Aécio, o mestiço político.

Há várias formas de interpretar a frase de Aécio Neves(PSDB-MG), dita ontem, em Minas Gerais. Ironizou o jovem e ambicioso governador: "Eu sou mestiço, como é que eu vou participar de uma chapa puro-sangue?" O mestiço é o resultado do cruzamento de várias raças, é o próprio brasileiro, a nossa síntese tão cantada e decantada. Infelizmente, quando se trata de política, o que menos precisamos no Brasil são de "mestiços". Aécio pode não ter desejado dizer, mas acabou deixando meio implícito um "sou tucano, mas tenho um pouco de petista e um pouco peemedebista". Por ironia ou ato falho, Aécio definiu a si mesmo com perfeição. Até hoje, Aécio Neves foi um "mestiço" na política brasileira, convivendo muito bem com todas as "raças".É a sua grande habilidade. É a sua biografia. Agora, pela primeira vez, está sendo pressionado pela sociedade brasileira para que assuma uma só nuance da sua "raça" política. O Brasil quer saber o que vai prevalecer nas próximas decisões de Aécio Neves. Aécio pode continuar sendo um "mestiço político" a serviço das suas Minas Gerais e assim será para o resto da sua vida. Ou pode ser o brasileiro que, acima de qualquer raça, vai emergir como um verdadeiro salvador da pátria. O Brasil não perdoa traidores. Minas Gerais sabe disso melhor do que nenhum outro estado do país.
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O palanque "mestiço" de Aécio Neves, na comemoração aos 100 anos de Tancredo, terá Ciro Gomes, Lula, Dilma Rousseff e, em especial deferência, José Serra.

Vanucchi: morte de Zapata foi um "azar" de Lula.

Paulo Vannuchi, o homem para direitos humanos de Lula e do Brasil, o ministro que quer implantar o PNDH III que libera o aborto, que acaba com anistia, que substitui tribunais por conselhor populares, declarou: "É preciso levar em conta que houve ataques, invasões, espionagem permanente. Isso não justifica, mas explica o fato de Cuba ter hoje um regime político com o constrangimento -e ainda azar do presidente- de acontecer a morte de um dissidente nesta hora." Vannuchi, em vez de lamentar a morte de Orlando Zapata, pedreiro, operário e preso político em greve de fome há mais de 80 dias, apenas lamentou que ela tivesse ocorrido na presença de Lula. O ser humano Orlando Zapata é, para o ministro dos Direitos Humanos do Brasil, apenas um "dissidente". É muito "azar", segundo Vannuchi, um preso político morrer na prisão justamente quando Lula abraçava e "bromeava" para Fidel e Raul, às gargalhadas. E complementou: " e digo isso com todo o respeito que tenho por Cuba". Não é por Cuba que o ministro tem toda esta referência. É pelos dois assassinos sanguinários, ditadores, torturadores, Fidel e Raul Castro. Beije as mãos assassinas deles, Paulo Vannuchi!

Cain, cain, cain!

É isso aí. Vejam o que o PT declarou oficialmente hoje, sobre Ciro Gomes(PSB-ex-CE, atual SP), depois da pesquisa Datafolha que deixou a "raça" excitadíssima:

"O que acabou é o discurso do Ciro, aquele de que ele era essencial para ter segundo turno. Era um discurso que não tinha base antes, ficou mais claro que não tem base agora."

A declaração é do líder do PT na Câmara, aquele deputado que tem um sobrenome bovino, o que de alguma forma justifica os coices que está dando no totozinho do Lula. O deputado de ascendência muar é de São Paulo, o que também acaba com a pretensão do cearense de ser o sparring do Alckmin no estado, com a única função de agredir José Serra. Ciro Gomes achava que conhecia o PT. Ciro, este é o PT! Cain, cain, cain!

Os mineiros apóiam Aécio vice.

Minas Gerais representa 10% do eleitorado brasileiro. E quem diz que Minas Gerais não quer Aécio candidato a vice está redondamente enganado. No manifesto Serra-Aécio, que você pode assinar aqui, mais de 9% dos signatários são mineiros. Mineiro é, antes de tudo, brasileiro.

Sinal verde.

Um dos detalhes que passou batido na pesquisa Datafolha é o Centro-Oeste. Os "analistas" da imprensa observaram que Dilma Rousseff (PT)cresceu e José Serra(PSDB) caiu. É mais complexo. É nesta região que Marina Silva(PV) obteve a sua melhor performance, praticamente o dobro do percentual alcançado nas outras regiões. E é lá, sem dúvida, que o seu discurso e a sua origem irão calar mais fundo. Amazonas e Pará deram uma vantagem de 1,7 milhão de votos para Lula, sobre Alckmin, no primeiro turno, em 2006. A região representa 19 milhões de votos, cerca de 15% do eleitorado nacional. Novamente, no Centro-Oeste, Serra está acima do patamar tucano de 2006 e Dilma não chega nem aos pés de Lula. E não chegará, pois Marina vai crescer muito mais. Serra deve lutar para manter a sua participação, que ainda é boa. E deixar que Marina Silva tire as suas diferenças em cima de Dilma Rousseff. A briga é boa para tucano olhar de cima da árvore.

Datafolha 2006 x Datafolha 2010: Dilma não é Lula, Serra é mais do que era.

Uma matéria em O Globo coloca até o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, a dizer bobagens. Para ele, a queda de Serra no Sudeste é preocupante: - Ele caiu 3 pontos. É uma queda significativa, pois o Sudeste é onde Serra e o PSDB sempre dominaram, e é uma região que concentra 42% do eleitorado. Serra tem, hoje, quase 25% a mais em intenções de voto do que tinha em 2006, no Sudeste. Isto pelo mesmo instituto Datafolha. E assim é no resto do país, a exceção do Centro-Oeste. Ali sim, os institutos deveriam analisar o impacto de Marina Silva e do próprio Ciro Gomes, o que ninguém fez até agora. Tanto o PT quanto o PSDB perdem muitos votos na região. O que a pesquisa do Datafolha mostra é, sim, um crescimento pífio de Dilma, se comparada com Lula em 2006, que mesmo depois de sangrar com o Mensalão já chegava aos 40% das intenções de voto. Lula ainda precisa provar que pode transferir votos, inclusive no Nordeste. Obviamente, Dilma cresceu, pois só ela está fazendo campanha e só ela é candidata. Mas a pesquisa não autoriza ninguém a falar em desistência de Serra que está muito mais competitivo do que em 2006, quando cedeu lugar para Geraldo Alckmin. E nem mesmo este alarido todo de que Dilma é um fenômeno, como a petralha já está gritando. Estão jogando 11 contra 9, o juiz está roubando escandalosamente, a maioria da imprensa está comprada e mesmo assim estão perdendo o jogo.

Os votos de Tasso.

Tasso Jereissatti (PSDB-CE)pode agregar votos como vice, sim. Vamos aos números:

2002

Tasso(PSDB) - Senado - 1.915.000 votos
Serra (PSDB)- Presidente Turno 1 - 293.000 votos
Lula(PT) - Presidente Turno 2 - 2.497.000 votos
Serra(PSDB) - Presidente Turno 2 - 981.000 votos

Tasso ficou devendo 1 milhão de votos para Serra.

2006

Lula(PT) - Presidente Turno 1 - 2.852.000 votos
Alckmin(PSDB) - Presidente Turno 1 - 912.000 votos
Lula(PT) - Presidente Turno 2 - 3.394.000 votos
Alckmin (PSDB)- Presidente Turno 2 - 725.000 votos

Tasso ficou devendo 1,2 milhões de votos para Alckmin.

2010

Tasso conseguiria, sem o apoio dos Gomes, garantir 1,9 milhões de votos, a sua votação como senador, para José Serra? Se ele for para os jornais, hoje, dizendo que ficou honrado com a notícia de que seria um ótimo vice, podemos acreditar que sim. Caso contrário...

PT, mais fisiológico que o PMDB.

A imprensa não fala da fritura que Lula está promovendo no PT. Frita Tarso Genro no Rio Grande do Sul, oferecendo a sua cabeça em troca do apoio de José Fogaça(PMDB-RS). Vai fritar Ideli Salvatti(PT-SC) em Santa Catarina, bastando um sinal do governador Luiz Henrique e do PMDB ou mesmo do PP de Ângela Amin. Já fritou o PT em São Paulo, oferecendo o estado para Ciro Gomes(PSB). Está pressionando Aécio Neves a não ser vice de Serra, dando em troca a desistência de José Alencar(PR) do senado e do petista mensaleiro Fernando Pimentel para governo do estado. Ficaria tão somente o pangaré Hélio Costa(PMDB) na corrida, abrindo caminho para Aécio fazer o seu sucessor. Está torrando o PT no Pernambuco e por aí vai. O PT descobriu as maravilhas do Planalto Central, os seus mensalões, os seus fundos de pensão, as delícias das estatais. Para manter a Coroa, está entregando as capitanias para os adversários. É o PT mais fisiológico do que o PMDB.

Quem precisa do PT para ferrar o PSDB?

Ninguém lançou, mas está lançado Tasso Jereissatti (PSDB-CE) para vice do Serra. No momento em que existe uma pressão nacional sobre Aécio Neves(PSDB-MG) para que reintegre Minas Gerais ao Brasil, aceitando a obviedade patriótica de concorrer como vice do Serra. Vice, sim, porque não tem voto para ser cabeça de chapa. Nem que somasse os seus votos aos de Marina e Ciro, Aécio Neves chegaria ao patamar de José Serra. É, portanto, um bom vice. Nada além disso. Depois de ser um excelente vice, poderá vir a ser presidente. Se não for vice, jamais chegará ao cargo máximo, pois parece que os tucanos ainda não antenderam que, assim como o DEM acabou, esta é a última chance do PSDB continuar a ser, pelo menos, o partido que nunca foi. Parece que Aécio não entendeu que três ou quatro dezenas de milhões de brasileiros, em uma eleição apertada, creditará a ele a derrota. Anotem: se a oposição não for vitoriosa, o perdedor não será José Serra, será Aécio Neves, porque qualquer eleitor brasileiro politizado e informado jamais dará o seu voto para o mineiro, que será transformado no Joaquim Silvério do Século XXI. Mas o assunto é Tasso Jereissatti como vice do Serra. Quer melhor bode, um verdadeiro bodão na sala? É um nome ideal para ser lançado por um Ciro Gomes, seu amigão, seu palanque garantido. Tasso Jereissatti sobrevive, há muito tempo, da sua união indissolúvel com os Gomes. Sem eles, não é nada. Não renova o seu mandato de senador, ao menos que coma patinha de caranguejo na mãozinha dos Gomes. A chance de ser vice do Serra é zero, devemos torcer para que não traia Serra de novo, como em 2002. Ninguém se manifestou no partido sobre o tema, oficialmente. Ao que parece, Fernando Henrique Cardoso disse que Tasso poderia atrair votos do Nordeste. É um gentleman. Quem precisa do PT para ferrar o PSDB?

Conversa mole.

Recorte da Folha:

O ex-presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), já fala em vitória no primeiro turno. "Quando vinculamos a Dilma ao Lula e ao PT ela cresce muito. Temos pesquisas que mostram a possibilidade de avançarmos a ponto de não precisar de segundo turno", disse. Ao mesmo tempo,os petistas avaliam que os números darão mais argumentos para os socialistas contrários à postulação de Ciro se posicionarem dessa forma dentro do partido. E também para o presidente Lula, que deseja uma única candidatura no seu campo de apoio e pretende convencer Ciro a disputar o governo de São Paulo e não o Planalto."Antes mesmo da pesquisa, nós já queríamos que ele [Ciro] se somasse a nós. Vamos ter no país uma disputa de dois projetos: o da Dilma e o do PSDB", afirmou o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP).
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A capacidade que a imprensa tem de assumir qualquer coisa dita pelo PT é impressionante. Se possuíssem efetivamente as tais pesquisas, os petistas não estariam comemorando tanto uma pesquisa onde a queda da diferença entre os candidatos era esperada por todos, tendo em vista os fatos que antecederam o "campo" do Datafolha. Qualquer analista sabe que a tendência é Dilma empatar e passar José Serra, antes que este se licencie e saia candidato. Da mesma forma, não existe nenhum analista que possa afirmar que José Serra não possa tirar esta diferença com folga, a partir da campanha propriamente dita, quando os pontos fortes e os pontos fracos dos candidatos são destacados. O Brasil da Dilma tem menos, muito menos a mostrar que a São Paulo de Serra. É baseado nisso que o eleitor decidirá quem pode fazer mais.