O pior resultado das contas públicas... em 13 anos.


O setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobrás e Eletrobras) apresentou déficit primário de R$ 11,530 bilhões em outubro, segundo o Banco Central. Este resultado é o primeiro deficitário para o mês da série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2001. Até então, o pior resultado para o mês havia sido em 2014, quando houve um superávit de R$ 3,729 bilhões nas contas públicas. Matéria do Estadão.

O chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que o resultado fiscal de outubro, com um déficit primário de R$ 11,5 bilhões, foi impactado pelo adiamento de uma parcela do 13º salário. O governo federal adiou esses repasses de setembro para outubro. "Este resultado de uma piora de outubro é uma contra partida de uma melhora de setembro", disse.

Com o resultado, as contas do setor público acumulam déficit primário de R$ 19,9 bilhões nos primeiros dez meses do ano de 2015, o equivalente a 0,41% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Banco Central, em igual período do ano passado, o resultado havia ficado negativo em R$ 11,5 bilhões (0,25% do PIB).

O resultado fiscal do mês passado foi composto por um déficit de R$ 12,316 bilhões do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência). Os governos regionais (Estados e municípios) influenciaram o resultado positivamente com R$ 775 milhões no mês. Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 780 milhões, os municípios tiveram déficit de R$ 4 milhões. Já as empresas estatais registraram superávit primário de R$ 11 milhões.

Fernando Rocha disse que o reajuste de tarifas de energia elétrica e combustíveis causou aumento de arrecadação dos governos regionais, o que compensou perdas motivadas pela desaceleração da economia.

O resultado deficitário sai no mesmo dia em que o governo anunciou um corte de R$ 11,1 bilhões no Orçamento, o terceiro do ano. Por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União desta segunda feira, ficou estabelecido que o Executivo, não poderá mais emitir passagens aéreas nem pagar hotéis e diárias para seus servidores, entre outros itens.

Juros. O chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central salientou que o ganho da instituição com leilões de swaps cambiais (negociação de dólar no mercado futuro) fez a conta de juros diminuir em outubro ante setembro. Como a instituição já havia antecipado, o lucro com essas operações foi de R$ 19,03 bilhões.

"Foi uma redução significativa", comparou Rocha, citando as despesas com juros de R$ 69,993 bilhões em setembro e de R$ 17,884 bilhões em outubro. Em setembro, de acordo com ele, o real se depreciou 8,9% o que causou perda de R$ 38,6 bilhões com operações de swap. Já em outubro, houve apreciação de 2,87% do real e isso transformou o resultado de swaps de ganho de R$ 19 bilhões. "Logo, essa variação de R$ 57,6 bilhões é o principal fator da redução do pagamento de juros em outubro", calculou. Segundo ele, o resultado da conta de juros de outubro é o melhor para o mês desde 2013.

Economia continua lomba abaixo em 2016.


Na véspera de mais uma divulgação oficial sobre a economia doméstica, o Relatório de Mercado Focus trouxe novos ajustes para as expectativas em torno dos dados de atividade do Brasil. De acordo com o documento divulgado há pouco pelo Banco Central, a perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem passou de 2,01% para 2,04%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,51%. Para 2015, a perspectiva de contração aumentou de 3,15% para 3,19% - um mês antes estava em queda de 3,05%. Matéria do Broadcast Político.

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. Amanhã, o instituto trará o resultado da economia no terceiro trimestre de 2015. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano.

No caso da produção industrial, a mediana das expectativas para 2015 permaneceu em -7,50%. Um mês antes estava em -7,00%. Para 2016, passou de -2,00% para -2,30%. Há quatro semanas, estava em -2,00%.

Já na relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2015, a projeção dos analistas voltou a ficar inalterada em 35,50% - quatro edições antes estava em 35,80%. Para 2016, a taxa também foi mantida em 40,00%, como na semana anterior - um mês antes estava em 39,30%.

As conexões Bumlai x Esteves.


A força-tarefa da Operação Lava-Jato, em Curitiba, enviou na última quinta-feira à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma lista de investigações em curso sobre o banco BTG Pactual, de propriedade de André Esteves, nas quais aparecem indícios sobre a relação da instituição com o pecuarista José Carlos Bumlai. Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bumlai foi preso semana passada, em Brasília, um dia antes da prisão do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). A matéria é de O Globo.

Segundo os documentos, o banco comprou uma fazenda de propriedade dos filhos de Bumlai, em 2012, por R$ 195 milhões, “em negócio tido por suspeito pela Receita Federal do Brasil”. Além dessa transação, o BTG participou, no mesmo ano, da reestruturação financeira da empresa São Fernando Açúcar e Álcool, que também pertencia aos filhos de Bumlai.

“NEGÓCIOS ALTAMENTE IMPROVÁVEIS”
Os dois fatos pesaram na decisão de manter André Esteves atrás das grades, convertendo sua prisão de temporária em preventiva. Segundo trecho do documento, “a Operação Lava-Jato sempre teve, em seu escopo apuratório, fatos e negócios com elevado potencial para envolver o banco BTG Pactual. Nesse sentido, como evidenciado pela prisão preventiva de José Carlos Bumlai, a investigação adentrou vertente adicional que tangencia muito de perto interesses bastante sensíveis de André Esteves: conforme se viu, o banco BTG Pactual fez negócios altamente improváveis — e escassamente explicáveis — com filhos do pecuarista”.

Uma das empresas do pecuarista, a São Fernando Energia, recebeu R$ 104 milhões em julho de 2012 do BNDES, por meio do BTG Pactual e do Banco do Brasil. Na época, contava com sete funcionários. Em agosto passado, o BNDES entrou na Justiça com pedido de falência da empresa. Em despacho apresentado à Justiça, o Ministério Público Federal (MPF) cometeu um erro, atribuindo o empréstimo realizado em 2009 ao ano de 2005. As dívidas das empresas de Bumlai superam R$ 1 bilhão, dos quais cerca de R$ 400 milhões com o BNDES.

Segundo as investigações da procuradoria, “André Esteves tem claro interesse de que não venham à tona, em colaborações premiadas, aportes probatórios direta ou indiretamente vinculados a esses assuntos.” De acordo com o ofício, na reunião ocorrida em 4 de novembro passado, gravada por Bernardo Cerveró e que levou à prisão de Esteves e de Delcídio, fica claro acordo firmado entre o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, para que, caso firmassem acordo de colaboração premiada, omitissem esses temas.

JUIZ DIZ QUE HÁ PROVA DE CORRUPÇÃO
No despacho em que determinou a prisão preventiva de Bumlai, o juiz Sérgio Moro afirmou que há prova do envolvimento do pecuarista em corrupção “mediante vantagem indevida concedida aos dirigentes da Petrobras e a ele mesmo, José Carlos Bumlai, e ao Partido dos Trabalhadores”. Três delatores da Lava-Jato relataram o acerto. O principal deles é Salim Schahin, sócio do Grupo Schahin, que teve seu acordo de delação premiada homologado na semana passada pela Justiça. Procurado pelo GLOBO, o advogado Arnaldo Malheiros, contratado para defender Bumlai, não retornou as ligações.

Cunha usa impeachment para obter voto petista no Conselho de Ética.


A decisão sobre os principais pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff que estão sobre a mesa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), será usada como instrumento de pressão sobre o governo para tentas tornar favoráveis ao peemedebista os votos dos três integrantes do PT no Conselho de Ética da Casa. A matéria é do Estadão.

Aliados de Cunha confirmaram ao Estado que ele não definirá o impeachment até que saia o resultado sobre o seguimento ou não de seu processo por quebra de decoro no Conselho de Ética que pode culminar na cassação do mandato. A votação sobre a admissibilidade da ação contra o deputado, apresentada pela Rede e o PSOL, está marcada para amanhã.

Governo e oposição acusam Cunha de mantê-los em “banho-maria” ao longo do ano sob a ameaça de abrir processo de impeachment. No último dia 18, às vésperas da sessão em que poderia ser lido o relatório favorável à admissibilidade do processo de cassação do presidente da Câmara, aliados de Cunha divulgaram que o peemedebista havia decidido deixar para 2016 qualquer definição sobre o impedimento de Dilma.

Oposicionistas afirmaram que a informação havia sido propagada em troca de apoio do PT. No dia seguinte, Cunha negou que tenha dado as declarações vazadas por ao menos dois deputados do PMDB.

Cunha nega que seu processo de cassação e o impeachment estejam relacionados. Mas admite que nem todos os sete requerimentos pelo afastamento de Dilma serão despachados hoje, antes da sessão do Conselho de Ética. Ao menos um pedido tem parecer técnico favorável ao processo de impedimento.

Análise. Cunha aproveitou a ressaca da Câmara por causa da prisão na quarta-feira do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), para analisar os pareceres. Continuou a estudá-los no fim de semana, mas minimizou a importância prática deles. “A decisão é sempre minha. A responsabilidade também”, afirmou ao Estado. O peemedebista chega a Brasília hoje pela manhã e deve conversar com assessores.

Na avaliação da oposição, ao anunciar previamente que pode deferir os pedidos de impeachment logo no início desta semana, Cunha coloca pressão sobre os petistas para que os três membros titulares do partido no Conselho de Ética revejam suas posições e ajudem a arquivar o processo disciplinar.

Na expectativa de atrair os votos petistas, aliados de Cunha dizem que ele não se manifestará hoje a respeito dos principais pedidos de impeachment, o do advogado Luis Carlos Crema e dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. Tanto Crema quanto a dupla de juristas têm dois requerimentos protocolados, mas apenas um de cada é completo, incluindo a prática das “pedaladas fiscais”.

Contas. Deputados próximos a Cunha acreditam que o peemedebista tem hoje votos de nove dos 21 integrantes do conselho (20 votam; o presidente do colegiado manifesta-se apenas em caso de empate). Na conta dos aliados, são dois votos do PMDB, dois do PP, dois do PR, um do PSC, um do PSD e um do Solidariedade. O voto do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que disputou o comando do conselho com apoio de Cunha, ainda não é uma garantia. Interlocutores do peemedebista relatam que Sá se desentendeu com ele. Agora, sua tropa de choque corre contra o tempo para reconquistar o voto.

Se Cunha segurar o impeachment, apoiadores dizem que ele pode chegar a 12 votos favoráveis. Se soltá-lo em troca de apoio da oposição, acreditam que é possível atrair um voto do DEM e, talvez, do PPS, totalizando 11. Os dois votos do PSDB foram descartados, depois que o partido defendeu sua renúncia.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) disse que os petistas não cederão à pressão. “Não vamos aceitar esse jogo. Princípios são inegociáveis”, afirmou. Os três representantes do partido no colegiado, Zé Geraldo (PA), Valmir Prascidelli (SP) e Léo de Brito (AC), já disseram que votariam pela admissibilidade do processo.

BTG Pactual paga R$ 45 milhões a Cunha por MP.


Documento colhido em buscas feitas na casa do assessor do senador Delcídio Amaral (PT-MS), Diogo Ferreira, cita pagamento de R$ 45 milhões ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para aprovar emenda em medida provisória que beneficiaria o BTG Pactual, de André Esteves. O banqueiro, assim como Delcídio, foi preso na última quarta-feira, 25.

“Em troca de uma emenda a medida provisória número 608, o BTG Pactual, proprietário da massa falida do banco Bamerindus, o qual estava interessado em utilizar os créditos fiscais de tal massa, pagou ao deputado federal Eduardo Cunha a quantia de R$ 45 milhões de reais”, diz o texto.

Ainda segundo o escrito no documento: “Pelo BTG participaram da operação Carlos Fonseca, em conjunto com Milthon Lyra. Esse valor também possuía como destinatário outros parlamentares do PMDB. Depois que tudo deu certo, Milton Lyra fez um jantar pra festejar. No encontro tínhamos as seguintes pessoas: Eduardo Cunha, Milton Lira, Ricardo Fonseca e André Esteves”.

O texto aparece no verso de um documento que seria o roteiro de uma das reuniões em que o senador Delcídio Amaral tentou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. No encontro, o senador teria dito que conversaria com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar um habeas corpus para Cerveró e evitar um acordo de delação premiada.

O documento consta no material enviado pela PGR ao Supremo para pedir a conversão da prisão temporária de Esteves em prisão preventiva. Procurado, o presidente da Câmara desmentiu o bilhete. “É um absurdo. Não conheço esse assessor e tem de perguntar a ele isso, não a mim. Eu desminto com veemência”, afirmou Cunha. Uma das filhas de Cunha, Camilla Dytz da Cunha, diz em redes sociais ser advogada do BTG Pactual desde janeiro de 2014. 

COM A PALAVRA, O BTG

Nota à imprensa

O BTG Pactual nega veementemente a realização de qualquer tipo de pagamento para suposto benefício referente a Medida Provisória n. 608, de 1º de março de 2013. O BTG Pactual informa que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Roteiro de esclarecimento sobre a MP 608/13

1 – A Medida Provisória 608/13, no âmbito das novas regras de Basiléia 3, que visaram aperfeiçoar a capacidade das instituições financeiras de absorverem choques na economia diminuindo riscos dos depositantes e severidade de crises bancárias, dispõe basicamente sobre os pontos abaixo:
a) Crédito presumido apurado com base em créditos decorrentes de diferenças temporais;
b) Títulos de crédito e instrumentos emitidos por instituições financeiras para a composição do seu patrimônio de referência para o cômputo dos índices de Basiléia.
2 – Note-se que com referência ao item 1A, o artigo 17º da MP determina que ele só se aplica aos eventos que vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 2014. (Portanto, não se aplica a nenhuma das liquidações ocorridas antes dessa data).

Dilma não pode gastar um tostão: país para a partir de 30 de novembro.


Com a decisão inédita da presidente Dilma Rousseff de suspender o pagamento de todas as despesas, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, convocou para a tarde de domingo uma reunião com integrantes do governo para discutir como será elaborado o decreto de programação financeira com um corte de R$ 10,7 bilhões nos gastos e como será executado o contingenciamento.

Na segunda-feira, os secretários-executivos de todos os ministérios também se reunirão para analisar de que forma cada pasta irá lidar com as suspensões de pagamento. 

A suspensão de todas as despesas discricionárias anunciadas na sexta-feira pelo governo significa deixar de fazer, por exemplo, o pagamento de todos os serviços de água, luz, telefone, bolsas no Brasil e no exterior, fiscalização ambiental, do trabalho, da Receita e da Polícia Federal. A suspensão também atingirá gastos com passagens e diárias. 

Por isso, Dilma cancelou duas viagens programadas para o Vietnã e para o Japão na próxima semana. A presidente manteve, no entanto, ida a Paris, onde está neste momento, para a Conferência do Clima da ONU, porque a suspensão dos pagamentos ocorrerá a partir do dia 1 de dezembro e ela retornará ao país no dia 30 de novembro.

Ontem, o governo extinguiu o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), sete secretarias ligadas aos ministérios, e 346 cargos comissionados, apenas 11% do que foi anunciado pelo governo. No dia 2 de outubro, a presidente Dilma informou a extinção de 3 mil cargos e 30 secretarias ligadas aos ministérios. 

Os cortes, que saíram em três decretos no Diário Oficial da União, levarão a uma economia de R$ 16,1 milhões ao ano. As funções do GSI foram distribuídas entre a Casa Militar e o Ministério do Planejamento. O decreto traz também a criação da Secretaria de Governo e as extinções das secretarias de Relações Institucionais, Micro e Pequena Empresa e Secretaria-Geral, que tinha status de ministérios.

Corrupção - leia-se PT - passa a ser o maior problema para o brasileiro.


No ranking de problemas do país conforme a opinião dos brasileiros, a corrupção é, pela primeira vez, a campeã isolada.Segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 25 e 26 em todo o país, 34% dos eleitores colocam a corrupção como o principal problema do Brasil na atualidade. Na sequência aparece saúde, com 16%; desemprego, com 10%, educação e violência, ambos os temas com 8%. Economia é assunto citado por 5%. A matéria é da Folha.

A pesquisa foi feita em meio à Operação Lava Jato, que começou apurando a atuação de doleiros em 2014, agigantou-se com a descoberta de um esquema de corrupção na Petrobras envolvendo funcionários da estatal, grandes empreiteiras e políticos, e depois estendeu-se para o setor elétrico.

Entre os investigados estão petistas de proa, como o ex-deputado José Dirceu e o ex-tesoureiro da sigla João Vaccari Neto (ambos presos); os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL); e diversos outros congressistas, como os senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Collor (PTB-AL), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Romero Jucá (PMDB-RR).

A pesquisa foi feita logo após a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai, conhecido pela amizade com o ex-presidente Lula. E simultaneamente à prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, ambos suspeitos de sabotar a Lava Jato oferecendo vantagens ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que assinou acordo de delação premiada.

O Datafolha investiga a principal preocupação dos brasileiros desde 1996, ainda durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso na Presidência. Durante todo o período tucano (até 2002), o tema líder no ranking de principais problemas foi o desemprego, com o recorde de 53% no fim de 1999. Em algumas rodadas, fome/miséria apareceu em segundo lugar na lista de preocupações, assunto citado por apenas 1% atualmente.

Desemprego continuou reinando no ranking até o fim do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. O segundo mandato de Lula começou com um substancial aumento da preocupação com violência/segurança, assunto líder em todas as pesquisas de 2007. De 2008 até junho deste ano foi o período dominado pela saúde.Sob Lula e FHC, corrupção nunca foi apontado como o principal problema do país por mais de 9% do eleitorado.

O tema começou a ganhar força em junho de 2013, primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, mês de enormes protestos de rua pelo país com pautas variadas, da tarifa do transporte à violência policial. Naquele momento, a corrupção foi citada como maior problema por 11%, recorde na série histórica do Datafolha até então.

Nas três pesquisas anteriores de 2015, ficou sempre acima de 20%. O Datafolha ouviu 3.541 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Datafolha: 47% dos brasileiros não votariam em Lula.


Do ponto de vista eleitoral, o maior beneficiado com a combinação de crise política e econômica não parece ser o PSDB, principal opositor da presidente Dilma Rousseff, mas a hoje reclusa Marina Silva (Rede), ex-senadora que ficou em terceiro na disputa pela Presidência em 2014. É o que mostra a pesquisa Datafolha nos dias 25 e 26 com 3.541 entrevistas e margem de erro de dois pontos. 

Na simulação que coloca o senador Aécio Neves como candidato do PSDB, Marina avançou três pontos (de 18% para 21%) e agora aparece tecnicamente empatada com o ex-presidente Lula (22%) na segunda posição. O tucano lidera com 31%, mas tinha 35% na pesquisa anterior. 

Quando o candidato do PSDB é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Marina lidera isolada com 28%, seis pontos a mais que Lula (que caiu quatro desde junho) e dez a mais que o tucano (que oscilou dois para baixo). 

Um dado que chama a atenção no levantamento é a taxa de rejeição do ex-presidente Lula. Quase metade dos eleitores (47%) dizem que não votariam nele de jeito nenhum. É uma taxa inferior apenas a atribuída a Ulysses Guimarães (1916-1992) em pesquisas feitas em 1989, quando disputou a Presidência pelo PMDB. Em agosto daquele ano, Ulysses amargou 52% de rejeição, recorde até hoje.
Aécio é rejeitado por 24% atualmente; o vice Michel Temer (PMDB), por 22%. Alckmin e Marina, por 17%. 

O Datafolha mostra ainda que a imagem de Lula como ex-presidente perde força com velocidade. Em 2010, ele era visto como o melhor presidente que o Brasil já teve por 71%. Caiu para 56% no fim de 2014; 50% em abril; 39% agora. Apesar disso, segue líder. (RM)

Cinicamente, Lula joga todos os problemas do país na conta de Dilma.


Em evento em Valente, a 238 quilômetros de Salvador, que reuniu cerca de 2 mil pessoas, segundo a assessoria, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ajuda para o governo da presidente Dilma Rousseff. "Quero que vocês imaginem a pressão que essa mulher está sofrendo, as dificuldades que ela está sofrendo. Antes de criticar, se coloquem no lugar dela. Para vocês perceberem que nós temos que ajudá-la. Esse País só vai melhorar se cada um de nós virar hoje e agora deputado, presidente e governador e não deixar que os companheiros sozinhos arquem com a responsabilidade", disse. A matéria é do Broadcast Político.

No ato “Territórios em Movimento: articulação e gestão para o, desenvolvimento sustentável”, organizado pela Rede Nacional de Colegiados Territoriais, Lula também disse que prefere não se eximir da responsabilidade pelo mandato da sucessora. "Eu poderia dizer 'eu sou ex-presidente, não tenho nada a ver com isso', 'sou um cidadão comum, não tenho nada a ver com isso'. Mas a Dilma não é a Dilma. A Dilma não foi candidata porque ela quis ser. Ela foi candidata porque a gente precisava que uma mulher governasse este País uma vez na vida", afirmou.

Segundo o ex-presidente, quando está tudo bem, "todo mundo é pai da criança", o que não acontece quando a criança não é tão bonita. "Essa criança chamada Brasil é nossa e temos que cuidar dela", disse, nos minutos finais de um discurso de pouco mais de meia hora divulgado na íntegra pelo site do Instituto Lula.

Lula reconheceu que o Brasil não está vivendo um bom momento econômico, mas ressaltou que outros países, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, também enfrentam problemas. Mas pediu que as pessoas não julguem a presidente antes do tempo. "Quando fui eleito, eu dizia: eu fui eleito para um mandato de quatro anos. Não me julguem nem por um dia nem por um ano", afirmou.

O petista não mencionou a crise política ou a prisão do correligionário Delcídio do Amaral (MS) e afirmou ser um "cidadão muito otimista". Ele pediu para que os integrantes do movimento levassem a Dilma e ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, "sobretudo otimismo e autoestima de quem acreditou e acredita na capacidade dos trabalhadores de construir uma nação diferentes da que vinha sendo construída".

O petista atribuiu os dados positivos da macroeconomia durante sua gestão à microeconomia, com concessão de crédito para pessoas mais pobres. Ele tem reiterado a necessidade de estimular o consumo interno, abalado pela crise atual. E afirmou que vale mais dar dinheiro aos mais pobres.

"Dilma, não acredita naqueles que vêm chorar no seu gabinete. Acredita no povo, porque as pessoas mais humildes não pedem nada, pedem respeito. E quando pedem alguma coisa, é uma quirela", afirmou, criticando a postura dos empresários que batem às portas do governo em busca de recursos. "Ele pega R$ 5 bilhões e, quando sai, a televisão pergunta: 'E aí, doutor, o senhor gostou?' E ele diz: 'Ah, não foi o que a gente precisava'. Agora pegue R$ 20 e dê para uma pessoa humilde comprar o pão de cada dia que ela vai ser agradecida pelo resto da vida porque ela não esquece quem é solidária com ela."

Lula ressaltou ainda a agenda social dos governos petistas e criticou a agenda negativa que toma conta do País. "Se algum de vocês fosse pego desviando uma pitomba, já teria sido manchete de jornal", afirmou. "Mas trabalhando, produzindo riqueza e organizando a sociedade, não espere, que não vai ter manchete. Porque esse País está neste momento histórico predestinado às coisas negativas, às insinuações, e não às coisas reais que acontecem neste País." O ex-presidente afirmou que Dilma deu uma pausa nas políticas sociais "para dar uma arrumada na casa", mas manifestou esperança de que a retomada aconteça já em 2016.

Terremoto em Brasília.

O senador Delcídio do Amaral encontrou seu destino de pijama. Ele vinha em papel, nas mãos dos policiais federais que batiam à porta do flat onde o senador se hospeda, em Brasília, ao raiar daquele dia que o Brasil jamais esquecerá.  

Os agentes carregavam uma ordem judicial inédita na história do país. Eleito ao cargo pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul, líder no Senado do combalido governo Dilma Rousseff, confidente da presidente da República, articulador do cada vez mais difícil ajuste fiscal, Delcídio do Amaral Gómez, de 60 anos, recebeu com resignação, sonolento, sua sentença política de morte. Guiou a equipe da força-tarefa da Lava Jato pelos aposentos. Imediatamente, foi informado de que o local seria alvo de uma busca e apreensão. “Tudo bem, podem olhar”, disse. 

Abriu gavetas e até mencionou o conteúdo de alguns documentos às autoridades. Após a devassa, foi comunicado sobre a prisão. Reagiu com duas perguntas. Queria saber se a prisão era preventiva, que pode se estender por meses. Sim, era. Ato contínuo, perguntou sobre sua imunidade parlamentar. “Ordens do Supremo”, responderam os policiais, de posse do mandado judicial. 

Delcídio se aprumou, vestiu terno e gravata, entrou numa caminhonete que o aguardava no estacionamento do hotel e, às 8h15, já estava na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Tornava-se o primeiro senador no exercício do mandato a ser preso. Começava ali o dia 25 de novembro de 2015, um dia que soltou perigosamente o parafuso da política brasileira – mas, ao mesmo tempo, um dia que demonstrou a blindagem de aço da República contra pancadas institucionais.

O dia 25 de novembro começara cedo também no Rio de Janeiro. Lá, a PF prendia um dos maiores banqueiros do Brasil, André Esteves, controlador do BTG Pactual, acusado de integrar com Delcídio a organização criminosa que tentou melar a delação do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró – e até planejar a fuga do país do executivo. A Lava Jato prendeu também Diogo Ferreira, chefe de gabinete de Delcídio, e, dias depois, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro

Um dia antes, na terça-feira, a Lava Jato, desta vez sob ordens do juiz Sergio Moro, prendera o pecuarista e operador do PT José Carlos Bumlai, acusado pelo delator Fernando Baiano de participar do petrolão usando o nome do ex-presidente Lula. A sequência de prisões neste ano, culminando com as do dia 25 de novembro, rumo a uma ordem hierárquica cada vez mais poderosa, assombra o Brasil. 

Estão presos, além do líder do governo no Senado, o operador do PT, o nono homem mais rico do país, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, o ex-diretor do PT na Petrobras Renato Duque, o presidente da maior empreiteira da América Latina, Marcelo Odebrecht… Faltam beliches na PF para tanta gente VIP.

Delcídio, o ovo da serpente.


Segundo a Veja, para entender a magnitude da prisão, na semana passada, de Delcídio do Amaral, senador petista e líder do governo, é preciso até um pouco de imaginação. Pois imaginemos que nenhum empresário preso na Operação Lava-Jato tivesse até hoje quebrado o silêncio nas delações premiadas - ou que nenhum político estivesse na lista que a Procuradoria-Geral da República mandou para o Supremo Tribunal Federal (STF). 

Mesmo no cenário irreal acima, a prisão de Delcídio e a possibilidade de ele recorrer à delação premiada - uma vez que foi abandonado pelo PT, ignorado por Dilma e ofendido por Lula - terão consequências devastadoras para a estabilidade do já cambaleante regime lulopetista. Delcídio do Amaral testemunhou os momentos mais dramáticos dos escândalos do governo do ex-­presidente. 

Viveu e participou desses mesmos momentos no governo Dilma. Delcídio não é uma testemunha. Ele é "a" testemunha - e a melhor oportunidade oferecida à Justiça até agora de elucidar cada ação da entidade criminosa que, nas palavras do ministro Celso de Mello, decano do STF, "se instalou no coração da administração pública".

Terminada uma reunião no gabinete de Dilma Rousseff, em junho passado, Delcídio chamou-a de lado e disse a seguinte frase: "Presidente, a prisão (de Marcelo Odebrecht) também é um problema seu, porque a Odebrecht pagou no exterior pelos serviços prestados por João Santana à sua campanha". Delcídio contrariou o diagnóstico de Aloizio Mercadante, que ainda chefiava a Casa Civil, segundo quem a prisão de Marcelo Odebrecht "era problema do Lula".

Ao deixar o Palácio do Planalto, Delcídio definiu Dilma a um colega de partido como "autista", espantado que ficou com o aparente desconhecimento da presidente sobre o umbilical envolvimento financeiro do PT com as empreiteiras implicadas na Lava-Jato. Na reunião, Dilma dissera aos presentes que as repercussões da operação nada mais eram do que uma campanha para "criminalizar" as empreiteiras e inviabilizar seu pacote de investimento e concessões na área de infraestrutura. 

"A Dilma não sabe o que é passar o chapéu porque passaram o chapéu por ela", concluiu Delcídio.Passar o chapéu é bater na porta das empreiteiras e pedir dinheiro para campanhas políticas. Quando feitas dentro da lei, as doações não deixam manchas no chapéu. Mas, quando fruto de propinas como as obtidas nos bilionários negócios com a Petrobras, a encrenca, mesmo que seja ignorada por sua beneficiária, não vai embora facilmente. 

Menos de um mês após a reunião no Planalto, a Polícia Federal divulgou as explosivas anotações com que Marcelo Odebrecht incentivava seus advogados a encontrar uma maneira de fazer chegar a Dilma a informação de que as investigações sobre as contas da empreiteira na Suíça bateriam nela.Poucos políticos tiveram mais acesso do que Delcídio aos bastidores do mensalão e do petrolão. 

Poucos políticos conhecem tão bem como ele as entranhas da Petrobras, onde trabalhou e fez amigos. Poucos políticos têm tanto trânsito como ele nos gabinetes mais poderosos da política e da iniciativa privada. Até ser preso, Delcídio atuava como bombeiro, tentando reduzir os focos de tensão existentes para Lula, Dilma e o PT. Na condição de encarcerado, é uma testemunha decisiva. A possibilidade de ele colaborar com os investigadores está sob avaliação de sua família.

Andrade Gutierrez paga R$ 1 bilhão para limpar a ficha e pressiona demais empreiteiras.

A Andrade Gutierrez aceitou pagar R$ 1 bilhão de multa como compensação por prejuízos decorrentes de corrupção em contratos com o governo, valor acertado depois de longa negociação entre advogados da empresa e integrantes da força-tarefa da Lava-Jato e a Procuradoria-Geral da República. A multa é a maior já acertada. O acordo inclui ainda a admissão de pagamento de propina e formação de cartel não apenas na Petrobras, mas também em obras de estádios da Copa do Mundo, em Belo Monte, na ferrovia Norte-Sul e na usina nuclear de Angra 3. A matéria é de O Globo.

Numa outra frente, 11 executivos da empresa, incluindo o presidente Otávio Azevedo, farão delação premiada. 

O acordo ainda deverá ser homologado pelo juiz da 13ª Vara Federal em Curitiba, Sérgio Moro — que cuida dos processos relacionados à corrupção na Petrobras — e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki — que cuida dos processos com menção a políticos que receberam propina. Se o acordo for confirmado pela Justiça, Azevedo e os executivos Elton Negrão e Flávio Barra, presos desde junho deste ano, poderão ser soltos nas próximas semanas, antes do Natal, com tornozeleiras eletrônicas.

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Os três já foram transferidos nesta semana do Complexo Penal dos Pinhais para a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, para facilitar os depoimentos. Contratada pela Petrobras entre 2004 e 2014 para realizar uma série de obras que custaram R$ 7,2 bilhões, a Andrade Gutierrez é acusada de realizar pagamentos indevidos estimados pela PF entre R$ 216,1 milhões (cálculo conservador) e R$ 1,4 bilhão (cálculo máximo), em função de irregularidades identificadas por órgãos de controle e no curso das investigações da Lava-Jato. A maior parte da propina foi paga por meio de consultorias de fachada ou empresas subcontratadas.

Os 11 executivos envolvidos no acordo já foram denunciados, citados em depoimentos ou indiciados por suspeita de crimes de corrupção ou formação de cartel em contratos da Petrobras. Todos devem ter redução de penas, em caso de condenação.

Para o acordo ser validado, os beneficiários precisam confirmar fatos já revelados no âmbito da Lava-Jato e trazer novas informações. O presidente da empresa teria prometido, segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, citar dois senadores que teriam recebido propina. Isso justificaria a homologação do acordo por parte de Teori, já que senadores têm foro privilegiado. A Andrade também se compromete a realizar um programa de compliance (boas práticas de governança) e prestar novas informações ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que apura cartéis envolvendo obras em refinarias da Petrobras e na construção de Angra 3.

Em acordo de delação premiada, o executivo da Camargo Corrêa Dalton Avancini admitiu ter havido direcionamento da licitação de um contrato de R$ 3 bilhões de Angra 3, da qual a Andrade fez parte, mediante pagamento de propina a políticos do PMDB. Em depoimento posterior, o diretor da Camargo Corrêa apresentou o nome do executivo Flávio Barra, presidente global da Andrade Gutierrez Energia, como participante da reunião em que se discutiu o pagamento de propina.

A Andrade foi contratada para obras de três estádios usados na Copa de 2014, que agora entram na investigação da Lava-Jato: Maracanã (Rio), Mané Garrincha (Brasília) e Arena Amazônia (Manaus). As obras do Maracanã, contratadas pelo governo do Rio e realizadas em parceria com a Odebrecht, custaram 70% mais do que o orçado inicialmente (R$ 1,2 bilhão).

O Mané Garrincha também teve um acréscimo próximo dos 70%. Nessa obra, a Andrade teve como parceira a Via Engenharia. A reconstrução do estádio custou R$ 1,17 bilhão para o governo do Distrito Federal. Na Arena Amazônia, o acréscimo foi menor: 26%. A Andrade atuou sozinha nesse empreendimento, que teve valor final de R$ 623,8 milhões pagos pelo governo do Amazonas.
Na obra da Ferrovia Norte-Sul, que se arrasta desde a década de 1980, a Andrade Gutierrez foi a responsável pela execução de três lotes do trecho entre Palmas, em Tocantins, e Anápolis, em Goiás. Os trechos somam 282 quilômetros e custaram mais de R$ 800 milhões.

A Andrade perdeu a licitação de concessão da usina de Belo Monte, outra que é investigada na Lava-Jato. Mesmo assim, ela lidera o Consórcio Construtor da usina, que custará R$ 14,5 bilhões, ao lado da Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS, Contern, entre outras. Executivos da Camargo Corrêa já admitiram ter pagado propina em obras da usina.

ACORDO ISOLA A ODEBRECHT
As negociações em nome da empresa foram conduzidas nas últimas semanas pelo advogado Celso Vilardi, o mesmo que fechou o acordo de leniência da Camargo Corrêa, empresa que assumiu crimes e se comprometeu a devolver R$ 800 milhões.

O acordo da Andrade deixa isolada na Lava-Jato uma de suas maiores concorrentes mas também parceria de negócios, a Odebrecht. A situação da empresa fica mais delicada com a revelação de novos episódios de corrupção que podem respingar na Odebrecht, já que ela era parceira em várias das obras que a Andrade admite, agora, ter havido corrupção.
 
Interlocutores da Odebrecht minimizam o isolamento e afirmam que a empresa manterá a estratégia de negar todos os crimes até aqui imputados aos seus executivos, em especial ao presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, preso desde junho deste ano. Os advogados torcem pela liberação dos executivos também antes do Natal, por força de habeas corpus que será analisado nos próximos dias no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Andrade Gutierrez informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria o acordo.

A Odebrecht e a Queiroz Galvão disseram que não comentariam o acordo de leniência da Andrade. O grupo Via Engenharia informou que “desconhece as relações de outras empresas nos respectivos contratos com o governo”. A OAS foi procurada, mas não retornou.

Lulinha copiou relatórios de consultorias da wikipedia.


O trabalho de consultoria que rendeu R$ 2,5 milhões a Luís Cláudio Lula da Silva, filho mais novo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi baseado em “meras reproduções de conteúdo disponível na rede mundial de computadores, em especial no site do Wikipedia”, informa relatório da Polícia Federal. A matéria é do Estadão.

Para os investigadores, a cópia de “conteúdo disponível na rede social” reforça as suspeitas de que a empresa está envolvida no suposto esquema de compra de medidas provisórias para favorecer montadoras de veículos com inventivos fiscais. O caso, investigado na Operação Zelotes, foi revelado pelo “Estado”. “Os estudos apresentados pareciam ser de rasa profundidade e complexidade, em total falta de sintonia com os milionários valores pagos”, diz o documento.

A PF já indiciou 19 pessoas supostamente envolvidas no esquema. Luís Claudio não consta da relação dos indiciados, segundo a PF, porque foi descoberto durante busca e apreensão, na última fase da Zelotes, um contrato sem o nome da LFT, empresa de Luís Cláudio que prestou a consultoria, bem similar aos que ele assinou com a Marcondes & Mautoni, que pagou os R$ 2,5 milhões. Se for confirmado outro vínculo com a empresa, o valor dos negócios da com a Marcondes pode chegar a R$ 4 milhões.

Conforme o relatório, o mesmo valor é “suscitado pelo lobista Alexandre Paes dos Santos, um dos investigados, como sendo o que tinha sido acertado como pagamento para os ‘colaboradores’ de Mauro Marcondes”, dono da Marcondes & Mautoni no lobby para viabilizar as MPs. Segundo a PF, os pagamentos para a empresa de Luís Claudio só cessaram com a deflagração da primeira fase da Zelotes.
Foi a localização desse novo contrato que levou a PF a decidir por instaurar uma nova investigação específica sobre os negócios envolvendo o filho de Lula. “Essa hipótese, bem como o real propósito desses pagamentos, não foi confirmada até o presente momento, razão pela qual será dada continuidade à investigação em outro inquérito policial em que será analisado todo o material coletado com vista à pela elucidação dos fatos apurados”, afirma a PF.

O relatório da Polícia Federal cita ainda supostas investidas dos envolvidos “junto à Presidência da República”, que teriam enviado documentos ao então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tratando dos pleitos das montadoras para a prorrogação de incentivos fiscais.

O ex-ministro Gilberto Carvalho também é citado no relatório da PF. Ele não foi indiciado, mas será investigado em nova frente. “Constatamos que as relações mantidas entre a empresa do lobista Mauro Marcondes e o Gilberto Carvalho são deveras estreitas, o que reforça o envolvimento deste nas tratativas para a edição da medida provisória para beneficiamento do setor automotivo, utilizando-se de servidor público que ocupava a “antessala” do então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, responsável direto pela edição de Medidas Provisórias.”

O relatório reitera que Marcondes “recorre ao ‘amigo’ Gilberto Carvalho para que chegue documento às mãos do então Presidente Lula, mas para isso pede que o cumprimento dessa incumbência seja “daquela forma informal” e “low profile” que só o Gilberto Carvalho consegue fazer, sem “formalidades” e no momento oportuno.”

Ainda sobre a LFT Marketing Esportivo, o relatório da PF considerou que os “vultosos” pagamentos ao filho do ex-presidente foram um “ponto fora da curva”, por se tratar de uma empresa “que nunca tinha aparecido como prestadora de serviços da empresa de lobby”, não possui nenhum funcionário cadastrado nos seus quadros e tampouco informa pagamento de salário ou recolhimento de contribuições previdenciárias de empregados.

Luís Claudio e Mauro Marcondes já foram ouvidos pela PF a respeito dos contratos. “Contudo, a nosso ver, as versões por eles apresentadas se mostraram por demais contraditórias e com conteúdo pouco aferível”, afirmam os investigadores.

O relatório da PF menciona que o fato de o “Estado” ter revelado o esquema antes da deflagração da Operação Zelotes pela PF fez com que Luís Claudio fosse até a sede da LFT retirar a documentação referente aos serviços prestados a Marcondes para levá-las ao escritório Teixeira, Martins Advogados, pertencente ao “seu padrinho Roberto Teixeira, para uma “validação” dos contratos, como se o momento mais apropriado para uma análise jurídica desses vultosos contratos que envolviam a cifra de R$ 2.500.000,00 fosse realmente após sua a celebração e, mais, após recebimentos dos valores contratados. É como se os pagamentos não fossem uma confirmação tácita do contratante de que os contratos já tinham sido “validados””.

A defesa de Luís Cláudio sustenta que seu cliente prestou serviço na área de marketing esportivo para a Marcondes & Mautoni por meio da LFT e que tais serviços foram “comprovados”. “Ao final dos trabalhos, foram entregues relatórios sobre cada um dos projetos elaborados. A LFT recebeu pagamentos da Marcondes & Mautoni entre junho de 2014 e março de 2015, à medida que os trabalhos contratados foram executados. Todos os valores foram declarados à Receita Federal e houve a emissão de notas fiscais, com os devidos impostos recolhidos”, explica nota subscrita pelo advogado Cristiano Zanin Martins. 

Procurado, o advogado de Mauro e Cristina não se pronunciou. O ex-ministro Gilberto Carvalho não foi localizado ontem. Ele tem negado que atuou para favorecer montadoras.

O blog ficou sem internet.

Por motivos técnicos, o blog está sem acesso a internet. Logo em dia tão importante. Prometo um blog super atualizado para amanhã. Obrigado!

Lula chama Delcídio de imbecil.


O comando do PT deverá expulsar o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS). Segundo integrantes da cúpula do partido, a tendência é pela desfiliação do parlamentar, preso pela Polícia Federal sob acusação de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. A expulsão será debatida em reunião da Executiva Nacional na semana que vem.A matéria é da Folha.

Como será convocada às pressas, a data ainda não foi fixada. Existem dois ritos em análise: o afastamento sumário ou a expulsão apenas após toda a tramitação de um processo no conselho de ética. 

O presidente da sigla, Rui Falcão, deu a senha para o afastamento quando minimizava críticas à nota em que negou solidariedade a Delcídio : "Não há divisão. Expressei minha opinião. Essa opinião será debatida com maior profundidade, inclusive com consequências práticas". 

Presidente do PT de São Paulo, o ex-prefeito Emídio de Souza defendeu publicamente a expulsão. "Se não, a opinião pública nos confunde com atos delituosos", alegou. 

A medida é defendida pela segunda maior força do PT, a Mensagem. O secretário de Formação do PT, Carlos Henrique Árabe, prega o afastamento sumário de Delcídio. 

Além de Emídio, a ideia tem adeptos na maior força do PT (CNB). Mas enfrentará a resistência do líder da sigla no Senado, Humberto Costa (PE). 

Com direito a assento na executiva, ele criticou nesta quinta-feira (26) a decisão de Falcão de divulgar nota dura contra Delcídio. 

A divulgação da nota abriu um racha entre o comando do partido e sua bancada no Congresso, que reclama de não ter sido previamente consultado sobre seu teor. Os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) também criticaram a nota. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se manifestou sobre a expulsão. Mas admitiu, nesta quinta-feira (26), que a prisão de Delcídio desestabiliza o governo e leva a crise para o Palácio do Planalto. Dizendo que Delcídio fez uma "coisa de imbecil", Lula lamentou que a detenção tenha ocorrido num momento em que considerava praticamente debelado o movimento pelo impeachtment da presidente Dilma.

Aécio cobra explicações de Dilma sobre Delcídio. Silêncio é incompreensível, afirma ele.


O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), cobrou nesta quinta-feira um posicionamento da presidente Dilma Rousseff sobre a prisão do líder de seu governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS). O senador petista foi preso na manhã de ontem sob acusação de obstruir investigações da Operação Lava Jato. Sua prisão no exercício do mandato foi confirmada pelo plenário do Senado ontem à noite. Informações do Broadcast Político.

Aécio classificou o silêncio de Dilma como algo "extremamente grave e incompreensível" diante da denúncia de que Delcídio articulava um plano de fuga para Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras preso desde janeiro, para impedir que ele fechasse acordo de delação premiada. "É incrível que a presidente da República não se manifeste como se não tivesse absolutamente nada ver com isso, como se os delatores presos, réus confessos e já condenados, como o caso do Cerveró, não tivessem sido indicados pelo seu governo", disse o senador tucano.

"A presidente da República, tão afeita, na época eleitoral, às cadeias de rádio e televisão para comemorar qualquer feito ou suposto feito do seu governo, é incompreensível e reprovável que ela não olhe nos olhos dos brasileiros, em primeiro lugar, para admitir a sucessão de equívocos do seu governo, e, agora, para explicar aos brasileiros a sua responsabilidade em relação a estas denúncias", afirmou.

Dizendo lamentar a prisão "do ponto de vista pessoal", mas vê-la como "necessária" pelo aspecto "institucional", Aécio também criticou a nota divulgada pela cúpula do PT, eximindo-se de prestar solidariedade ao congressista. "Um dos mais sórdidos documentos que demonstram a falta de coragem de um partido político que, ao invés de assumir a sua gravíssima responsabilidade em relação a tudo o que vem ocorrendo no Brasil, é o primeiro a virar as costas para o seu líder e a considerar-se descompromissado de defender aquilo que ele próprio criou. A nota lançada pelo PT, além de inoportuna e covarde, como disse o presidente do Senado (Renan Calheiros, PMDB-AL), vai ficar escrito como um dos mais deprimentes momentos deste partido que, na minha avaliação, vive seu estertores", disse Aécio.

Logo após a entrevista concedida no início da tarde, o tucano divulgou nota reiterando críticas feitas ao governo. "Os novos desdobramentos da Operação Lava Jato reforçam nos brasileiros o sentimento de indignação em relação à forma como o País vem sendo governado. Mais uma vez, depois do mensalão e, agora, no petrolão, reforça-se a convicção de que uma organização criminosa, tentacular, apoderou-se de estruturas do Estado, com o objetivo de manter-se no poder mediante desvio de dinheiro público", afirmou no comunicado.

Apesar de toda indignação, o PSDB não cogita, em um primeiro momento, apresentar
representação contra Delcídio do Amaral no Conselho de Ética do Senado. Deixará a responsabilidade para Renan Calheiros, também investigado pela Operação Lava Jato.
"Estamos aguardando que a presidência do Senado Federal faça o que achar mais adequado. O mesmo ofício, o mesmo comunicado que a presidência do Senado está enviando ao STF, dando conta da decisão de ontem, envie também ao Conselho de Ética da Casa", afirmou o presidente nacional do PSDB.

Questionado sobre a possibilidade de Renan não representar no conselho, o tucano disse que, só então, discutirão o assunto. "(Se Renan não representar), aí vamos discutir se nós o faremos, o conjunto das oposições. Mas me parece que este começa a ser consenso no Senado Federal: o comunicado feito ao Supremo chega também ao Conselho de Ética", afirmou Aécio.

Cunha
Aécio Neves defendeu o afastamento da presidente Dilma Rousseff e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como solução para a crise política e econômica vivida pelo País. "Para a oposição, a solução efetiva para o Brasil superar essa crise era já o afastamento do presidente da Câmara para que o Congresso pudesse ter uma nova agenda, o afastamento da presidente da República", afirmou o senador.

Para o tucano, apesar do agravamento da situação de Cunha diante da divulgação de documentos comprovando a existência de contas no exterior em nome dele e de familiares, o impeachment de Dilma ainda é algo viável. "A questão do impeachment nunca esteve adormecida. É claro que, com o episódio Eduardo Cunha, a agenda mudou e questiona-se se ele teria ou não as condições para conduzir o impeachment. Mas as razões objetivas que levaram este tema a ser discutido e apoiado pela grande maioria da população brasileira, essas condições objetivas, não deixaram, em momento algum, de existir", afirmou.

A covardia petista.


O presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta quinta-feira (26) que há diferença entre o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ambos presos no âmbito da Operação Lava Jato. 

Questionado por que não manifestou ao senador, preso nesta quarta (25) acusado de atrapalhar as investigações do esquema de corrupção na Petrobras, a mesma solidariedade dedicada a Vaccari, Rui afirmou: "Existe uma diferença clara entre atividade partidária e não partidária". 

Após a prisão de Delcídio, o presidente do PT emitiu nota para dizer que o partido "não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade" a ele. Segundo Falcão, que se diz "perplexo" com os fatos que levaram o Supremo Tribunal Federal a ordenar a prisão do senador, as tratativas atribuídas a Delcídio "não têm qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado". 

Na avaliação do PT, Vaccari agiu em nome do partido. Delcídio, não. O presidente do partido não quis comentar as críticas que recebeu da bancada do partido por ter negado solidariedade ao petista.Na nota, Falcão sinalizou ainda com a hipótese de abertura de um processo na comissão de ética do PT, o que poderia culminar com a expulsão de Delcídio. 

"É natural [essa reação negativa da bancada]. Só vou me manifestar agora na reunião da Executiva do partido", disse, recomendando que os jornalistas ouçam o líder da bancada sobre a reação à nota.
Falcão disse que ainda não há data para a reunião em que será discutida a situação de Delcídio.O presidente do partido participa de evento realizado pela CUT, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fechado à imprensa. Lula entrou na sede da central sem dar declarações. 

O CASO
Nesta quarta (25), pela primeira vez desde a redemocratização, em 1985, o Supremo Tribunal Federal mandou prender um senador no exercício de seu mandato. Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, foi detido de forma preventiva pela Polícia Federal acusado de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. A Corte ordenou ainda a prisão temporária de André Esteves, principal sócio do banco BTG, com validade de cinco dias. A prisão de Delcídio é preventiva, sem data para ser relaxada. 

Relator da Lava Jato, o ministro Teori Zavascki afirmou que o petista ofereceu mesada de R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada. Além disso, Esteves garantiria outros R$ 4 milhões. 

O esquema, que envolveria a fuga de Cerveró para a Espanha, via Paraguai, foi revelado a partir de uma gravação feita às escondidas por Bernardo, filho do ex-diretor. A gravação revela diálogos com a participação de Delcídio e do advogado Edson Ribeiro, que também teve a prisão decretada. 

Preso em Curitiba, Cerveró acertou sua delação premiada. Uma das acusações que ele faz é a de que a presidente Dilma Rousseff sabia de irregularidades na Petrobras. O potencial explosivo das revelações que Cerveró ainda poderá fazer preocupa o governo.

Cerveró confessa em gravação que Dilma sabia de Pasadena.


O áudio que embasou a prisão do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), sugere que o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró fez acusações à presidente Dilma Rousseff em sua delação premiada. Na reunião gravada por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor, Delcídio afirma ter visto uma versão da proposta de acordo de Cerveró em uma conversa que teve com o dono do BTG Pactual, André Esteves, na qual em anotações manuscritas haviam acusações à presidente. Matéria de O Globo.

– Por exemplo, no tópico da Dilma, ele complementa, então ele bota assim: a Dilma sabia de todos os movimentos de Pasadena – diz o senador, no áudio.

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Delcídio fala para Bernardo e o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, que acredita que a letra era do
– No caso da Dilma, ele (Cerveró) diz: a Dilma sabia de tudo de Pasadena, ela me cobrava diretamente, fiz várias reuniões – afirma Delcídio. – Ele fala da Dilma dizendo que a Dilma acompanhou tudo de perto – reitera o senador, em outro momento.

Cerveró foi diretor da área internacional da Petrobras até 2008, seguindo depois para a diretoria financeira da BR Distribuidora. Seu nome ganhou destaque depois que em março do ano passado a presidente Dilma o acusou de ter feito um parecer "técnico e juridicamente falho" para embasar a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

As menções a Dilma no áudio são feitas enquanto o senador e as demais pessoas reunidas tentam descobrir de quem seriam as anotações no rascunho da delação que Esteves possuía. Eles chegam a conclusão que a letra pode ser de Cerveró e que o papel possa ter sido “roubado” na carceragem da Polícia Federal, onde o ex-diretor estava preso.

Mesmo considerando a situação indefensável, 9 petistas votaram a favor do companheiro corrupto.



Após a liberação da gravação que motivou a prisão do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), o Palácio do Planalto passou a tratar da situação como "indefensável", nas palavras de um auxiliar presidencial. Pela manhã, ainda com informações preliminares sobre a prisão do senador, o governo estava cauteloso, mas o áudio foi considerado trágico por integrantes do governo. A matéria é de O Globo.

Oficialmente, o Planalto só se pronunciou sobre a decisão da presidente Dilma Rousseff de substituir Delcídio interinamente pelos quatro vice-líderes do governo no Senado. A volta de Delcídio ao posto de líder é considerada no Palácio do Planalto como praticamente sepultada. 

O dia foi de reuniões de emergência entre a presidente, ministros e assessores. O clima, segundo relatos ao GLOBO, era de permanente incredulidade com as revelações e o sentimento, de gravidade da situação do petista.

Logo cedo, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner se reuniu com os ministros Edinho Silva (Comunicação Social) e Ricardo Berzoini ( Secretaria de Governo) em seu gabinete no Palácio do Planalto para discutir a situação de Delcídio.

O entorno de Dilma optou por não se manifestar sobre o caso, com a intenção de isolar Delcídio da Presidência, tratando as articulações do petista para calar Nestor Cerveró como atos de desespero do senador, algo desconhecido do governo.

A Secretaria de Governo informou, por meio de nota oficial, que os quatro vice-líderes do governo no Senado : Hélio José (PSD-DF), Paulo Rocha (PT-PA), Wellington Fagundes (PR-MT) e Telmário Mota (PDT-RR) assumirão interinamente o papel de líderes do governo até o fim desta semana. E que na próxima semana a presidente Dilma Rousseff irá escolher um novo líder do governo no Senado para substituir definitivamente o senador Delcídio Amaral, preso na manhã desta quarta-feira.

EM NOTA, PT NEGA SOLIDARIEDADE
O PT divulgou nota, na tarde desta quarta-feira, em que diz que “não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade” ao líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS). Assinado pelo presidente da legenda, Rui Falcão, o comunicado afirma ainda que uma reunião da Executiva da legenda será convocada para tomar medidas contra o parlamentar.

“Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador tem qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado”, afirma a nota. “Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade”, prossegue o comunicado do PT.

De acordo com o partido, a reunião da Executiva para discutir as medidas que considerar “cabíveis” contra o senador será marcada num curto espaço de tempo. Rui Falcão se disse ainda “perplexo com os fatos que ensejaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ordenar a prisão” de Delcídio.

Senado decide que um Delcídio corrupto confesso deve ficar preso. PT abandona o companheiro em nota oficial.

Em sessão histórica, o Senado decidiu, por 59 votos a 13, além de uma abstenção, manter a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), referendando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O PMDB liberou a bancada; o PT votou contra a decisão do Supremo; o PDT liberou a bancada, e os partidos de oposição - PSDB, DEM, PSB e REDE -encaminharam pela pela prisão. Matéria de O Globo.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no entanto, não deixou de expressar sua contrariedade. Ele disse que se curvava à decisão pela votação aberta, mas avisou que seu papel é de defender as prerrogativas do Senado e que não considerava democrático um senador em pleno exercício do mandato ser preso. Renan estava visivelmente irritado com a decisão pela manutenção da prisão. 

- Eu me curvo à decisão do Senado, mas, enquanto estiver aqui, vou defender as prerrogativas do Legislativo. Tenho que defender, é meu dever. A polícia vir aqui cumprir mandato é democrático. O que não é democrático é prender um congressista no exercício do mandato. Não posso concordar com isso. O equilíbrio dos Poderes não permite a invasão permanente (das prerrogativas), porque causará no futuro danos à democracia - disse Renan. 

Para Renan, o Senado, "em boa hora", decidiu pela votação aberta, já que o STF dera liminar neste sentido.- Mas, com todo respeito, o Supremo não precisaria decidir isso. O Legislativo tem que ser Legislativo, quem quiser abrir mão das prerrogativas, que abra. Essa Praça aqui, essa Praça dos Três Poderes, não colocou nenhum Poder no meio. De cada lado fica um Poder. A ocupação deste espaço deve ser harmônica - disse Renan. 

Os senadores, apesar de referendar a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), fizeram um desabafo sobre o constrangimento de estar votando contra um colega. O presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), disse que o momento é o de maior constrangimento de sua vida. - Estou vivendo o maior constrangimento da minha vida parlamentar. De estar votando contra o coração, mas a favor da razão. Custei a acreditar: que o meu amigo Delcídio Amaral estava preso - disse Agripino. 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), defendeu a favor de Delcídio, para sua liberação.- A posição da nossa bancada é de votar contra (a decisão do Supremo). O que está em discussão é se um Poder pode mandar prender um parlamentar no exercício do seu mandato. É isso que está em discussão. Posso até estar dando adeus à minha vida pública, espero que não. Mas jamais poderia dar adeus à democracia e à Constituição - disse Humberto Costa. 

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) expressou o sentimento dos senadores da oposição.- É com profundo sofrimento que tenho que encaminhar essa questão. O Delcídio é uma pessoa valorosa.

O PT, em sua nota, foi incapaz de reconhecer o seu valor. Não fosse sua atuação como líder do Governo, seguramente o governo teria sofrido muito mais derrotas aqui. Ele merece a consideração da nossa bancada pela função que cumpre e cumpriu aqui - lamentou Aloysio. 

Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou a decidir por votação secreta, mas resolveu colocar essa decisão em votação do Plenário, que encaminhou pelo voto aberto. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), foi a única liderença a defender o voto secreto. 

Ao mesmo tempo em que o Senado decidiu pelo voto aberto, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o voto aberto em resposta ao mandado de segurança impetrado pela oposição. Delcídio foi preso na manhã desta quarta-feira acusado de conluio com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o advogado Edson Ribeiro para que o ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró não firmasse acordo de delação premiada na Lava-Jato. 

RENAN CRITICOU NOTA DO PT
Renan Calheiros foi aplaudido ao criticar a nota do presidente nacional do PT, Rui Falcão, sobre a prisão do senador. - A nota do PT, além de intepestiva, é uma nota oportunista e covarde.Em seguida, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse que a nota não representava a posição da bancada do PT. E encaminhou a favor da decisão de Renan pela votação secreta. 

- Essa nota (de Rui Falcão) não passou pelo PT, mas o presidente tem o dever de se posicionar. Mas não necessariamente reflete o posicionamento da nossa bancada. Temos absoluta convicção de que os fatos são gravíssimos. Mas encaminhamos em favor de sua decisão (de fazer votação secreta) - disse Humberto Costa.

O líder do PMDB, senador Eunício Olveira (CE), liberou a bancada do PMDB. Ou seja, nem o partido de Renan referendou a decisão do presidente da Casa. - O PMDB libera sua bancada - disse Eunício. 

Logo no início da sessão, os senadores Cássio Cunha Lima (líder do PSDB), Randolfe Rodrigues (líder da Rede) e o senador Reguffe (PDT-DF) apresentaram questão de ordem a Mesa presidida por Renan Calheiros (PMDB-AL) pedindo a aplicação do artigo 53 da Constituição, que foi alterado para derrubar o voto secreto. O argumento é o mesmo usado no mandado de segurança impetrado no STF pelos partidos de oposição para garantir o voto aberto.

O líder tucano argumentou que a intenção do legislador em 2001, ao derrubar a possibilidade de voto secreto para os casos de prisão de parlamentar, era instituir o voto aberto e excepcionalizar apenas para aprovação de autoridades. Na revisão constitucional de 2001, o legislador retirou o adjetivo “secreto” e, segundo Cunha Lima, a intenção era instituir o voto aberto.

- Caso a Mesa caminhe para a votação secreta, esses votos poderão ser revelados futuramente, o voto secreto pode ser aberto. A intenção do legislador foi nítida e transparente ao retirar o adjetivo secreto para permitir o voto aberto, o que passou a ser a regra. A melhor trilha é a da Constituição. Esse não é o momento de confrontar as instituições. Temos que agir com absoluta prudência e serenidade - discursou Cássio Cunha Lima ao defender sua questão de ordem.

O líder da Rede, Randolfe Rodrigues, que também assinou o mandado se segurança impetrado no Supremo, encaminhou a mesma questão de ordem no plenário. - Vivemos um momento dramático no Congresso Nacional. Esse não é um momento de agradar os amigos do senador Delcídio, o momento é de separar as relações pessoais e o espírito de corpo para preservar as instituições e o estado de direito. Os ministros do Supremo decidiram a prisão em sessão aberta, pelo voto aberto. Não é prudente que nós, que viemos para cá pelo voto popular, decidamos essa questão pelo voto secreto - defendeu Randolfe Rodrigues. 

O senador Reguffe apoiou as duas questões de ordem de Cássio e Randolfe, e apresentou uma terceira, pedindo que, em caso de a Mesa decidir pelo voto secreto, que o plenário delibere sobre essa decisão, e valeria a vontade da maioria, sobre o uso do voto aberto ou fechado.

- Se aparecer ali o voto secreto, o povo tem o direito de pensar que o meu voto sim, no fundo possa ser um voto não . Enfrentemos de peito aberto a Justiça dizendo que quer vê-lo solto. Ou enfrente de peito aberto o Delcídio ao dizer que quer que ele continue na prisão. Eu quero que meu eleitor saiba como eu votei. Quero ser fiscalizado e quero meu voto aberto -apelou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

JADER E LÍDER DO GOVERNO DEFENDEM VOTO SECRETO
Preso em 2002 como ex-senador, Jader Barbalho (PMDB-PA) subiu a tribuna da Casa para defender abertamente a votação secreta. Como argumento, afirmou que hoje o Senado aprecia a questão da prisão de Delcídio, mas, depois, pode ter de se debruçar sobre casos de outros senadores. Além disso, declarou que não se deve dar atenção à opinião pública.

- O que está em jogo não é o drama que passa Delcídio Amaral, mas a vida do Senado - discursou.- Este é o episódio de hoje, mas Deus poupe o Senado de viver outros episódios. Deus queira que não tenhamos a dificuldade de examinar outros episódios.

Lembrando o caso da cassação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), a quem não citou nominalmente, mas qualificou como falso moralista, Jader disse ter ojeriza às palmatórias do mundo- Tenho ojeriza a palmatórias do mundo, particularmente os moralistas e falsos moralistas. O cemitério está cheio de insubstituíveis e vaidosos. 

Jader disse que esperou que outro colega subisse a tribuna para defender o voto secreto, mas, como ninguém o fez, ele se animou. E afirmou que não teme a opinião pública.

O plano de fuga de Cerveró bolado por Delcídio e pago pelo banqueiro.


A Folha de São Paulo publica um diagrama bem didático sobre o plano de fuga de Nestor Cerveró bem como o diálogo sobre influência do senador corrupto sobre ministros do STF. Leia aqui. 

AQUI NOVOS TRECHOS PUBLICADOS PELO G1. OUÇA AQUI O ÁUDIO DEMOLIDOR<

Pagamento mensal de R$ 50 mil a Cerveró
Sobre o acordo de pagamento mensal à família de Cerveró, o documento enviado por Janot ao STF traz trecho de uma conversa entre Delcídio, o advogado Edson Ribeiro e o filho do ex-diretor da Petrobras.

Para Janot, com a conversa, fica "induvidoso que essas pessoas não estão medindo esforços para influir nos itinerários probatórios da Operação Lava Jato".
 
"Só pra colocar. O que que eu combinei com o Nestor que ele negaria tudo com relação a você [Delcídio] e tudo com relação ao (...). Tudo. Não é isso?", questiona o advogado Edson Ribeiro.
"Tá acertado isso. Então não vai ter. Não tendo delação, ficaria acertado isso. Não tendo delação. Tá? E se houvesse delação, ele também excluiria", complementa.

"É isso", confirma o senador. “E aí a gente encaminha as coisas conforme o combinado. Vê como é que vai ser a operação de que jeito contratualmente, aquilo tudo que eu conversei com você”, diz.
Ao final da conversa, Delcídio se refere ao filho de Cerveró e afirma: Bernardo, esse é o compromisso que foi assumido, né? E nós vamos honrar”.

Interferência no STF
No pedido de prisão enviado ao STF, Janot transcreve trechos das conversas de Delcídio do Amaral com o filho de Nestor Cerveró. Em um dos trechos, o senador diz que precisa "centrar fogo no STF", referindo-se a ministros com quem teria conversado para tentar blindar o ex-diretor da Petrobras.
“Eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori [Zavascki], conversei com o [Dias] Toffoli, pedi para o Toffoli conversar com o Gilmar [Mendes], o Michel [Temer] conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o [Jorge] Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também”, disse Delcídio.

Após a PGR disponibilizar trechos das conversas de Delcídio que serviram como base para a prisão dele, a assessoria de imprensa do vice-presidente Michel Temer informou que ele “jamais” tratou desse tipo de tema com Delcídio do Amaral.

Além disso, após sessão do STF, o ministro Dias Toffoli declarou que a Corte "não vai aceitar nenhum tipo de intrusão nas investigações que estão em curso" e o ministro Gilmar Mendes negou ter recebido “apelo” para ajudar Cerveró. “Não tive oportunidade de receber qualquer referência em relação a esse fato”, disse.

Plano de fuga
Em outro trecho da conversa entre Delcídio e o filho de Cerveró, o petista afirma que o “foco” deve ser tirar o ex-diretor da Petrobras da prisão. “Agora a hora que ele sair tem que ir embora mesmo”, sugere o senador.

Logo depois, o filho de Cerveró diz ao petista que estava pensando em uma rota de fuga pela Venezuela e que o “melhor jeito” seria fugir em um barco. Pouco depois, Delcídio sugere, então, que a melhor rota de fuga seria pelo Paraguai.

“Tem que pegar um Falcon 50 [modelo de avião], alguma coisa assim. Aí vai direto, vai embora. Desce na Espanha”, afirma Delcídio. “Falcon 50, o cara sai daqui e vai direto até lá”, complementa.

Quem será o novo líder do PT, o partido dos corruptos confessos?


Delcídio era o líder do PT no Senado. Está vendo o sol se por no quadrado. Preso e tendo contra si  uma prova definitiva, em gravação. Fala aí, Dilminha Paz e Corrupção. A pergunta é: quem vai representar a quadrilha no Senado? A matéria é do Broadcast Político.

Após a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), o Palácio do Planalto e o PT já começam a discutir um nome para substituí-lo na liderança do governo no Senado.

Ainda atônitos com o que ocorreu, os senadores do PT se reúnem nesta manhã para avaliar a situação do correligionário. O senador José Pimentel (PT-CE), atual líder do governo no Congresso, deve acumular as duas funções temporariamente. Ele já teria sido chamado para conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre o assunto.

A prisão de Delcídio acontece num dia importante para o governo, que esperava votar nesta quarta-feira, 25, o projeto de alteração da meta fiscal. O mais provável, diante do clima de estabilidade, é que a sessão do Congresso seja adiada.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a prisão do senador petista depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato. Delcídio é o primeiro senador preso no exercício do cargo.

Vamos ver do que é feito o nosso Senado.


Caberá ao plenário do Senado decidir sobre a prisão do líder do governo na Casa, senador Delcídio Amaral (PT-MS). De acordo com a Constituição Federal, desde a expedição do diploma, deputados federais e senadores não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. A matéria é do Broadcast Político.

Nesses casos, os autos serão remetido dentro de 24 horas à Casa Legislativa respectiva - no caso de Delcídio, o Senado - para que, por voto da maioria dos membros, resolva sobre a prisão. Caberá ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), outro alvo da Operação Lava Jato, conduzir a sessão que decidirá o futuro de Delcídio.

É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo.

Logo mais às 9 horas, a Turma do Supremo Tribunal Federal que têm decidido as questões da Operação Lava Jato se reúne em sessão extraordinária e, provavelmente, deve discutir medidas referentes à prisão de Delcídio.

Lava Jato pega primeiro tubarão político. Senador do PT Delcídio Amaral preso pela PF.


O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo na Casa, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal. A operação foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato. A informação é de Mônica Bergamo, da FSP.

Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria envolvido nas irregularidades. 

Delcídio havia sido citado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que o acusou de participar de um esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. O senador teria até mesmo oferecido possibilidade de fuga a Cerveró em troca de ele não aderir ao acordo de colaboração com a Justiça, revelando as irregularidades da operação. A conversa foi gravada por um filho de Cerveró. 

É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime flagrante. Neste tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento. 

O Senado deve ter que confirmar a prisão de Delcídio. A Constituição estabelece que em casos de prisão em flagrante "os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão". 

STF
Além de Delcídio, o STF também autorizou a prisão do chefe de gabinete do senador e do advogado Edson Ribeiro, que trabalhou para Cerveró. Também há autorização para buscas na casa do petista em Mato Grosso do Sul. 

A decisão de Teori atende a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ministro pediu que fosse convocada para a manhã desta quarta a realização de uma sessão extra da segunda turma do tribunal, que é responsável pelos casos que envolvem o esquema de corrupção da Petrobras. No encontro, ele deve discutir as prisões. 

Neste terça, o ministro chegou a telefonar para o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, comunicando sobre a reunião extraordinária e também se reuniu com colegas da segunda turma de forma reservada. A ideia é dividir o peso da reunião de prender um senador, que só poderia ser preso em flagrante. Um dos argumentos para a prisão seria que a obstrução das investigações e integrar uma organização criminosa torna o crime permanente e flagrante facilitado.