Partidos do bloco de oposição ao governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), na Assembleia Legislativa do Estado e parlamentares que apoiam o governo da presidente Dilma Rousseff no Congresso organizaram um protesto e pedem explicações ao Executivo mineiro sobre uma prova aplicada a alunos da rede estadual de ensino. Em uma das questões de uma prova do Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é retratado em charge entregando dinheiro a políticos. Leia mais no Radar Político do Estadão. Aquele do lado esquerdo não é a cara do José Dirceu?
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Não eram sem terra. Eram sem nada.
O tiro saiu pela culatra. A Bolsa Família desmascarou o MST. O que todos sabiam, que ali não havia sem terra, mas sem comida, sem casa, sem emprego, sem nada, ficou comprovado. É o fim das FARC brasileiras, o fim do MST, os exploradores de miseráveis. Veja a matéria do Estadão:
Ao avaliar que 2010 foi o pior ano para a reforma agrária, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, apontou o programa federal Bolsa Família como um dos fatores que levaram à redução do número de acampamentos de sem terra no País. "É verdade, o Bolsa Família ajudou a acomodar as pessoas em algumas regiões", afirmou ele nesta quinta-feira, 7, em entrevista coletiva, no Recife. Segundo ele, nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula, a média anual de ocupações era de 280. Nos oito anos do governo Lula havia 200 mil famílias acampadas no País. Atualmente, são 80 mil - 60 mil delas do MST.
Brasil, o segundo país do mundo que mais aprova o capitalismo.
Depois da Alemanha, praticamente empatado, o Brasil é o país que mais aprova o capitalismo. Mais do que os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. A pesquisa é da Globescan , do Canadá, publicada pelo El País. Clique na imagem para ampliar e ler.
Dilma lança o PAC III: 3% de IOF nos empréstimos.
O governo eleva a partir de sexta-feira o IOF para empréstimos tomados por pessoas físicas de 1,5% para 3% ao mês, anunciou nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A medida, segundo ele, tem o objetivo de conter a inflação. O novo IOF vale para todas as modalidades de crédito, incluindo o imobiliário e o rotativo do cartão de crédito. "Estamos moderando o aumento de crédito ao consumidor que, neste início de ano, está crescendo em torno de 20%. É uma velocidade um poco elevada."Leia mais aqui.
O novo DEM sem a faca nos dentes.
Aparte do Senador José Agripino Maia(DEM-RN), presidente do Democratas, após o discurso de Aécio Neves (PSDB-MG), ontem, no Senado:
Senador Aécio Neves, como V. Exª é referência na política do Brasil, V. Exª enche este plenário de Senadores de todos os Partidos, de Deputados Federais de muitos Partidos, de muitos admiradores de V. Exª, que vêm aqui, para ouvir o discurso que o Brasil esperava e que não é um discurso de confronto, nem de estímulo à polêmica inconsequente. É um discurso equilibrado, moderno, civilizado, que é a cara de V. Exª. V. Exª é um homem que transita, que sabe transitar, que sabe conviver com civilidade. Foi por isso que Minas Gerais, o seu Estado, trouxe V. Exª para este Senado, com uma votação que é o retrato do reconhecimento de um comportamento político, administrativo e ético. V. Exª fala, portanto, com a autoridade do êxito que obteve por onde passou.
Senador Aécio Neves, como V. Exª é referência na política do Brasil, V. Exª enche este plenário de Senadores de todos os Partidos, de Deputados Federais de muitos Partidos, de muitos admiradores de V. Exª, que vêm aqui, para ouvir o discurso que o Brasil esperava e que não é um discurso de confronto, nem de estímulo à polêmica inconsequente. É um discurso equilibrado, moderno, civilizado, que é a cara de V. Exª. V. Exª é um homem que transita, que sabe transitar, que sabe conviver com civilidade. Foi por isso que Minas Gerais, o seu Estado, trouxe V. Exª para este Senado, com uma votação que é o retrato do reconhecimento de um comportamento político, administrativo e ético. V. Exª fala, portanto, com a autoridade do êxito que obteve por onde passou.
E fala com muito equilíbrio. Fala de passado, mas principalmente de um Brasil melhor. Aqui, ninguém está discutindo resultado de eleição, nem processo eleitoral. Aqui, está-se discutindo um Brasil melhor. Senador Aécio Neves, eu estou aqui há quatro mandatos. Esta tarde, para mim, é uma tarde importante, porque eu vi, nas manifestações dos Senadores do Governo, o desejo do debate, do debate construtivo em favor do Brasil. Espero que isso aconteça, porque, veja V. Exª: o Plano Real, contra o qual o Partido dos Trabalhadores se manifestou, custou aos governantes e ao País sacrifícios pesados. Não foi fácil para administradores públicos enfrentarem as consequências da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é um pilar importante no combate à inflação e no Plano Real. O equilíbrio das contas públicas foi outro dado importante. O câmbio flutuante, a responsabilidade do Banco Central em fazer uma política monetária autônoma, tudo isso foi custoso ao Brasil, que conseguiu debelar a inflação. É a grande conquista desta sequência de governos, de Fernando Henrique, Itamar Franco e do Presidente Lula, que agiu com responsabilidade: segurar a inflação em patamares civilizados.
Ocorre, Senador Aécio Neves, que agora, e V. Exª coloca com muita precisão, é preciso que a oposição seja ouvida. Presidente Sarney, mais importante que o debate é que as ideias sejam ouvidas e respeitadas, que sejam consideradas. E o que V. Exª coloca, Senador Aécio Neves, são ideias de modernidade, para que este País vá para frente, porque não se vai combater inflação com aumento da taxa de juros ou com corte de investimentos. A inflação vai ser combatida é com a prática de gasto público de qualidade; é com o que V. Exª coloca na questão tributária, que vai dar produtividade ao Brasil e competitividade a nossa economia; é uma infraestrutura, como V. Exª fez no Estado de Minas Gerais. O que é preciso é que as ideias que aqui foram colocadas, ao lado da crítica, sejam respeitadas, sejam ouvidas e que sirvam de orientação, como política de governo. Governo é feito de governo e de oposição – e, quando falo em governo, refiro-me ao Estado –, governo e oposição se respeitando. De modo que, com essa consideração, quero aplaudir, mais do que o teor do discurso de V. Exª, o tom em que V. Exª coloca o debate: todos em favor do Brasil! Mas que as ideias sejam ouvidas e consideradas, e não, de forma emocional, rebatidas. Acho que, neste primeiro momento, V. Exª consegue estabelecer um diálogo em favor do Brasil. Cumprimentos a V. Exª em nome do meu partido.
Uma oposição mansa e elegante.
Leiam, abaixo, a coluna de Dora Kramer, publicada hoje no Estadão:
Punhos de renda
O senador Aécio Neves mostrou prestígio ao levar políticos em profusão para ouvi-lo no plenário do Senado, mas não conseguiu produzir o impacto nem o despertar da oposição que a tropa governista parecia esperar, muito menos deu razões ao governo para perder um segundo de seu sereno sono. Tépido na forma e repetitivo no conteúdo, passando ao largo de questões essenciais para o exercício da oposição como a independência do Legislativo em relação ao Executivo, o discurso acabou proporcionando aos senadores aliados ao Palácio do Planalto uma oportunidade excelente de mostrar vigor e afinação. Muito diferente das legislaturas anteriores quando, principalmente no primeiro mandato do ex-presidente Lula, a oposição fazia do Senado sua cidadela, ocupando a tribuna tardes a fio em ataques sem que aparecesse um senador para defender o governo.
Ontem à tarde o batalhão estava afiadíssimo: Aécio mal tinha subido à tribuna e a senadora Gleisi Hoffmann, do PT, pediu um aparte, concedido ao final assim como aos demais. Concluída a fala em que Aécio pontuou sua disposição de se opor sem se confrontar com os adversários, os governistas apresentaram suas armas de defesa dos governos Lula e Dilma Rousseff sem o menor constrangimento de fazer isso em clima de franca confrontação. Em meio a elogios à “elegância” e ao “equilíbrio” do discurso e sem disfarçar o alívio pela tepidez do opositor, a tropa governista atacou as privatizações, ironizou a tibieza do PSDB em defender o governo FH, acusou várias vezes Aécio de ter sido injusto com a gestão de Lula e, pela voz do senador Jorge Viana, ainda afirmou que o orador simbolizava a oposição que todo governo gostaria de ter.
Da parte dos oposicionistas, exaltações algo exageradas ao “brilhantismo” do pronunciamento “de estadista” e uma evidente avidez por alguém que os represente. E assim, independentemente de Aécio Neves reunir ou não os atributos necessários por avaliação exigente, o senador se apresentou e dessa forma foi recebido por governistas e oposicionistas. Poucos, entre eles Pedro Taques, Marinor Brito e Demóstenes Torres, consideraram que a confrontação não é necessariamente um mal. Antes pode ser essencial à condução dos trabalhos de questionamentos doutrinários, programáticos, bastante mais inquietantes que a redução de alíquotas de impostos, transferência de gestão de estradas, revisão da Lei das Micro e Pequenas Empresas etc.
Temas importantes, mas nas circunstâncias em que a oposição precisa de mobilização política, liderança vigorosa, energia para recuperar o tempo perdido, encontrar o rumo para poder seguir adiante, o desempenho de Aécio deixou no ar um aroma de anticlímax. Não por defeito, mas por ausência de um atributo pessoal que poderia ser chamado de borogodó de tribuna. Aécio não tem. Mário Covas tinha. As saudações superlativas soaram artificiais, traduziram a avidez por um porto seguro onde os oposicionistas possam se agarrar, além de revelarem a amplitude amazônica do deserto de homens e ideias reinante na política nacional.
Aos poucos, as mentiras contra o novo Código Florestal vão caindo.
Sobra, no editorial de O Globo, publicado abaixo, apenas um erro crasso, que demonstra muito bem o quando até mesmo a opinião de um grande jornal pode estar pautada equivocadamente: o novo Código Florestal não dá qualquer anistia de crime ambiental, apenas substitui multas administrativas por obrigações de regularização, como o próprio Decreto Federal 7.029 de Dezembro de 2009 já prevê.
Este decreto já prevê que um Plano de Regularização Ambiental definará como a área desmatada deva ser regularizada. No caso de multas já emitidas, se o produtor cumprir todas as obrigações do Plano de Regularização Ambiental, as multas serão canceladas. Caso não se cumpra o PRA, elas serão cobradas. Por outro lado, caso não seja adotado o Plano de Regularização Ambiental no prazo de 5 anos, a propriedade deverá ser adequada observando todos os critérios e limites estabelecidos diretamente na lei federal, além do agravamento da situação criminal nessa hipótese. Clique na imagem para ampliar e ler.
Sobem álcool, comida, juros, gasolina e inflação. É o "crescimento sustentado" da Dilma. Por nós, que pagamos a conta.
A Petrobras mudou o discurso e considera subir os preços dos combustíveis. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, disse ontem que, se os preços do petróleo permanecerem no atual patamar, haverá reajuste. Na semana passada, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, havia dito que a estatal não faria nenhuma alteração no preço. Ontem, porém, Gabrielli se mostrou preocupado. "Caso se configure uma estabilização do petróleo no mercado internacional, nós teremos de alterar os preços do petróleo e de derivados no Brasil", disse, em São Paulo.
Apesar da afirmação de Gabrielli, Guido Mantega negou que haverá reajuste. Durante entrevista para anunciar medidas cambiais, o ministro foi questionado se estaria preocupado com um aumento de preço. "Eu não estou preocupado com a alta da gasolina porque não há alta de gasolina." Os jornalistas então informaram ao ministro da Fazenda que a Petrobras sinalizou aumento no combustível. Ele, no entanto, insistiu em que não haveria reajuste. "Não há alta da gasolina no Brasil e não está prevista nenhuma alta", afirmou.
Apesar da afirmação de Gabrielli, Guido Mantega negou que haverá reajuste. Durante entrevista para anunciar medidas cambiais, o ministro foi questionado se estaria preocupado com um aumento de preço. "Eu não estou preocupado com a alta da gasolina porque não há alta de gasolina." Os jornalistas então informaram ao ministro da Fazenda que a Petrobras sinalizou aumento no combustível. Ele, no entanto, insistiu em que não haveria reajuste. "Não há alta da gasolina no Brasil e não está prevista nenhuma alta", afirmou.
Informações da Folha de São Paulo.
No voto.
Se não produziu consenso quanto ao que fazer, a reunião de ontem no Planalto sobre o novo Código Florestal serviu para conscientizar Izabella Teixeira (Meio Ambiente) de algo que já estava claro para os colegas Antonio Palocci (Casa Civil), Wagner Rossi (Agricultura) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário): os ruralistas têm votos mais do que suficientes para aprovar, tal como está, o texto do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). Até a próxima reunião dos ministros, na semana que vem, a ideia é tentar obter acordo interno sobre itens como anistia para desmatadores -talvez por critério de tamanho da propriedade. E contar com alguma boa vontade do relator. A informação é do Painel da Folha.
Lula ainda não teve tempo de "dar uma olhada" nas novas provas do Mensalão. Deve estar trabalhando muito.
Lula firmou, ontem, depois de palestra paga pela Microsoft, que se as provas que foram apresentadas pela Polícia Federal forem incorporadas ao processo da sofisticada organização criminosa do Mensalão, que desviou dinheiro público para comprar maioria no seu governo, ele será julgado apenas em 2050. A matéria abaixo é da Folha de São Paulo.
O ex-presidente Lula desprezou ontem o impacto do novo relatório da Polícia Federal que aponta o uso de dinheiro público no mensalão. Ele afirmou que, se o documento for incorporado aos autos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o processo "só vai ser julgado em 2050". O relatório não faz parte da ação penal do mensalão, em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal), mas traz novidades em relação a pontos-chaves da investigação. O documento, revelado pela revista "Época", confirma o uso de recursos públicos na "montagem de redes de influência" do governo. Afirma que dinheiro do fundo Visanet, do Banco do Brasil, abasteceu contas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de operar o mensalão. O relatório traz ainda a informação de que Freud Godoy, ex-assessor de Lula, afirmou em depoimento que Valério bancou despesas com segurança de sua campanha presidencial em 2002.
PALESTRA
PALESTRA
Lula falou a jornalistas em Washington (EUA), após dar palestra remunerada em evento da Microsoft. Disse que não "teve chance de dar uma olhada" no relatório -nem pretende. "Não sou advogado", justificou. O ex-presidente afirmou que o documento, que associa 17 novos nomes ao caso, não é um "relatório final". "Não se sabe se o ministro Joaquim [Barbosa] vai receber ou não, se aquilo vai entrar nos autos [da ação]." Em seguida, sugeriu que a lentidão da Justiça pode comprometer o processo. "Se entrar, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar. Então, vai ser julgado em 2050. Então, não sei se vai acontecer." A expectativa hoje é que a ação principal, que tem 38 réus e não inclui Lula, seja julgada no ano que vem.
MUDANÇA DE TOM
Depois que o caso foi revelado pela Folha, em junho de 2005, Lula disse se sentir traído "por práticas inaceitáveis", das quais não teria conhecimento prévio. "Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia e chocam o país", disse, em agosto daquele ano. Em 2006, definiria o caso como "uma facada nas costas". Com passar do tempo, mudou o tom e passou a questionar a existência do esquema. Chegou a chamar o escândalo de "maior armação já feita contra um governo". Ontem, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, indicou que não deve pedir a inclusão do novo relatório ao processo do mensalão. "Está havendo um equívoco em relação a esse relatório", disse. "Ele cuida de fatos específicos de um inquérito que não é hoje a ação penal do mensalão."
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Não fumou, não tragou, mas concorda que é muito sa-bo-ro-so.
Abaixo, declarações do ex-ministro que cuidava do tráfico de drogas no Brasil, em palestra em uma universidade:
(...) Por exemplo, as pessoas terem tolerância com a cannabis sativa é diferente do que com a heroína. A maconha há especialistas que dizem que faz menos mal do que cigarro. Dizem. Eu nunca vi uma pessoa matar por ter fumado um cigarro de maconha”, detalhou Tarso Genro, depois de uma pergunta genérica sobre entorpecentes. O governador havia começado a resposta avaliando que a legalização não ajudava a combater “um quadro de transformação da droga em dinheiro, dinheiro em droga, droga em poder, poder em política e assim por diante”.
(...) Não tenho nenhum preconceito. Na minha época, a gente não fumava maconha, não era porque não tivesse vontade, era porque as condições que a gente vivia e trabalhava na clandestinidade (era a época anterior ao golpe militar e, depois, a da ditadura) não era preciso adicionar mais nenhuma questão de insegurança. Dizem que é muito saboroso.
Para o blogueiro Tambosi.
O meu colega de blogosfera e vizinho catarinense Orlando Tambosi pergunta, sobre ter revelado, no post abaixo, em que condição estive no Senado:
Ei, Coturno, você esteve lá como blogueiro ou como assessor de alguém? Nenhuma reprimenda, é claro, qualquer que seja a resposta. Se for assessor, porém, acho que deveria deixar claro. Acho que algumas ideias devem ser defendidas com unhas e dentes.
Respondo: obviamente que fui como blogueiro, mas entendi o sentido da pergunta e não tenho nenhum problema em responder. Como estava em Brasília, fui convidado por um camarada do DEM para visitar o Senado. Entrei como visitante, fui aceito na tribuna de honra por que havia lugar . O nome do camarada do DEM não posso dar, por motivos óbvios. Um abraço.
Entre o discurso do Aécio e o discurso da Kátia Abreu ...
Como estou em Brasília, tive o prazer de assistir, da tribuna de honra do Senado,(podre de chique) ao discurso da Kátia Abreu (futuro PSD) e sair antes do discurso do Aécio Neves (PSDB-MG)
Senhor Presidente, Senhoras e senhores senadores,
A história contemporânea brasileira se move por ciclos. Tivemos o período militar, de 1964 a 1984; a redemocratização, a partir de 1985; e o período pós-constituinte, a partir de 1988. Nele estamos há 23 anos. Desde então, foram nada menos que seis eleições presidenciais diretas, em que dois partidos, que pouco diferem em conteúdo programático, se alternaram no poder: o PSDB e o PT. Ambos se apresentam como partidos de viés de esquerda - um é social-democrata; o outro professa um socialismo reformista.
Lembro-me de um debate há alguns anos entre o senador Cristovam Buarque, então no PT, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que ambos admitiam não haver discordância ideológica substancial entre seus partidos. Disputavam apenas, a partir de São Paulo, espaços de poder: não de idéias. As coincidências não se esgotavam aí. Também para chegar ao poder, ambos se valeram da mesma estratégia, de buscar alianças conservadoras, que lhe eram doutrinariamente opostas, mas que lhe favoreciam a chegada ao poder. O PSDB aliou-se ao PFL, hoje DEM, enquanto o PT aliou-se ao Partido Liberal, de José Alencar.
Lembro-me de um debate há alguns anos entre o senador Cristovam Buarque, então no PT, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que ambos admitiam não haver discordância ideológica substancial entre seus partidos. Disputavam apenas, a partir de São Paulo, espaços de poder: não de idéias. As coincidências não se esgotavam aí. Também para chegar ao poder, ambos se valeram da mesma estratégia, de buscar alianças conservadoras, que lhe eram doutrinariamente opostas, mas que lhe favoreciam a chegada ao poder. O PSDB aliou-se ao PFL, hoje DEM, enquanto o PT aliou-se ao Partido Liberal, de José Alencar.
Essas alianças, no entanto, não abriram espaço para que o pensamento liberal ocupasse, ainda que parcialmente, a cena política. O máximo que propiciaram foi a divisão de cargos na máquina estatal. O ideário liberal, que tem na defesa da liberdade individual - e não apenas na defesa da economia de mercado - o seu epicentro, jamais esteve em primeiro plano. Esse tipo de parceria, movido apenas pela ocupação de espaços na máquina pública - e não pela defesa de idéias -, desfigurou doutrinariamente o quadro partidário.
A terminologia direita-esquerda-centro, com suas gradações de centro-direita e centro-esquerda, perdeu conteúdo e significado. O ex-presidente Lula, antes das eleições do ano passado, saudava como sinal de avanço e progresso político o fato de todos os candidatos à Presidência da República, na sua visão, serem de esquerda. Mas, no curso da campanha, seu partido chamava os adversários de “direita”, termo que deixou de designar um campo respeitável do pensamento doutrinário para tornar-se sinônimo de perversão ideológica, num cenário artificial, em que o monopólio do bem e da virtude estaria à esquerda.
A terminologia direita-esquerda-centro, com suas gradações de centro-direita e centro-esquerda, perdeu conteúdo e significado. O ex-presidente Lula, antes das eleições do ano passado, saudava como sinal de avanço e progresso político o fato de todos os candidatos à Presidência da República, na sua visão, serem de esquerda. Mas, no curso da campanha, seu partido chamava os adversários de “direita”, termo que deixou de designar um campo respeitável do pensamento doutrinário para tornar-se sinônimo de perversão ideológica, num cenário artificial, em que o monopólio do bem e da virtude estaria à esquerda.
Por aí, se vê que essa nomenclatura tornou-se inteiramente vazia, gerando mais confusão que esclarecimento, conferindo às campanhas eleitorais contornos de mera disputa mercadológica, em que os marqueteiros despontam como os grandes protagonistas. O resultado é a pobreza e a falsidade do debate político, que aprofundam o abismo entre sociedade e governantes. Hoje, os partidos são identificados não pelo que propõem, mas por sua posição em relação ao governo: oposição ou situação. Aos primeiros, cabe dizer não; aos segundos, dizer sim.
Não importa se o que está em pauta coincide ou não com o programa e a doutrina de cada qual. Oposição terá sempre que dizer não, como se fosse uma empresa de demolição, enquanto os da base aliada se comprometem incondicionalmente com o sim. Desnecessário dizer da indigência política, moral e filosófica de tal conjuntura. A política tornou-se mera disputa de poder, que deriva para um vale-tudo de promessas inexeqüíveis e demagógicas. Não há democracia que se consolide em tal quadro.
É preciso romper com esse círculo vicioso, herança ainda dos tempos do autoritarismo, que impôs ao quadro partidário brasileiro um caráter bipolar e frentista. No período militar, tínhamos de um lado uma frente de alianças em favor do regime; de outro, uma frente oposicionista, que ia da direita à esquerda. Naquela circunstância, de luta contra a ditadura, era o jeito. Mas veio a redemocratização e, com ela, o pluripartidarismo, que, no entanto, não rompeu com a estratégia das frentes híbridas, que desde então submetem a coerência doutrinária aos interesses fisiológicos e imediatistas de exercício do poder. O poder pelo poder, em que todos perseguem apenas a vitória eleitoral, sem a contrapartida de compromissos programáticos, morais ou filosóficos. O número crescente de abstenções e votos nulos (quase 36 milhões de brasileiros) nas eleições indica que a sociedade brasileira já está farta desse jogo artificial, insincero e improdutivo, que empobrece e corrompe a política.
Quer o fim da farsa; quer que os partidos sejam o que precisam ser: expressões efetivas de correntes de pensamento da sociedade; que convirjam a partir de idéias e ideais - e não em função do antagonismo ou protagonismo em relação a quem está circunstancialmente no poder, como ocorre hoje. Somente assim os partidos poderão cumprir o papel formador e formulador que têm perante a sociedade, como agentes do bem comum, das transformações e do progresso. Com as distorções atuais que aqui estou apenas resumindo, não há a menor chance.Cumpre, pois, que se inicie desde já um novo ciclo na vida política brasileira, em que se dê conteúdo doutrinário à democracia, em que cada agente político expresse convicções e seja cobrado pela fidelidade que tem a elas - e não a cargos e interesses menores. Isso não se resolve apenas com reformas nas leis que regem o sistema político. Mais que a reforma política, é preciso reformar a mentalidade dos agentes políticos. A nossa mentalidade.
Senhor Presidente, Senhoras e senhores senadores
É com esse propósito - e tendo em vista esse clamor da sociedade brasileira por renovação na política - que formalizo, aqui, desta tribuna, minha saída do Democratas, ao mesmo tempo em que anuncio que estou me associando às lideranças nacionais empenhadas em criar o Partido Social Democrático - o PSD. Esta decisão não deriva de rompimento, briga ou dissidência, mas da constatação de que se esgotou um ciclo - e não apenas um ciclo pessoal, mas conjuntural, político, um ciclo da vida partidária brasileira. E é preciso inaugurar um outro, de olhos postos no futuro. Tenho pelo Democratas respeito e reconhecimento pelo papel que desempenhou no processo de redemocratização, desde sua origem, em 1984, quando Partido da Frente Liberal. Coube-lhe garantir a eleição de Tancredo Neves e José Sarney no colégio eleitoral, propiciando a retomada pacífica do poder político pelos civis. Deu, posteriormente, sustentação aos dois governos de Fernando Henrique Cardoso e exerceu oposição aos dois governos de Lula. Cumpriu um belo papel histórico.
Considero, porém, que a parceria que nos uniu chegou ao fim. Atuação partidária hoje tem concepção distinta da minha no que se refere não apenas à prática interna da democracia, mas à postura de independência em relação ao quadro presente da política brasileira. Respeito e acato, mas já não me sinto em sintonia. Não mudei de idéias ou de identidade, mas já não vejo meios de implementá-las de onde estava. Fui criticada quando aqui votei pelo salário mínimo de R$ 545. Mas, na mesma ocasião, votei contra uma medida provisória que pretendia capitalizar o BNDES. Em ambas as ocasiões, votei tendo em vista a defesa de um princípio que o DEM e eu sempre postulamos: a responsabilidade fiscal. E assim entendo que deva ser. Um partido deve, acima de tudo, ter caráter, ser fiel a seu programa. Não há ética sem caráter.
Não vejo que o momento reclame atitudes simplistas de se filiar ao “sim” ou ao “não”. Não há grandeza nisso. Perguntam-me se o PSD fará oposição ou se fará parte da base do governo. Não é assim tão banal. Se fosse, não seria preciso criá-lo. É evidente que as forças políticas que sustentam o atual governo filiam-se a uma corrente de pensamento distinta da minha. No essencial, divergimos, o que não impede que, em alguns momentos, possamos convergir. Acusam o novo partido, que sequer saiu do papel, de servir a propósitos pessoais, de favorecer as carreiras de seus organizadores. Se fosse assim também, melhor seria não criá-lo. Mais fácil seria permanecer onde estávamos, já que a criação de um partido, no Brasil, efetivamente enraizado na sociedade e com propósitos definitivos - e é o que pretende o PSD -, é um empreendimento trabalhoso, caro e de alto risco. Lideranças como Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, e Guilherme Afif Domingos, vice-governador de São Paulo, teriam meios bem mais cômodos de dar seqüência a seus projetos pessoais de onde estão. Ocupam cargos de grande influência, têm luz própria e não precisariam se expor a desafios desse porte.
O que constatamos é que o Brasil está no limiar de um novo tempo - e que só avançará se a política assimilar os novos paradigmas que lhe estão postos. E o principal é este: é preciso nitidez de compromissos. Não é admissível que a quinta economia do planeta, com o amplo horizonte que neste momento a ela se descortina no cenário mundial, não exerça interlocução com sua própria sociedade. Há um amplo segmento de cerca de 110 milhões de brasileiros da classe média órfãos dessa interlocução. Nosso ideário consagra a defesa da economia de mercado, como único regime capaz de gerar riqueza e sustentabilidade, sem as quais não se erradica a pobreza. Não cremos no Estado-empresário, que consideramos um falso brilhante. A experiência do socialismo real, nos diversos países que o adotaram, o evidencia. Ficaram mais pobres que antes. Nossa postura e votos, no Legislativo, levará sempre isso em conta. Quando esses postulados forem favorecidos, não poderemos nos opor. Quando forem contrariados, combateremos. Mas não só. A defesa do capital e da livre empresa nem é a maior urgência brasileira, já que dispõem de suas próprias defesas e nem chegaram a ser ameaçados pelos governos do PSDB e do PT.
O que vemos como urgência - e isso faz parte da reforma das mentalidades na política - é a defesa da liberdade individual, da liberdade de pensamento, liberdade para fazer suas escolhas (Liberalismo = Liberdade). Vemos cada vez mais o país sendo submetido à ação das patrulhas do pensamento, que impõem os dogmas do politicamente correto, criminalizando os que deles divergem. Liberdade de pensamento é o convívio civilizado com as idéias com que não concordamos, mesmo com as que eventualmente abominamos, nos limites da lei. Ser tolerante é tolerar o intolerável. É essa intolerância que ameaça o convívio democrático, empobrece o debate e impede a livre circulação de idéias na sociedade, não permitindo que seja juiz dos que disputam o seu voto. É essa intolerância que estigmatizou os que vêem no socialismo uma doutrina anacrônica, fracassada e ineficaz, associando o pensamento liberal ao totalitarismo fascista, que lhe é antípoda.
Socialismo e fascismo, sim, têm algo em comum: o culto ao Estado, que, em ambos os casos, deixa de servidor do cidadão para tornar-se seu dono, intrometendo-se crescentemente em questões inerentes à vida privada e ao arbítrio das famílias. É contra esse estigma ideológico, falso como uma nota de três reais, que combateremos. O termo “social” que adicionamos ao nome do partido indica que essa preocupação com as famílias de baixa renda ou sem renda nenhuma não é monopólio de ninguém e está longe de ter dono.
Como produtora rural e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, posso afirmar - e os números nesse sentido são eloquentes - que o capitalismo no campo é o mais eficaz fator de erradicação da pobreza neste país. Se hoje temos superávits contínuos e crescentes na balança comercial; se temos hoje uma classe média rural em expansão; se oferecemos a melhor e mais barata comida do mundo; se hoje deixamos de importar alimentos, como o fazíamos há quatro décadas, e disputamos esse segmento do comércio internacional - não há dúvida de que isso se deve ao ambiente de livre competição que se estabeleceu no campo.
E isso apesar do combate sistemático que sofremos de grupos ideológicos, que insistem em nos associar ao atraso e à perversão política, como supostos herdeiros de uma mentalidade colonial. Os fatos conspiram contra essa versão, que, no entanto, continua a ser sustentada, inibindo o livre trânsito das idéias, falsificando-as. A hegemonia do pensamento esquerdista, que a estratégia gramsciana de revolução cultural inoculou na academia, estabeleceu a ditadura do pensamento. Quem hoje se sente à vontade, nas universidades e meios culturais, de se apresentar como sendo de direita ou liberal? Será renegado e excluído do debate, como um pária. E isso é trágico. Torna a democracia um engodo, um debate entre iguais, que deriva para uma luta por cargos. Nada mais. É para romper com esse paradigma e permitir que a sociedade brasileira - sobretudo sua classe média -, que se tem mostrado avessa à agenda comportamental do politicamente correto, que o PSD entra em cena.
As entidades representativas da sociedade civil têm seu papel, seu valor e seu espaço. Mas não podem monopolizar ou tutelar o debate. Representam parcelas da sociedade, mas não o todo. As minorias, ambientalistas ou produtores rurais não são segmentos isolados, com interesses que devam se sobrepor ao conjunto do qual fazem parte. Suas demandas têm que estar em sintonia com o todo e a ele se submeter. Não são intocáveis, nem inquestionáveis. As propostas que os contemplam - e algumas delas tramitam neste Congresso Nacional - não podem se revestir do status de sagrado, imunes a críticas, ponderações ou mesmo rejeições, se for o caso. E é o que presentemente ocorre, em face da ditadura do pensamento, incompatível com a essência da democracia. É na defesa dos valores libertários, que pairam acima de quaisquer outros - e que devem moldá-los - que o PSD anuncia seu ingresso nesta nova etapa da vida político-partidária brasileira.
Não seremos do contra: somos, e seremos sempre, a favor do Brasil: de sua gente, em sua multidiversidade - étnica, cultural e religiosa. Combateremos no campo das ideias, sempre ao lado de quem se disponha a endossá-las e fortalecê-las. O PSD será literalmente fiel aos seus princípios e ao seu ideário partidário. Convido a todos os Brasileiros para acompanhar em fiscalizar as ações que o PSD se dispõe.
Um novo Sarney?
Do Blog do Eduardo Bisotto:
O Senador Aécio Neves (PSDB), com seu pronunciamento desprovido de bandeiras e equalizador de desiguais (vamos combinar, botar no mesmo patamar Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula é uma sacanagem monstruosa com os dois primeiros) está se candidatando a novo Sarney do Senado Federal. Anotem e me cobrem. Leia mais aqui.
50 anos depois...
"Minas está onde sempre esteve."
Frase do mineiro Otto Lara Resende, em Manifesto que redigiu, em 1961, em manifesto assinado pelo então governador mineiro Magalhães Pinto, para ficar em cima do muro na crise da renúncia e da posse de Jango.
"Estarei onde sempre estive, como homem do diálogo que não foge às suas responsabilidades e convicções"
Frase do mineiro Aécio Neves, no seu primeiro discurso como senador da República, proferido hoje.
Informação para a imprensa.
José Serra(PSDB-SP) não veio à Brasília para ouvir Aécio Neves(PSDB-MG). Além de um seminário, veio ao aniversário de uma jornalista de primeira linha, como amigo e convidado. Os demais jornalistas presentes, por dever de não ofício, não podem dar este tipo de informação. O blogueiro anônimo pode. Serra aproveitou e ficou. Fez bem. Aécio foi obrigado a elogiá-lo. Sobre o discurso do senador mineiro, gostei dos apartes. Foram mais reveladores.
Quem com ONG fere, com ONG será ferida.
É isso aí. Pressionada pelas ONGs ambientalistas, financiadas pelo dinheiro público que jorra dos cofres do governo petista, a OEA partiu com tudo para cima do Brasil, para impedir a construção da Usina de Belo Monte, a maior obra do PAC. Não adianta espernear com notas oficiais. O que a Dona Dilma tem que fazer é parar de usar ONGs como o Greenpeace e o Instituto Socioambiental para atacar a agropecuária brasileira. Belo Monte está provando que quem com ONG fere com ONG será ferida. A presidente deve delimitar de uma vez por todas o espaço destas organizações que atendem interesses internacionais, que querem transformar o país em spa ecológico, na eterna reserva que permita que o primeiro mundo continue poluindo, destruindo, sujando e cobrando preços absurdos pelo alimento, pois afinal de contas o Brasil vai estar segurando as pontas ambientais. Quando um agricultor é impactado por uma nova barragem, a sua terra é inundada e ele deixa ali o lar, o trabalho e uma vida inteira. A desapropriação é automática. Qual o problema de alguns poucos milhares de índios brasileiros, que são proprietários de quase 15% do território brasileiro, cederem um pedaço da floresta para que um país com quase 200 milhões de habitantes tenha energia limpa? Belo Monte, na verdade, está virando um esqueleto de burro enterrado no quintal da Dilma. Por pressões ambientalistas, em vez de operar com reservatório, operará a fio d'água, sujeita a chuvas, secas e trovoadas, o que está espantando os investidores. Agora vem a indiada e os ongueiros a exigir mais garantias, em nome dos direitos humanos. O que eles querem é dinheiro. Money! Dinheiro público para, com ele, financiarem ações para inviabilizar a economia brasileira. Acorda aí, ô governanta, manda aprovar o Código Florestal e pára de financiar esta bandidada que usa o verde para fins políticos e para servir poderosos interesses econômicos dos gringos.
Alvíssaras! Aécio vai falar.
Hoje, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), depois de um longo retiro de 100 dias, falará pela primeira vez no Senado da República. Depois das quatro. E não será uma videoconferência de Minas para Brasília, será no plenário. Como dizia um amigo de Brasília, mal posso esperar o adjetivo novo que Aécio cunhará para a oposição, que já foi generosa, propositiva, construtiva e a melhor de todas: a que indica caminhos. Espera-se que além de falar obviedades como câmbio sobrevalorizado, carga tributária, juros escorchantes, má distribuição dos recursos públicos, ele também fale sobre política, porque ser oposição em relação à economia até os petistas são. Vejam que mesmo o falecido vice-presidente de Lula, morto recentemente, passou oito anos dentro do governo e falando mal dos juros. Por sinal, também era mineiro.
O discurso está sendo vendido na imprensa como aquele que vai traçar novos rumos para a oposição brasileira. Então que seja um discurso de oposição sem tréguas. Que Aécio aproveite e informe ao país, por exemplo, que o PSDB de Minas vai "desfundir" do PT e do PSB em Belo Horizonte, porque aquela promiscuidade ideológica é uma vergonha. Que faça uma análise do desempenho do PSDB na última eleição presidencial, especialmente em relação ao seu estado de origem, onde os tucanos foram derrotados pelo voto Dilmasia. Que demonstre o seu apoio explícito ao novo Código Florestal, em solidariedade aos 4.500 agricultores de Minas que estiveram, ontem, na Esplanada dos Ministérios. Que exija do STF o julgamento dos mensaleiros, antes que o crime prescreva. Que lembre ao Lula que os seus filhos devem devolver os passaportes ilegais e imorais. Que cobre de Dilma as promessas de campanha, uma a uma, como a não liberação de financiamentos do Minha Casa, Minha Vida. Que, enfim, saia de cima deste muro de uma vida inteira, onde foi oposição no discurso e situação na prática. Se quer liderar a oposição, que Aécio mostre uma cara nova. Aquela que o Brasil ainda não conhece.
Em busca de um recomeço.
Segue abaixo o artigo publicado hoje, na Folha de São Paulo, pela senadora Kátia Abreu (futuro PSD), intitulado "Em busca do recomeço". Ontem, liderando 25.000 pequenos agricultores e pequenos pecuaristas, vindos de todo o Brasil, a senadora do Tocantins mostrou que é um liderança nacional, de um setor que sustenta, em vários sentidos, a economia do país. Nenhuma bandeira de partido na manifestação. Dezenas de deputados de todos os partidos aprovando a mobilização em discursos de defesa à nova lei. Nenhuma empresa do tão atacado agronegócio estava presente, já que estas não precisam de lei nova ou velha, estas compram e vendem do jeito que querem. No final, um abraço verde-amarelo no Congresso pedindo o que há de mais nobre: que os deputados votem o novo Código Florestal já eque levem a discussão de eventuais discordâncias para o plenário, onde a democracia é representada.
Antes que seja censurada por ideias que não defendemos e por intenções que não temos em função do projeto do novo partido em organização, o PSD, lembrei-me de uma providência que Benjamin Franklin adotou ao se engajar na luta pela independência americana, em 1731: escreveu um pequeno texto de duas páginas, que republicou até o fim da vida no seu jornal, o "Pennsylvania Gazette", contendo a essência dos seus princípios.
Uma prevenção eficaz contra os preconceitos, as intrigas e as falsas interpretações. Nesses termos, começo pelo verbo correto que indica a minha movimentação política. Dizer que estou "mudando de partido" é pouco, impreciso, incompleto. Da mesma forma, é falso que esteja deixando a oposição. Ou, mesquinhamente, que abandono a legenda em que iniciei minha vida política. Esses verbos, "sair", "mudar", "trocar", "abandonar", não expressam o sentido da minha ação. O verbo é "fundar". Junto com amigos de várias procedências, participamos do núcleo dirigente de uma nova legenda, absolutamente original, a começar pela declaração de independência absoluta em relação às classificações topográficas a que nos acostumamos.
Não estamos inventando um limbo inexistente, mas definindo um novo conceito. Não adotaremos alinhamentos automáticos. Estamos fundando um partido para ser ele mesmo. Partidos não precisam de adjetivos, mas, como tudo na vida, precisam de caráter. É preciso que haja clareza e compromissos com suas metas e princípios. Quando o governo estiver em consonância com nosso programa, terá nosso apoio. Quando não estiver, não terá. Ter caráter é ser, acima de tudo, fiel aos seus princípios. O voto popular designará nosso papel, jamais composições, troca de cargos ou compensações de qualquer ordem. Segundo, porque deveremos adotar o sistema da democracia interna -no modelo "cada militante, um voto"- para escolher candidatos, dirigentes e definir as grandes linhas de ação. Algo muito diferente da prática político-partidária brasileira. Também o conteúdo perseguido não conterá as platitudes ou generalidades habituais. Não seremos escravos de ressentimentos, de definições imobilistas, de revanchismos e de idealismos espasmódicos de véspera de eleições.
Três coisas são imprescindíveis. Primeiro, os princípios de defesa da liberdade sem adjetivos e da prática, sem restrições, dos direitos humanos. Segundo, a intransigente exigência de moralidade. Terceiro, não teremos os chamados "candidatos naturais". Ninguém será candidato de si mesmo. As prévias não podem ser opcionais, devem ser obrigatórias. Um partido de militantes, e não de dirigentes autoritários. A tolerância diante do intolerável, praticaremos com humildade.
No plano econômico, quem disse que são incompatíveis a proteção social e o direito de propriedade, os estímulos à formação de empresas, o reconhecimento do lucro auferido legal e eticamente? Sou uma democrata incondicional que acredita que somente a economia de mercado pode erradicar a pobreza, por ser a única que gera riqueza. Esperem pelos programas e definições que estão no forno, com propostas precisas, sem subterfúgios, para essa combinação de solidariedade e desenvolvimento. Buscaremos na educação o instrumento verdadeiro que garanta a liberdade. A educação não deve ter seu foco apenas na qualificação profissional para o mercado, mas principalmente capacitar o cidadão para fazer suas escolhas.
Para terminar, um desafio aos críticos apressados: o reconhecimento e a defesa da classe média, que soma hoje 52% da população e detém 46,5% da renda nacional, nos caracterizará como esquerda ou direita? Não ataquem antes de o time entrar em campo. Não é justo.
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Em artigo na Folha de São Paulo, Fernando Barros e Silva, um dos maiores patrulheiros a serviço da esquerda, escreve:
"Oposição é parte da ação governativa." Com essa frase de antologia, Kátia Abreu tentava explicar como vai se comportar o seu novo partido, o PSD de Kassab: "Oposição não é empresa de demolição. Quem assim pensava e agia era o PT", disse a senadora pelo Tocantins (e hoje maior líder ruralista do país), em entrevista ontem ao jornal "O Estado de S. Paulo". Estamos, pois, numa situação em que a Rainha do Gado deserta do moribundo DEM e anuncia que não lhe interessa mais confrontar abertamente o governo. Oposição, daqui em diante, só de ladinho.
Como não sai da sua caverna para olhar o povo, este dinossauro da imprensa deveria saber que o seu "Rainha do Gado" não é ofensivo. É elogioso. Só que o elogio é pequeno e injusto. Felizmente para a agricultura e a pecuária brasileiras, a senadora Kátia Abreu também ostenta o título de Rainha da Soja, Rainha do Trigo, Rainha do Arroz, Rainha das Commodities do Reino Animal e Vegetal ou, sendo mais preciso ainda, Rainha dos Superavits da Balança Comercial do Brasil. Aliás, o artigo do caquético, maniqueísta e reducionista jornalista das cavernas esquerdosadas é em tom desesperado. Para ele, o mundo é quadrado, não é redondo. Tem que ter esquerda, tem que ter direita, tem que ter centro ou perde as referências. Com gente assim é sempre assim quando aparece alguma coisa de novo entre a terra produtiva e o céu azul do Brasil.
Itaipu: por cadeira na ONU, Brasil vai pagar mais R$ 5 bilhões ao Paraguai.
Tópicos do artigo de Eduardo Sciarra (DEM-PR), vice-líder do partido na Câmara, sobre a renegociação dos preços da energia de Itaipu, pagos ao Paraguai:
... o Paraguai já embolsou o equivalente a US$ 4,9 bilhões (royalties, rendimentos de capital e venda de energia propriamente dita). Mais: depois de 2023 (meio século da assinatura do tratado), com a quitação do financiamento, o Paraguai será proprietário de metade de um ativo avaliado em US$ 60 bilhões, cuja vida útil, estimam os geólogos, será superior a 200 anos.
... A revisão ora proposta implica o aumento dos pagamentos anuais feitos pelo Brasil ao Paraguai de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões. Como o tratado vigora até 2023, serão 13 anos com pagamento onerado em US$ 240 milhões ao ano, totalizando US$ 3,12 bilhões, ou mais de R$ 5 bilhões.
... A não ser pela megalomania e pelo protagonismo do ex-presidente Lula, não há justificativas econômico-financeiras e nem razões de Estado, de segurança nacional ou sequer de caridade cristã que expliquem um presente de mais de R$ 5 bilhões aos paraguaios. Especialmente num momento em que a salgada conta da farra fiscal e da gastança do governo passado, executada pelo atual ministro da Fazenda, está sendo cobrada de todo o povo brasileiro, com cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento, atingindo programas sociais, cancelando investimentos e aumentando impostos.
Cabe ao Congresso Nacional rejeitar este verdadeiro roubo contra o povo brasileiro. É a típica caridade com o boné dos outros, tão praticada por Lula, seja junto a países, seja junto a amigos e familiares.
STJ anula provas que poderiam ser incriminar vice Michel Temer.
Do Estadão, sobre uma operação da PF que incluía acusações contra o vice-presidente Michel Temer:
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou nesta terça-feira, 5, as provas obtidas pela Operação Castelo de Areia a partir de escutas telefônicas autorizadas com base em denúncia anônima. A decisão atinge em cheio uma das mais espetaculares missões da Polícia Federal contra executivos da Construtora Camargo Corrêa, supostamente envolvidos em um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e doações clandestinas a políticos. Tudo o que a PF e a Procuradoria da República construíram sob aquelas condições foi declarado ilegal, por três votos a um, pelos ministros da 6.ª Turma do STJ. Leia mais aqui.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Folhetim de quinta categoria.
Acabou o capítulo de "Amor e Revolução", um folhetim de quinta categoria. Personagens caricatos, péssimos atores, produção de moda ridícula, cenários de novela mexicana. Se o briefing era recontar a história, o dramalhão não convence. Pelo que pagaram pelo Panamericano, deveriam exigir um pouco mais do Sílvio Santos.
Acionistas da Vale, preparem-se: em 10 anos, as suas ações podem valer três vezes menos.
O governo federal está intervindo na Vale. Reestatizando. Trocando o presidente para poder botar a pelegada, finalmente, a mandar na empresa. Igualzinho na Petrobras. Vejam, abaixo, a matéria do G1:
Estudo feito pela consultoria Economatica, a pedido do G1, mostra que as ações ordinárias e preferenciais da Vale se valorizaram 834,8% no período de gestão de Roger Agnelli - já descontada a inflação - à frente da mineradora. Já as ações da Petrobras subiram 250,7% neste mesmo período, praticamente três vezes menos.Comportamento semelhante é observado quando o cálculo é feito somente levando-se em conta as ações preferenciais (sem direito a voto). Nos dez anos em análise (de 30 de junho de 2001 a esta segunda-feira), enquanto as ações da Vale valorizaram 765%, as da Petrobras avançaram 257,4%. No mesmo período, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), viu sua rentabilidade variar 155,5%. A Vale contabiliza, neste ano, 47 mil acionistas. Quanto à evolução do valor de mercado das duas empresas, o da Vale foi de R$ 20,32 bilhões, em 30 de junho de 2001, para R$ 270,69 bilhões atualmente, considerando dados desta útlima segunda-feira. Já o valor da Petrobras foi de R$ 62,545 bilhões para R$ 404,387 bilhões no período, de acordo com levantamento da consultoria.
Abril verde-amarelo x abril vermelho. A luta continua, brasileiros.
Há pouco, o Jornal Nacional noticiou o movimento de 24.000 agricultores a favor da mudança do Código Florestal, realizado em Brasilia. De um lado, uma entrevista com Kátia Abreu, presidente da CNA, cercada de agricultores, defendendo terra para plantar, com desmatamento zero. Como contraponto, a entrevista com um barbudinho dos dentes ruins (uma espécie de Marco Aurélio Garcia dos ongueiros), de um tal Instituto Socioambiental, ISA, dentro de uma biblioteca, atacando os agricultores brasileiros. Para finalizar, a ministra do Meio Ambiente, que é um cargo que no Brasil parece ter que ser exercido por gente mal vestida, mal penteada, mal arrumada, dizendo que quer proteger a "agricultura social", por isso acha que o texto deve ser melhor discutido. Agora vejam quem está junto em uma passeata que será feita na próxima quinta-feira, em Brasília, para contestar a manifestação da agropecuária brasileira:
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Na próxima quinta-feira (7/4), Dia Mundial da Saúde, movimentos sociais e organizações ambientalistas realizam uma marcha em Brasília para lançar a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida e protestar contra o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do Código Florestal, que é apoiado pelos ruralistas. A mobilização também defende a Reforma Agrária. A marcha sairá do pavilhão de exposições do Parque da Cidade, às 7h. A previsão é que chegue às 9h à frente do Congresso Nacional, onde ocorrerá um ato público. A manifestação reúne entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, SOS Mata Atlântica, Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), entre outros.
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Estes aí, em vermelho, representam a "agricultura social" da ministra do Meio Ambiente da Dilma. Uma das marcas da manifestação de hoje é que não foi vista uma só bandeira de partido ou de movimento político. Não havia vermelho na Esplanada. Só havia o verde-amarelo de quem trabalha pelo Brasil e não pelo Canadá, pela Inglaterra, pela Venezuela, por Cuba.
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A FETRAF, o braço financeiro da guerrilha rural do MST, dispensa comentários. Basta googlar FETRAF+corrupção+convênio. Já este Instituto Socioambiental recebeu R$ 490.152,92 do governo federal, em 2009, para um projeto de turismo quilombola no Vale da Ribeira. Também recebeu mais R$ 56.850,00 para apoiar 4 expedições a sítios de ocupação ancestral dos povos Yudja, Kaiabi, Kisêdjê Panará. Espera-se como resultados o registro de sítios sagrados e míticos, histórias relacionadas aos locais e um mapeamento histórico destes povos. No total, foram mais de R$ 750 mil. Ou seja: é mais uma ONG que mama nas tetas públicas para financiar os seus ataques à agropecuária brasileira. Este ano, o instituto já recebeu R$ 235.186,40 do Ministério do Meio Ambiente. Os 24.000 agricultores que vieram à Brasília pagaram a viagem dos próprios bolsos, como sempre.
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Estes aí, em vermelho, representam a "agricultura social" da ministra do Meio Ambiente da Dilma. Uma das marcas da manifestação de hoje é que não foi vista uma só bandeira de partido ou de movimento político. Não havia vermelho na Esplanada. Só havia o verde-amarelo de quem trabalha pelo Brasil e não pelo Canadá, pela Inglaterra, pela Venezuela, por Cuba.
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A FETRAF, o braço financeiro da guerrilha rural do MST, dispensa comentários. Basta googlar FETRAF+corrupção+convênio. Já este Instituto Socioambiental recebeu R$ 490.152,92 do governo federal, em 2009, para um projeto de turismo quilombola no Vale da Ribeira. Também recebeu mais R$ 56.850,00 para apoiar 4 expedições a sítios de ocupação ancestral dos povos Yudja, Kaiabi, Kisêdjê Panará. Espera-se como resultados o registro de sítios sagrados e míticos, histórias relacionadas aos locais e um mapeamento histórico destes povos. No total, foram mais de R$ 750 mil. Ou seja: é mais uma ONG que mama nas tetas públicas para financiar os seus ataques à agropecuária brasileira. Este ano, o instituto já recebeu R$ 235.186,40 do Ministério do Meio Ambiente. Os 24.000 agricultores que vieram à Brasília pagaram a viagem dos próprios bolsos, como sempre.
Código Florestal: PT contra, PSDB decidindo, sete partidos fecham questão pela aprovação.
O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, deputado Moreira Mendes (PPS-RO), afirmou nesta segunda-feira que as bancadas de sete partidos (PMDB, PTB, PR, PP, PSC, PSB e DEM) fecharam acordo em torno do substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao Projeto de Lei 1876/99, que altera o Código Florestal Brasileiro.De acordo com Mendes, o fato de Rebelo ainda estar analisando a possibilidade de alterar o texto não inviabiliza o apoio. “Isso apenas reflete uma demonstração clara de que não estamos de portas fechadas para o diálogo. Tudo o que vier para melhorar será bem vindo”, disse o deputado, ao reconhecer que “parte da proposta será discutida somente em Plenário”.
Posições contrárias
Mantendo posição contrária ao relatório, o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), disse que o partido deverá se reunir ainda nesta semana para encaminhar ideias ao relator. Já o líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), confirmou a reunião de bancada nesta terça-feira (29) para fechar questão sobre o assunto. As informações são da Agência Câmara.
Certo da derrota, governo pressiona Câmara a não votar o Código Florestal.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta terça-feira que há a possibilidade de nova prorrogação do prazo concedido aos proprietários para regularização e averbação de suas terras com reserva legal, que venceria em junho deste ano. Tudo para impedir a aprovação por maioria esmagadora das mudanças no Código Florestal. "Temos que ter todas as condições necessárias para votar um bom texto. E a condição necessária eventualmente pode envolver prazo para amadurecer um bom texto. Então esse é o processo que vamos avaliar. Esse [a prorrogação do prazo] foi um pedido que ele [Marco Maia] me fez e nós não temos dificuldade em avaliar essa solicitação", afirmou a ministra. Esse prazo para a averbação das terras já foi prorrogado outras duas vezes.24.000 agricultores estão reunidos em Brasília, acabam de abraçar o Congresso e, agora, cerca de 2.000, representando todos os estados, estão entrando na casa para convencer os parlamentares. Setores do governo não querem as mudanças, para atender as ONGS internacionais que financiam parlamentares do PT e também as demandas do MST. Resta saber se a Câmara Federal, dirigida pelo petista Marco Maia, vai dobrar a espinha para ongueiros e mensaleiros, jogando 4 milhões de produtores rurais na ilegalidade.
Atravessa a rua, Marco Maia. Venha falar com o povo.
Neste momento, 20.000 agricultores pedem a presença de Marco Maia(PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados, para garantir que as mudanças no Código Florestal serão votadas ainda em abril. Dezenas de deputados e senadores discursam para os produtores, debaixo de chuva.
20.000 produtores rurais tomam Brasília.
Um evento com uma só bandeira: a imensa bandeira do Brasil que paira sobre 20.000 produtores rurais que estão em Brasília para exigir a imediata votação do Código Florestal. Aldo Rebelo (PCdoB-SB) foi ovacionado pelos produtores de todos os estados, ao lado da senadora Kátia Abreu(ex-DEM).Um belo espetáculo democrático, com o Brasil acima de tudo.
Passaportes dos filhos de Lula, que eram imorais, agora também são ilegais.
O Ministério Público do Distrito Federal considerou irregulares os passaportes diplomáticos concedidos a quatro filhos e três netos do ex-presidente Lula, segundo matéria da Folha de São Paulo. Em ofício encaminhado ao Itamaraty, assinado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o órgão disse que pedirá à Justiça a anulação dos documentos se eles não forem devolvidos em 30 dias. O Ministério Público analisou a concessão de 328 passaportes diplomáticos em caráter excepcional e por "interesse do país" de 2006 a 2010.
Apenas os documentos dos familiares de Lula foram considerados ilegais, porque não apresentam justificativas pertinentes, segundo o Ministério Público. Entres os parentes que receberam os superpassaportes estão os filhos de Lula: Marcos Cláudio, Luís Cláudio, Fábio Luís e Sandro Luís. A assessoria de Lula disse que ele está em viagem e que não foi comunicado do pedido do Ministério Público. A reportagem não localizou os filhos do ex-presidente. O Itamaraty afirmou que não vai comentar a solicitação do procurador e que irá responder no prazo estipulado as informações.
Michel Temer investigado por corrupção.
O vice-presidente Michel Temer é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal sob a suspeita de participar de um esquema de cobrança de propina de empresas detentoras de contratos no porto de Santos (SP), segundo matéria da Folha de São Paulo. O caso chegou ao Supremo em 28 de fevereiro e na semana passada seguiu para a apreciação da . A Procuradoria da República em Santos pediu que o caso fosse remetido ao tribunal em 15 de setembro, durante a campanha eleitoral. Presidente nacional do PMDB, Temer já havia sido escolhido para formar chapa com Dilma Rousseff (PT). No texto enviado ao STF, a procuradora Juliana Mendes Daun diz que "Temer figura efetivamente como investigado neste apuratório". O vice-presidente nega ter recebido suborno e critica o trabalho da polícia e da procuradora. Em 2002, o então procurador-geral da República Geraldo Brindeiro determinou o arquivamento de um processo administrativo preliminar sobre o caso.
A polícia reuniu indícios de que empresas distribuíram propinas para vencer concorrências para exploração de áreas do porto de Santos, administrado pela Codesp (Companhia de Docas do Estado de São Paulo).O órgão, hoje comandado pelo PSB, era área de influência política do PMDB e de Temer, então deputado federal. Foi o partido que indicou o presidente da Codesp entre 1995 e 1998, Marcelo de Azeredo, o primeiro alvo das investigações da polícia. Em 2000, a ex-mulher de Azeredo, Érika Santos, entrou com processo de dissolução de união estável na Vara da Família em Santos.
Nesse processo, ela juntou planilhas e documentos que indicavam, segundo o inquérito, o repasse de propinas que teriam sido pagas por duas empresas, Libra Terminais S/A e Rodrimar S/A. O dinheiro, segundo as planilhas, foi entregue a Azeredo, a uma pessoa chamada apenas de "Lima" e a alguém identificado nos papéis como "MT". A PF e a Procuradoria dizem que "MT" é Temer. Documento reproduzido pela procuradora Daun indica que eles receberam indevidamente R$ 1,28 milhão, o equivalente a 7,5% do contrato da Libra para exploração de dois terminais do porto. Segundo a polícia, Temer ficou com metade do valor.
PSD recebe um reforço de peso e um discurso sem meias palavras.
A senadora Kátia Abreu (TO) entrega nesta terça-feira, 5, sua carta de desfiliação do DEM, onde era uma das principais lideranças nacionais, para aderir ao projeto do PSD - o Partido Social Democrático, lançado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. A migração para a nova legenda será oficializada na quarta, em discurso no plenário do Senado.

A filiação ocorre em meio ao descrédito provocado pelo anúncio de fusão com o PSB, ideia que não vingou, e a leitura de que a nova sigla será linha auxiliar do governo. Ela garante que a fusão com o PSB jamais existiu como proposta séria e que o PSD será de oposição, mas afirma: "Oposição não é empresa de demolição: não precisa de adjetivos, mas de caráter".
Por que deixar o DEM?
Em busca de uma tribuna mais eficaz para defender meu ideário. O DEM cumpriu missão histórica admirável, viabilizando a transição democrática com Tancredo Neves e José Sarney, e garantindo a estabilidade dos três governos seguintes. Mas vive momento de turbulência interna. Deixo o partido, mas não mudo minha identidade: as ideias e objetivos são os mesmos.
Se é assim por que não foi possível uma solução interna?
O convívio partidário é como um casamento. Quando o desgaste ultrapassa determinado ponto, em que a confiança é atingida, não adianta insistir. O DEM não pratica internamente a democracia que prega externamente. Se mostra constrangido em assumir o ideário liberal.
O PSD surge num contexto que já abriga 27 legendas. Não há partidos demais?
Não é questão de quantidade, mas de qualidade. A maioria dos partidos brasileiros não pratica a democracia interna, nem exerce interlocução com a sociedade. A democracia precisa começar dentro dos partidos, e isso não ocorre. O quadro partidário brasileiro passará inevitavelmente por um rearranjo. O PSD apenas deu a partida. Outras siglas surgirão, outras desaparecerão. É questão de tempo.
Mas o PSD já nasceu provisório, anunciando fusão com o PSB.
O PSD nasce com ânimo definitivo, para ocupar um espaço que precisa ser preenchido no cenário partidário nacional: os ideais da economia de mercado e do Estado democrático de Direito. Será o partido da classe média, que se expandiu continuamente desde o Plano Real e hoje reúne mais de 100 milhões de brasileiros que não estão representados no espectro político-partidário.
Por que o PSD desistiu da fusão com o PSB?
Não houve desistência porque não houve essa decisão. A ideia de fusão foi apenas uma hipótese inicialmente colocada, em ambiente de tempestade de ideias, em decorrência das dificuldades operacionais de se criar uma nova legenda. Mas, na medida em que se aprofundou a discussão, foi posta de lado. Eu mesma jamais pensei em ingressar num partido cujo ideário é bem distinto do meu.
Então será um partido de centro-direita?
Essa nomenclatura está inteiramente ultrapassada. O PSD não vem estabelecer um duelo ideológico, esquerda versus direita. Não vem lutar contra, mas a favor - não do governo, mas do País. Essa classificação é falsa, anacrônica. Basta lembrar que o PT, que se define como de esquerda, aliou-se ao Partido Liberal, que estaria à direita, para eleger Lula e José Alencar em 2002. O PL depois mudou de nome, mas não significa que tenha mudado seu DNA.
O prefeito Kassab se definiu como um político "de centro, com uma leve tendência para a esquerda". E a sra.?
Kassab, ao mencionar essa tendência à esquerda, quis enfatizar sua preocupação com o social, não estabelecer um vínculo ideológico. Ele é um homem da economia de mercado, que sabe dos benefícios sociais que ela gera onde é de fato praticada. Esse é um mito que precisa ser desfeito: o de que a preocupação com o social é monopólio dos socialistas, da esquerda. Não é.
Mas seu vínculo com o agronegócio é frequentemente interpretado como uma contradição com o discurso social.
Essa é mais uma falácia dos que querem atribuir aos socialistas o monopólio do bem e vilanizar seus adversários. Os produtores rurais, que tenho a honra de representar, são muito mais eficazes na erradicação da pobreza que os seus críticos. São responsáveis pela produção da melhor e mais barata comida do mundo, gerando emprego e renda, no campo e na cidade. Hoje, há uma forte classe média rural, que antes não existia. E não foi criada pelo Estado, mas pela economia de mercado. Até há duas décadas, o Brasil importava alimentos. Hoje, é um dos maiores exportadores do mundo, garantindo superávits sucessivos na balança comercial.
Outra leitura feita é a de que o partido será uma linha auxiliar do governo.
Faremos oposição, mas não como um fim em si mesmo. Oposição não é empresa de demolição. Quem assim pensava e agia era o PT. Oposição é parte da ação governativa. O eleitor, ao eleger os governantes, elege também quem os fiscalizará. Não se trata só de disputar o poder, mas de oferecer ao eleitor um norte, um caminho para o País.
Numa linha "oposição generosa", como alguns propuseram?
Oposição não precisa de adjetivos, mas de caráter. É preciso que haja compromisso com princípios e metas. Quando o governo estiver em consonância com nosso programa, terá nosso apoio. Quando não estiver, não terá. Ter caráter é ser, acima de tudo, fiel a si mesmo e aos seus próprios princípios. Por essa razão, ao mesmo tempo em que votei pelo salário mínimo de R$ 545, votei contra uma medida provisória que capitalizava o BNDES. Em ambos os casos, fui fiel ao princípio da responsabilidade fiscal, com o qual estou comprometida.
Como fica a relação com o PSDB, parceiro histórico do DEM? Com Serra ou com Aécio?
Manteremos a interlocução, com certeza. Construímos uma etapa fundamental da história contemporânea do Brasil, que foram os dois governos de FHC. Mas não seremos satélite de ninguém.
Como avalia uma oposição debilitada como a atual?
O risco é desmoralizar a atividade política e favorecer a chamada democracia direta, como na Venezuela chavista, que opera por plebiscitos.
Diz-se que uma das condições de seu ingresso no PSD foi a garantia de presidi-lo.
O PSD não terá dono. A decisão é das bases do partido. Queremos um partido que tenha nas prévias um instrumento para as decisões.
Entrevista concedida a João Bosco Rabello, de O Estado de S. Paulo
Entrevista concedida a João Bosco Rabello, de O Estado de S. Paulo
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Kassab no Roda Viva.
Hoje o Roda Viva, da TV Cultura, entrevista Gilberto Kassab (sem partido), que está fundando o PSD, Partido Social Democrata, que nasce a partir do racha no DEM. Autor de sucessivas declarações desastradas nas últimas semanas, é a oportunidade de ver se o prefeito vai conseguir comunicar com maior profundidade e clareza qual será o programa do novo partido.
20.000 produtores rurais chegam à Brasília para lutar pelo direito de produzir comida barata.
Vinte mil produtores rurais e representantes da sociedade civil de todos os Estados brasileiros estarão reunidos amanhã, terça-feira (5/4), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para defender junto ao Congresso Nacional a votação urgente da proposta que atualiza o Código Florestal brasileiro. As caravanas chegam na terça-feira (5/4), pela manhã, em 500 ônibus vindos de todas as regiões do País, trazendo na bagagem um discurso único: só a modernização da legislação ambiental dará segurança jurídica ao campo, garantindo a oferta de comida barata e de qualidade à população brasileira, que consome 70% de toda a produção de carnes e grãos.
A atualização da legislação ambiental consolidará as áreas de produção de alimentos, atendendo às necessidades atuais da agropecuária brasileira, que evoluiu muito nos últimos anos. “Se há 45 anos, o brasileiro gastava 48% de seu salário com comida, hoje ele gasta 18%”, afirma a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, que estará à frente da manifestação da próxima terça-feira.
Programação
9h - início da programação, em frente ao Congresso Nacional, com a execução do Hino Nacional e um toque de berrantes.
9h30/10h30 - missa campal. Após a missa, a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, estará à disposição da imprensa, na Esplanada dos Ministérios.
10h30 – pronunciamentos de parlamentares na tenda principal, instalada em frente ao Congresso Nacional.
12h30/13h30 - Hora do almoço - será servido um arroz de carreteiro preparado em grandes panelas instaladas no local da concentração.
14h - grande abraço simbólico ao Congresso Nacional.
15h/16h30 - Visitas aos deputados, na Câmara dos Deputados.
17h - Retorno das caravanas aos seus Estados.
Tão arrogante e prepotente quanto Marta Suplicy, Haddad é o cara para São Paulo em 2012.
Fernando Haddad, o petista petulante, prepotente, arrogante e incompetente, que, como Ministro da Educação, acabou com o ENEM e transformou os CEFETs em faculdades federais de baixa qualidade, acabando com o ensino técnico no Brasil, é o cara do Lula para disputar a prefeitura de São Paulo, em 2012. É cria da Martaxa, de quem foi Secretário da Finanças e Desenvolvimento Econômico.
Blog em trânsito.
Já atualizado, o Blog volta a funcionar no início da tarde, já em Brasília, onde vamos acompanhar, amanhã, na Esplanada dos Ministérios, uma causa que vale a pena: a mobilização de 20.000 agricultores e pecuaristas, gente que trabalha de sol a sol, pela aprovação do novo Código Florestal e pelo direito de botar comida na mesa dos brasileiros. Os comentários serão liberados antes disso. Até à tarde.
Pelegos em alta.
Apesar de a relação entre governo e centrais sindicais ter começado com estranhamento de ambas as partes, por causa da votação do reajuste do salário mínimo, a presidente Dilma Rousseff precisará, mais que qualquer um de seus antecessores, negociar com o movimento sindical. A bancada trabalhista na atual legislatura é a maior da história, com 87 parlamentares - ou 15% do Congresso.Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) feito a pedido do Estado, 80 deputados e sete senadores já ocuparam cargos em sindicatos. Trata-se de aumento de 45% em relação a 2007, quando havia 60 parlamentares eleitos ligados a essa bandeira. Leia mais no Estadão.
Não resolve, mas ajuda.
Do Painel da Folha:
Do Painel do Coturno:
Apesar de servir para confirmar o uso de dinheiro público no mensalão, o novo relatório da PF, revelado pela revista ""Época", dificilmente terá condições de ser incorporado aos autos da ação penal que corre no STF sob a relatoria do ministro Joaquim Barbosa. Na hipótese de fatos novos com relação aos atuais réus não descritos na denúncia recebida pelo Supremo, o Ministério Público Federal faz um aditamento na peça de acusação. Se isso vier a ocorrer, todos os réus estarão, em princípio, aptos a se manifestar sobre as novas investigações. Haveria, portanto, o risco de reiniciar todo o jogo.
................................................................................Do Painel do Coturno:
A reportagem da revista Época, no entanto, é o melhor conjunto de provas a ser usado pelos ministros do STF adeptos do tal "direito achado na rua". Já que não podem ser incluídas no processo, sob pena de todos serem ouvidos novamente, que cada excelência "ache" um exemplar da revista e use como elemento fora dos autos para dar a sua sentença. O tal "direito achado na rua" não está acima da legalidade, por expressar um clamor social? Da mesma forma, depois desta matéria, quero ver se algum deputado ou senador terá peito de absolver um José Dirceu, um João Paulo Cunha, um José Genoino e outros membros da "sofisticada organização criminosa" do mensalão do PT.
Indio vai para o PSD.
O ex-deputado federal Indio da Costa oficializou ontem seu embarque no partido que será criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD. Indio concorreu como vice na chapa de José Serra à Presidência em 2010. Indio, que deixou o DEM assim como Kassab, coordenará a estruturação do PSD no seu Estado, o Rio de Janeiro. "O DEM não tem democracia interna", afirmou. Indio disputava espaço com o ex-prefeito do Rio Cesar Maia e seu filho, o deputado federal Rodrigo Maia, pelo controle da legenda no Estado. As rusgas inviabilizaram as chances de Indio concorrer à prefeitura da capital do Rio pelo DEM. O ex-deputado reafirmou que o PSD não terá posição predeterminada. "Os conceitos de direita e esquerda não cabem mais. O PSD nasce como uma sigla social, liberal e democrata", afirmou. No Rio, o PSD apoiará os governos estadual e municipal. "Se houver uma eleição, veremos. Mas hoje não estou preocupado com isso", disse. (Da Folha de São Paulo)
Liberdade de expressão.
Ao tratar das imbecilidades proferidas pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) a respeito de homossexualismo, o colunista da Folha de São Paulo, Fernando Barros e Silva, cai na mesma abordagem preconceitudo e gratuita, reunindo em poucas linhas o que a PL 122, a militância gay e os ditos movimentos sociais GTBLSXYZ, caracterizariam como homofobia. Não é. Acima desta coluna tosca, ofensiva, que carrega preconceitos enrustidos, está a liberdade de expressão, de opinião e de imprensa. A mesma que protege o deputado que querem condenar. Leiam abaixo.
" O deputado Jair Bolsonaro é um tipo fascistão. Truculento, homofóbico, lida mal com as diferenças e os valores democráticos. Os gays, em particular, parecem deixá-lo "maluca" de raiva. Sabe-se que indivíduos muito hostis ou agressivos, que se sentem ameaçados pela existência de homossexuais, costumam ser enrustidos. O ódio projetado no outro é apenas um sintoma, uma defesa contra si mesmo. Mas quem seria eu para suspeitar que existe uma "Jairzona" enjaulada na alma do capitão? O ser humano é complexo.
A polêmica envolvendo esse personagem de almanaque tomou, no entanto, outro rumo. Discute-se se ele, com suas palavras, praticou o crime de racismo e os limites da liberdade de expressão no país. Preta Gil lhe perguntou: qual seria sua reação se um de seus filhos namorasse uma negra? E ele: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Meus filhos foram muito bem educados. Não viveram em ambiente como lamentavelmente é o seu".
Digo logo: um país em que Bolsonaro não fosse eleito deputado tenderia a ser um lugar melhor. Mas pretender cassá-lo ou condená-lo por racismo em função dessa fala me parece um grande equívoco. Não só porque seria a melhor maneira de transformá-lo em vítima. Mas, sobretudo, porque o que ele fez foi apenas manifestar a sua opinião. Grosseira, retrógrada, mas que representa uma parcela da sociedade. A liberdade de expressão nos garante a possibilidade de falar o que quisermos (nos limites da lei), mas também nos obriga a ouvir o que nos desagrada.
Bolsonaro incitou o racismo? E se ele fosse um negro e dissesse que não gostaria de ver sua filha casada com um branco? Seria racista? Devemos ser bastante restritivos em relação a atos racistas. Mas seria bom que fôssemos também mais elásticos e liberais em relação às palavras. Temos deficit de cultura democrática. Deixem Bolsonaro falar. Ele é o seu maior inimigo."
domingo, 3 de abril de 2011
Um país sem direita.
O espectro político brasileiro é peculiar: na ponta esquerda, tem o jurássico PCO. Passa por socialistas radicais, como o PSOL e o PSTU, pelos comunistas conformados do PPS, pelos social-democratas do PT e do PSDB, pela esquerda verde do PV e se encerra no centro, onde estão PP e DEM. Não há, entre os 27 partidos brasileiros, um que se assuma como direitista. E o recente anúncio da criação do PSD, que se define como social-democrata, abre um buraco no DEM e empurra o eixo da política brasileira ainda mais para a esquerda. A situação é única. Todas as grandes democracias do mundo têm ao menos um partido conservador forte, como o PP espanhol, o Partido Republicano dos Estados Unidos, a UMP francesa e o PDL italiano. O que teria levado a direita brasileira à lona enquanto, em outros países, como os vizinhos Peru e Colômbia, ela ocupa o poder máximo? Para especialistas e políticos ouvidos pelo site de VEJA, a causa está na herança maldita da ditadura militar. Leia mais aqui, na Veja.
Serra não vai e Aécio fatura reunião dos tucanos.
O senador Aécio Neves(PSDB-MG) ainda não falou na tribuna do Senado. Mas falou ontem, em reunião de governadores do PSDB, realizada em Belo Horizonte, tudo aquilo que deveria ter gritado para o Brasil, lá na casa do povo. Serra não compareceu ao evento. Brilharam, assim, o neto de Tancredo e Sérgio Guerra(PSDB-MG), que pleiteia, com o apoio do primeiro, continuar como presidente do partido que não conseguiu organizar nem mesmo no seu estado natal. A reunião foi habilmente usada como uma vitrina para lançar Aécio como o líder das oposições, com críticas pontuais e sob medida contra o governo. Até mesmo o Conselho de Notáveis que serviria como uma instância estratégica dos tucanos virou um Colegiado de Emplumados, com 14 membros, um a mais do que 13, preservando-se, assim, a possibilidade do empate para os temas mais espinhosos, que peçam um bom e providencial muro. Aécio saiu do conclave como o novo dono do PSDB. Isso sim é que é herança maldita.
Sobre a linha do Blog.
Tem algumas pessoas fazendo despedidas do Blog porque o blog não é alckmista, não é aecista, não é agripinista, não é direitista, não é militarista. Ou porque ele é serrista, kassabista ou bornhausista. Vou desenhar. Este Blog é brasilista e democratista. E, principalmente, antipetista. Portanto, não busquem aqui coerência partidária ou coisa que o valha. Quem quiser este tipo de alinhamento que faça a sua filiação em algum partido político e vire militante. E mais: este blog tem admiração ou respeito por alguns políticos, dentro de um abrangente arco ideológico, entre os quais José Serra(PSDB), Kátia Abreu(DEM), Indio da Costa(sem partido), Jorge Bornhausen(DEM), Ana Amélia Lemos(PP) e Roberto Freire (PPS). Na imprensa, este blog confia no trabalho de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Guilherme Fiuza, Merval Pereira e tem um carinho especial pelo talento de duas jornalistas: Dora Kramer e Lucia Hippolito. Por último: este é um blog anônimo, pessoal e intransferível, com três anos de história e mais de sete milhões de acessos, que é um sucesso que incomoda porque não tem o rabo preso. Portanto, aos que estão fazendo as suas despedidas por estarem frustrados com a falta de radicalismo do dono ou pelo excesso de críticas aos traíras, imbecis e vagabundos da política, um hasta luego e um vão com Deus. Para os que ficam, muito obrigado e viva o contraditório.
Só existe um livro sagrado na democracia: a Constituição.
O debate sobre a concessão de mais direitos aos cidadãos homossexuais(gosto mais do que homoafetivos, até porque nunca vi cidadãos heterossexuais serem chamados de heteroafetivos), que tomou conta da mídia nos últimos dias, trouxe à tona os argumentos mais estapafúrdios, que só tiram o foco sobre as verdadeiras razões pelas quais a PLC 122 deve ser colocada na lata do lixo. Um destes argumentos é o religioso. Na democracia, quem manda não é a Bíblia, não é o Corão, não é a Torá, não é o Mahabharata, não são os Vedas. Na democracia, quem manda é a Constituição. Podemos ser contra a Lei da Homofobia porque ela é inconstitucional. É inconstitucional porque, ao proteger uma minoria a transforma em casta, com superdireitos, discriminando a maioria, atentando contra os direitos mais legítimos, como liberdade de crença e opinião. Por isso, esta lei deve ser derrubada. Porque fere o mais sagrado dos livros: a Constituição do país.
O vídeo acima foi extraído da série West Wings. Mostra o presidente da república dos Estados Unidos recebendo radialistas na Casa Branca. E discutindo homossexualidade com uma apresentadora, tendo como base a Bíblia. Notem que ele dá a sua opinião, em alto nível, mas não fere a Constituição do seu país no que ela tem de mais sagrado: a Primeira Emenda, que garante alguns princípios fundamentais, entre os quais a liberdade de expressão (utilizada pelo presidente), a liberdade de imprensa (garantida à apresentadora) e a liberdade religiosa (sob a égide da qual está se dando a discussão). Uma verdadeira aula de democracia.
Fora de foco.
Chega a dar pena o desespero implícito nas declarações de José Agripino Maia, atual presidente do DEM, de ACM Neto, líder do partido na Câmara, até mesmo nas intervenções de deputados honrados como Ronaldo Caiado, a respeito do PSD, partido que está sendo criado a partir de uma dissidência interna do Democratas, uma tragédia anunciada, decorrente da gestão caótica empreendida por Rodrigo Maia. Políticos experientes, eles não param de dar as mais ridículas declarações, na tentativa de minimizar o estrago provocado pelo racha e de desqualificar, no melhor estilo petista, os seus ex-companheiros de partido. Depois de ver ACM Neto, que praticamente implorou para Kassab ficar porque era "um grande quadro", cunhar no twitter expressões como "partido da boquinha" e "partido sem decência", hoje é o senador Agripino que afirma (ver coluna abaixo, de Dora Kramer) que os componentes do futuro partido são " uma chusma de gente movida pelo sopro do Planalto e que está a serviço do PT". Além do esforço midiático, o que sobrou do DEM parte para ameaças judiciais, embargo de registros de marca, toda a sorte de estratagemas para causar dificuldades e minar a imagem do novo partido. Se Agripino e a sua turma tivessem tido o mesmo empenho para impedir que o DEM fosse para o buraco, nada disso estaria acontecendo. Obviamente que Gilberto Kassab não é uma vítima e até agora não é possível saber qual será a linha do novo partido, tendo em vista as declarações erráticas dadas pelo prefeito paulista. No entanto, melhor faria o DEM se corrigisse o seu foco, cuidando do que restou, negociando com os que ficaram e respeitando os que saíram. Afinal de contas, se tivessem agido assim, sem prepotência e arrogância, o partido não teria implodido. Parece que não aprenderam a lição.
O PSD, críticas e crenças.
Artigo de Gilberto Kassab, publicado hoje, na Folha de São Paulo:
O mundo caiu na minha cabeça. Dizem que eu tenho cabeça dura, mas tenho, acima de tudo, convicção da minha decisão e do caminho a seguir. Criar um novo partido, reunir companheiros em torno de princípios e da crença em outra maneira de fazer política -esse é um desafio que eu tinha o direito e que tenho o dever de enfrentar. Tenho 17 anos de vida pública. Fui de vereador a prefeito. Como os que já viveram os embates da linha de frente da política e da administração pública, enfrentei dificuldades, tive bons e maus momentos. Aprendi muito. Os que agora nos unimos no PSD (a exclusividade da denominação depende do registro da sigla na Justiça Eleitoral) teremos humildade para continuar aprendendo e seremos fortes e perseverantes nessa empreitada.
Acreditamos que chegará o momento da tão esperada concentração partidária. Mas o PSD crê que a experiência pluripartidária brasileira ainda não se esgotou. Tem características próprias, é ainda um processo em andamento. Com as grandes transformações políticas das últimas duas décadas (tão recentes!) vividas pelo Brasil e pelo mundo, o PSD tem consciência do espaço a ocupar e das bandeiras a defender. Nossa Constituição é de 88, há muitas reformas a fazer. Entre elas, a reforma política. O PSD acredita que a discussão dessa concentração partidária, por exemplo, está no cerne da reforma. Nas últimas décadas, tivemos governantes que se esforçaram para o avanço democrático e social e para o desenvolvimento econômico. Não foram de direita nem de esquerda. Não se submeteram a rótulos, tampouco se renderam a recaídas autoritárias.
Deixando o DEM, estranham que eu torça pelo sucesso da presidente Dilma. Que reconheça as virtudes de José Serra. Que faça parcerias administrativas com Geraldo Alckmin. A luta partidária não é conflitante com a convivência administrativa. Esse espírito federativo é uma das nossas bandeiras. O PSD será uma trincheira de onde vamos defender nossos sonhos. Acreditamos na democracia, na liberdade, no exercício legítimo das forças do mercado, na atuação de um Estado ativo e cumpridor de suas ações sociais. Na atuação dos movimentos populares que defendam interesses legítimos, que contribuam para o fortalecimento da cidadania. O PSD acredita num governo guardião da lei, distante dos radicalismos, cada vez mais próximo dos que mais precisam.
Temos instituições fortes, mas nem por isso imunes às transformações: a democracia carrega os genes da autoavaliação e do aperfeiçoamento. Temos atores vigilantes, como a mídia, cada vez mais conscientes do seu papel. Temos um Judiciário cada vez mais independente e defensor das normas constitucionais e republicanas. O Legislativo, como em todo o mundo democrático, enfrenta ainda hoje um forte fogo cruzado. Já foi humilhado, constrangido, perseguido, cassado. Com seus defeitos e qualidades, assumiu compromissos e se expôs. A classe política sabe que tem um dever com os eleitores que representa.
O PSD crê no amadurecimento da política, na participação ativa e crítica da sociedade, na transparência da administração, no desenvolvimento sustentável e na convivência altiva com parceiros internacionais que respeitem os direitos e a dignidade de seus cidadãos. Estou trabalhando muito como prefeito de São Paulo -e nunca será o bastante, dada a dimensão dos problemas da nossa capital. Farei mais, lutarei até o fim do mandato. Contudo, neste momento em que lançamos o PSD, não é hora de falar dos feitos nem de ficar olhando para trás, mas, sim, de pensar no futuro. Com desprendimento, espírito público e amor pelo país que queremos construir.
Sobrevivência na selva.
Coluna de Dora Kramer, publicada hoje no Estadão.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia, está mais ou menos na situação descrita por Paulo Vanzolini na voz de Noite Ilustrada nos idos dos anos 60: reconhece a queda, mas não desanima. Assim que conseguir reorganizar o partido em São Paulo, cuja estrutura de comando foi dissolvida para que não reste sombra da influência do prefeito Gilberto Kassab, o senador vai deflagrar uma operação de sobrevivência na selva, na tentativa de levar o partido a sacudir a poeira e dar a volta por cima. Certeza absoluta de que será bem-sucedido ninguém tem, nem ele. O baque foi forte, admite.
O roteiro estabelecido quando da mudança de nome de PFL para DEM com renovação de lideranças não saiu como o previsto e o escândalo José Roberto Arruda foi fatal: "Cometemos grave erro de comunicação e o que acabou marcando foi a expressão "mensalão do DEM" no lugar do fato de que botamos para fora o Arruda". A decisão de Kassab de sair para criar um novo partido, completou a série de infortúnios. Mas o tombo, no entender de José Agripino, não foi definitivo. "Estamos bem longe do desmoronamento de que se fala, mas a crise é real e leva o partido a uma reflexão interna profunda sobre os erros cometidos e as ações necessárias para uma retomada do rumo perdido", diz, sem a menor preocupação de dissimular o litígio com Kassab, a quem atribui a construção da "imagem do destroço".
Duvida de que o prefeito provoque defecções significativas no DEM e duvida mais ainda do sucesso da empreitada com a legenda do PSD. "Quero ver como ele ficará depois que não for mais prefeito. Por enquanto tem a máquina da Prefeitura de São Paulo nas mãos. Em 2013 não terá mais nada." Faz as contas: "Dos oito deputados federais do DEM em São Paulo ele leva dois; dos oito estaduais conseguiu convencer só um; dos 76 prefeitos, no máximo leva 14. E o que mais no resto do País? Uma chusma de gente movida pelo sopro do Planalto e que está a serviço do PT. Para o barulho que faz, a colheita dele tem sido modesta". Segundo ele, os sinais de que o plano é atuar como linha auxiliar do governo - "Dilma quer concluir o projeto de Lula de nos eliminar da cena" - faz crescer no DEM um sentimento de autopreservação que, assegura, logo será visível.
Vai trabalhar para segurar as figuras de projeção nacional e nos respectivos Estados enquanto inicia uma campanha de filiação e promove reuniões estaduais, a começar por Santa Catarina, onde o governador Raimundo Colombo está vai não vai (Agripino aposta que não vai) para o PSD. Na ausência de instrumentos de poder, a saída, na opinião do presidente do DEM, forçosamente terá de ser a aposta na conquista do público sensível à defesa da redução de impostos, do Estado de tamanho compatível com a qualidade do serviço prestado, parcerias público-privadas nos investimentos e preservação do meio ambiente com desenvolvimento. "Não é possível que o partido que impediu a renovação da CPMF, impondo a maior de todas as derrotas do governo Lula, não tenha o que dizer nem saiba como atuar."
Lua de mel. Natural e nada surpreendente que a presidente Dilma Rousseff apresente índices altos de aprovação nas pesquisas divulgadas recentemente. Por quatro motivos: carrega o legado da popularidade de Lula, que a elegeu; nesse período nada aconteceu que pudesse justificar perdas na avaliação; na comparação com Lula tem agradado à parcela da sociedade que não gostava do estilo dele; tem sido poupada pela oposição, que anda sem rumo, sem unidade e sem discurso. O desafio dela de agora em diante é conseguir corresponder às expectativas.
Temporão 2012. Afastada a hipótese de fusão com o PSD de Kassab, o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão examina com carinho a proposta de concorrer à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSB.
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