Há várias formas de interpretar a frase de Aécio Neves(PSDB-MG), dita ontem, em Minas Gerais. Ironizou o jovem e ambicioso governador: "Eu sou mestiço, como é que eu vou participar de uma chapa puro-sangue?" O mestiço é o resultado do cruzamento de várias raças, é o próprio brasileiro, a nossa síntese tão cantada e decantada. Infelizmente, quando se trata de política, o que menos precisamos no Brasil são de "mestiços". Aécio pode não ter desejado dizer, mas acabou deixando meio implícito um "sou tucano, mas tenho um pouco de petista e um pouco peemedebista". Por ironia ou ato falho, Aécio definiu a si mesmo com perfeição. Até hoje, Aécio Neves foi um "mestiço" na política brasileira, convivendo muito bem com todas as "raças".É a sua grande habilidade. É a sua biografia. Agora, pela primeira vez, está sendo pressionado pela sociedade brasileira para que assuma uma só nuance da sua "raça" política. O Brasil quer saber o que vai prevalecer nas próximas decisões de Aécio Neves. Aécio pode continuar sendo um "mestiço político" a serviço das suas Minas Gerais e assim será para o resto da sua vida. Ou pode ser o brasileiro que, acima de qualquer raça, vai emergir como um verdadeiro salvador da pátria. O Brasil não perdoa traidores. Minas Gerais sabe disso melhor do que nenhum outro estado do país.
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O palanque "mestiço" de Aécio Neves, na comemoração aos 100 anos de Tancredo, terá Ciro Gomes, Lula, Dilma Rousseff e, em especial deferência, José Serra.
