Abre a porta e a janela.

Na Folha de São Paulo, artigo do vice-presidente Michel Temer, como presidente do PMDB, pregando a expulsão dos "independentes" do seu partido. E, nas entrelinhas, sugerindo que se abra uma "janela" para todos fazerem o que bem entenderem. Ou seja: quer trocar o Jarbas Vasconcelos pelo Gilberto Kassab.E fazer o que o PMDB sempre soube: aproveitar os momentos de poder para engordar as fileiras fisiológicas do partido.

Partido é parte. É parcela. Político vem do grego "polis". Partido político significa, etimologicamente, parcela de opinião pública que pensa da mesma maneira e quer chegar ao poder para aplicar seu programa na administração da "polis", ou seja, da União, dos Estados e dos municípios. Essa deve ser, também, a orientação política de qualquer partido nacional. É isso que lhe dá seguidores. Serão os partidos políticos, no nosso país, guiados por essas concepções? Falarei apenas do PMDB. Formou-se, o MDB, na ditadura.Representava um conceito: oposição ao "status quo" governamental. Pregava a mais legítima democracia. Em consequência, as mais amplas liberdades: de convicção, de expressão, de reunião, de manifestação, de imprensa, religiosa e política. E, também, a independência e a harmonia entre os Poderes.
A ele se opunha, com posições, a Arena, que sustentava o Estado centralizador. Portanto, um Estado limitador de liberdades.

Quem optava pelo MDB sabia a ideologia que amparava sua opção; de igual maneira os partidários da Arena. Eram parcelas definidas da opinião pública. Curiosamente, o período ditatorial ensejou tais definições programáticas, propiciando o aparecimento de partidos políticos na sua acepção real, verdadeira. Não eram siglas, mas partidos. Quando se desenvolveu a pluralidade partidária, fragmentaram-se o MDB, já PMDB, e a Arena. Surgiram outras agremiações, extinguindo-se a Arena. O PMDB continuou. E deu-se um fato revelador da força dos partidos. Formaram-se e fortaleceram-se lideranças regionais. Em razão disso, o PMDB, embora legalmente na esfera nacional, adquiriu extraordinária vocação regional.
A pretexto da democracia interna, o partido sempre foi -permita-me o termo- leniente com lideranças que dissentiam da decisão nacional. Toma-se uma resolução em convenção nacional em que todos comparecem, a maioria opta por uma conduta e a minoria inconformada toma outro rumo. Ou seja: verifica-se a negação da democracia, em que as pessoas disputam posições. Mas, vencidas, hão de seguir a maioria.O PMDB jamais tomou decisão de cúpula. Todas nasceram de convenção nacional com a representação dos Estados. E somente se imporá nacionalmente e na opinião pública se tiver unidade de ação, o que exige fidelidade, tal como a definiu o STF.  

Não faz sentido legal, ético e moral que o mandato obtido seja do partido e que este veja determinação nacional descumprida. O que se viu como descumprimento da orientação nacional foi lamentável. Pode-se argumentar ser compreensível à vista de rivalidades locais. Mas a disputa local não autorizava a insurgência contra a decisão nacional. Especialmente no segundo turno, quando governadores, senadores e deputados estavam eleitos. Por isso, de duas, uma: se permitem partidos ou regionais, mediante modificação constitucional, ou nacionais, como são, e aí as decisões serão imperativas. O desatendimento a tal orientação deverá ensejar a expulsão do recalcitrante.

Prego, portanto, a necessidade de, em convenção nacional, estabelecermos regras rigorosas. A partir de agora. Nada do passado. Para sermos fortes politicamente e críveis no presente e no futuro. Quem não se conformar com as decisões tomadas em convenção poderá se desligar do partido, sem que este exija o mandato. É melhor sermos menores numericamente, mas unidos na ação política, do que maiores sem unidade de comportamento. A isso tudo deve-se ligar forte base programática, que já expusemos na aliança que fizemos para a eleição presidencial.Só assim ganharemos densidade política e respeito popular.

8 comentários

Enquanto isto na Banânia...

Lula agora inaugura até solda de tubulação. (O EST SP pag. A7)

É fim de mandato mesmo.

Reply

Tudo isso seria uma beleza se no meio não estivesse um partido revolucionário, chamado PT. Nele não são políticos com afinidades, mas dirigentes que impõem seus métodos e ideias a quem quiser uma carteirinha do tal partido.

Reply
WWW.MEUARARIPE.BLOGSPOT.COM mod

Sai logo, Jarbas!
Afasta-te desse ninho de serpentes, desse serpentário.
Junta-se a Serra e cria logo um partido limpinho, para que a gente possa se filiar com gosto. E trabalhar com prazer.

Nem Jarbas no PMDB nem Serra no PSDB prosperarão. Nem o Brasil mudará nunca.
É preciso criar um partido novo, com gente velha e gente nova, mas todas já devidamente peneiradas pelo tempo e pelas atitudes.
Não aguento mais ser traído pelas lideranças.
Não aguento mais ser do mesmo partido de covardes e bandidos.
Estou fazendo a última tentativa. Se não der certo agora, vou abandonar esse troço e cuidar da minha vida.
Vou desistir de querer mudar. Vou apenas ganhar dinheiro e dar banana para quem merece banana.
E, SE ME OBRIGAREM A PAGAR QUALQUER BOLSA MISERÁVEL, DAREI UMA COM UMA MÃO E TIRAREI DEZ COM A OUTRA.
CANSEI DE SER OTÁRIO.

Reply

"Só assim ganharemos densidade política e respeito popular".
Quanto à primeira afirmativa: mais do mesmo. Já a segunda: Ha ha ha ha ha. Com Sarney, Renan, Jucá e demais capivaras gordas, respeito só em presídios.
Artur VHH

Reply

Kassab deveria permanecer no DEM. Um partido que pode estabelecer uma identidade programática com boa parte do eleitorado oposiocionista. Se sair, passará a ser apenas mais um, com um ideário difuso e incongruente.

Reply

Kassab recebeu meu voto para Prefeito, bem como os votos de meus familiares. Se ele continuar no DEM continuarei acreditando nele, sou PSDB. Se ele for para qualquer partido da base do atual governo, perderá minha confiança e meu voto. Agora trocar ele pelo Jarbas Vasconcelos nos vai deixar com um saldo devedor. Jarbas Vasconcelos é um Grande Brasileiro Honesto.

Reply

Me parece que as últimas eleições mostraram partidos políticos, que pareciam nacionais, regionalizados. Alguns, em alguns lugares, praticamente sumiram. Por outro lado, penso, que a democracia só sobreviverá se houver oposição forte e responsável. Não se pode cogitar em situação, sem oposição. Contudo, parece, a oposição responsável está dispersa por vários partidos, inclusive alguns da base do governo.

Reply

A cada dia que passa gosto mais da idéia de um novo partido político.

Michael Temer tem "coluna" em jornal??? É muita cara de pau viu! Enquanto as pessoas de bem ficam aprisionadas dentro de suas casas, os bandidos decidiram desfilar mesmo.

Reply