Estado apurou, já chamou a atenção do governo. A Coface, maior seguradora de crédito à exportação do Brasil, acusou no primeiro trimestre uma explosão dos sinistros nessas operações. Segundo o presidente da empresa, Fernando Blanco, a relação entre prêmios e sinistros, que normalmente oscila de 35% a 40%, saltou para 417% no balanço dos três primeiros meses do ano.

Segundo ele, a inadimplência atinge corporações de países emergentes e desenvolvidos, como Itália, Inglaterra, Venezuela, Chile, Dinamarca, Holanda, Suécia e Indonésia. "Até em Dubai (nos Emirados Árabes Unidos) tivemos casos.

A Coface só trabalha com exportação de manufaturados, que, nas contas do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, respondem por 46% do total da pauta brasileira (US$ 198 bilhões no ano passado)."

(...)

http://www.ae.com.br/institucional/ultimas/2009/
mai/31/33.htm

Reply

Chavito segue escola antiga:faz parte do folclore político latino-americano a frase do estadista Sroessner, quando Itaipu estava no seu início: "Onde está Don Sebastian?", ordenando q a Camargo Correa fosse incluída no negócio.
Abços.
Marco Loss

Reply

Coronel

A dilma/PTobras está profundamente aparelhada de antigos sindicalistas, que estão bem resguardados nas suas funções altruistas.

"PT controla repasses da Petrobrás para ONGs

Às vésperas da instalação da CPI da Petrobrás, o governo tem como uma das principais preocupações a blindagem da área responsável pela distribuição de recursos a ONGs, programas sociais e ambientais e propaganda institucional. Comandada por ex-dirigentes sindicais que passaram a ocupar cargos gerenciais a partir do início do governo do PT, a área de Comunicação Institucional da Petrobrás movimenta em torno de R$ 1 bilhão por ano em projetos que, em sua maioria, dispensam processos de licitação.

(...)

Entre eles estão:

- Rosemberg Evangelista Pinto;
- José Samuel Magalhães;
- José Aparecido Barbosa;
- Marcelo Benites Ranuzia;
- Santarosa foi indicado por Gushiken;

(...)

Questionada pelo Estado, a Petrobrás informou apenas que "não há restrição na companhia para que os empregados exerçam funções diferentes de sua formação original". "Entre os gerentes de comunicação temos profissionais de nível médio, técnico e superior em áreas diversas (engenheiros, administradores etc.)", completou a companhia, por meio de nota.

Segundo o organograma da Petrobrás, a área de Comunicação Institucional está diretamente ligada ao presidente José Sérgio Gabrielli."

http://brasilacimadetudo.lpchat.com/index.php?option=com_content&task=view&id=6809&Itemid=141

Reply

Coronel,

Lembro que a Folha de São Paulo começou a publicar a coluna de 'Dom' Emílio, logo após o entrevero da Odebrecht com o presidente Equador veio a público (suspensão dos direitos constitucionais de diretores da construtora, envio de tropas militares para confiscar o terreno da empresa no Equador, sua expulsão do país e ameaça de não pagar o empréstimo operado pelo BNDES feita pelo presidente Rafael Correa).

Que coincidência, não?

Ass. Soldado

Reply

Folha de São Paulo?

Não conheço...

Só conheço a Folha do Foro de São Paulo!

Reply